Há quem imagine que guitarra distorcida, bateria pesada e riffs de metal sejam assuntos exclusivos para adultos. Mas basta observar um show, um festival ou um evento cultural para perceber que o Rock and Roll também pode fazer parte das melhores memórias construídas entre pais e filhos.
No Dia dos Pais, vale imaginar uma cena especial: de um lado, o papai rocker, camiseta de sua banda favorita, cabelos ao vento e aquele sorriso de quem encontrou uma boa desculpa para voltar a ser criança. Do outro, o pequeno fã, talvez ainda carregado no colo, usando uma camiseta de sua primeira banda, segurando um brinquedo e descobrindo, aos poucos, que música também pode ser uma grande aventura. E que aventura!
DO BERÇO AO PALCO
A relação entre pais e filhos pode ganhar uma trilha sonora bastante peculiar. Enquanto alguns escolhem canções tranquilas para embalar os primeiros anos dos pequenos, outros apresentam aos filhos o universo das guitarras, dos baixos, das baterias e dos grandes palcos.
É o papai levando o filho para um festival de Rock.
É a mamãe compartilhando com a filha aquela música que marcou sua juventude.
É a família inteira descobrindo uma nova banda.
É a criança apontando para o palco e dizendo, com a convicção própria de quem ainda não aprendeu a duvidar de seus sonhos:
— Papai, eu gosto dessa banda!
E pronto. Nasce mais uma paixão musical.
Para muitas crianças, músicos e bandas podem assumir o mesmo lugar simbólico ocupado pelos super-heróis: personagens que representam criatividade, coragem, imaginação, identidade e liberdade artística.
O guitarrista vira o herói da guitarra.
O baterista parece comandar uma máquina fantástica.
O vocalista transforma palavras em histórias.
O baixista parece abrir os portais da gravidade dos sons!
E a banda inteira se transforma em uma espécie de esquadrão musical capaz de transportar a imaginação infantil para outros mundos.
UM PARQUE DE DIVERSÕES CHAMADO ROCK
Imagine um grande evento de Rock e Metal pensado para toda a família.
No palco, guitarras,baixos e baterias.
Ao redor, brinquedos, parques temáticos, espaços recreativos, oficinas de música, desenhos, fantasias, doces, jogos e atividades culturais.
Em algum lugar, uma criança brinca de ser guitarrista.
Outra bate nas almofadas como se estivesse diante de uma bateria.
Outra desenha sua banda preferida.
Enquanto isso, os papais conversam, reencontram amigos e apresentam aos filhos músicas que fizeram parte de suas próprias histórias.
É nesse encontro entre gerações que o Rock pode revelar uma de suas características mais bonitas: sua capacidade de criar memória.
Porque um show não precisa terminar quando as luzes do palco se apagam.
Ele pode continuar na conversa dentro do carro.
Na camiseta guardada como lembrança.
Na fotografia tirada diante do palco.
No brinquedo comprado durante o evento.
Na criança que chega em casa e pergunta:
— Quando vai ter outro show?
ROCK, METAL E INFÂNCIA COLORIDA
O imaginário do Rock e do Metal também pode ganhar novas cores quando encontra o universo infantil.
Em vez de um ambiente marcado por diferenças, podemos imaginar uma grande celebração cultural onde crianças e adultos compartilham música, brincadeiras e criatividade.
Um espaço onde cada família possa escolher sua banda preferida.
Onde diferentes estilos musicais possam dividir o mesmo cenário.
Onde o respeito seja mais importante do que a aparência.
Onde ninguém seja julgado pela cor da pele, pela condição social ou por suas características individuais.
Onde crianças aprendam, desde cedo, que diferenças fazem parte da riqueza humana.
E onde o Rock and Roll seja justamente uma das linguagens utilizadas para celebrar a convivência.
Essa é uma imagem poderosa: guitarras elétricas tocando enquanto crianças de diferentes origens brincam juntas.
Um festival com música, brinquedos, doces, árvores, áreas verdes e atividades educativas.
