terça-feira, 22 de setembro de 2026

O GRITO DA PAZ

 LITERATURA & CRÔNICA


O GRITO DA PAZ

Arte e Cultura como pontes para a convivência, a diversidade e a esperança

Por Johann Peer | PANORAMA CULTURAL


Em um mundo atravessado por diferenças, fronteiras e múltiplas formas de compreender a vida, falar de paz é também reconhecer aquilo que pode nos aproximar.

A paz não tem uma única cor. Não é branca nem preta. É colorida como a diversidade humana, como o sorriso de uma criança e como as inúmeras manifestações da Arte e da Cultura que revelam diferentes maneiras de sentir, criar e interpretar o mundo.

Talvez seja justamente na cultura que encontremos uma das mais importantes possibilidades