Um ambiente cultural preocupado com sustentabilidade, preservação ambiental e respeito à natureza.
Um lugar onde diversão e responsabilidade possam caminhar lado a lado.
UMA GUITARRA CONTRA O PRECONCEITO
Talvez seja essa uma das maiores forças simbólicas da música.
Uma guitarra não pergunta de onde você veio.
Uma bateria não pergunta quanto dinheiro você tem.
Uma canção não precisa saber sua origem para emocionar.
O Rock pode ser ouvido por pessoas diferentes, em lugares diferentes, com histórias diferentes.
E justamente por isso pode funcionar como uma ponte entre gerações.
Pais podem ensinar seus filhos a ouvir.
Filhos podem apresentar novas bandas aos pais.
Avós podem recordar artistas de outras décadas.
E TODOS podem descobrir que existe muito mais em comum quando a conversa começa pela música.
Não se trata de imaginar que uma canção possa resolver todos os problemas do mundo. Trata-se de reconhecer que experiências culturais positivas podem ensinar valores importantes, como convivência, tolerância, respeito, solidariedade e cuidado com o espaço que compartilhamos.
UM FUTURO COM MAIS MÚSICA E MENOS BARREIRAS
No imaginário de um Dia dos Pais perfeito, não faltariam parques, brinquedos, doces e música.
Mas também não faltariam árvores.
Água limpa.
Animais protegidos.
Espaços públicos bem cuidados.
Alimentação para todas as famílias.
Educação.
Cultura.
Arte.
E, principalmente, crianças podendo crescer em ambientes seguros, acolhedores e livres de preconceitos.
Um mundo sem fome e sem guerras pode parecer uma utopia distante, mas toda grande transformação começa quando alguém consegue imaginar uma realidade diferente.
E talvez o Rock and Roll tenha justamente essa vocação: imaginar.
Imaginar novos caminhos.
Criar novas histórias.
Questionar velhos padrões.
Construir pontes.
Transformar diferenças em possibilidades de encontro.
Por isso, neste Dia dos Pais, vale imaginar o papai rocker segurando a mão do filho diante de um palco.
Ao fundo, uma guitarra começa a tocar.
A bateria entra.
O baixo acompanha.
As crianças correm para brincar.
Alguém distribui doces.
Os brinquedos fazem parte da festa.
As famílias sorriem.
As luzes coloridas iluminam o espaço.
E, por alguns instantes, aquele pequeno universo parece exatamente como deveria ser: alegre, criativo, sustentável, acolhedor e cheio de música.
PAPAI, QUAL É A SUA BANDA FAVORITA?
Talvez essa seja uma das perguntas mais interessantes que um filho possa fazer.
E talvez a resposta seja apenas o começo de uma história.
Porque o verdadeiro presente do Dia dos Pais não precisa estar dentro de uma caixa.
Pode estar em uma música.
Em um ingresso.
Em uma fotografia.
Em uma viagem para assistir a um show.
Em uma camiseta de banda.
Ou simplesmente em algumas horas compartilhadas entre PAI e FILHO.
No fim das contas, o maior espetáculo pode não estar no palco.
Pode estar no olhar da criança descobrindo sua primeira grande paixão musical enquanto segura a mão de quem a acompanha.
E quando a guitarra soar, que ela venha acompanhada de respeito, amizade, diversidade, sustentabilidade, imaginação e muita alegria.
Porque há momentos em que o Rock and Roll deixa de ser apenas música.
Vira memória.
Vira família.
Vira infância.
Vira história.
E, no melhor espírito do DIA DOS PAIS, vira aquela lembrança que continuará tocando muito depois que o último acorde terminar.
PANORAMA CULTURAL POR JOHANN PEER — música, cultura, memória e os muitos caminhos do Rock and Roll.
Johann Peer é jornalista (MTB/SP nº 68.158), filiado ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (nº 23.681), jurado da 20ª edição do Concurso Autorais SMPENG 2026, além de vocalista, compositor, poeta, escritor e ativista cultural da banda PEER & INUMANOS.
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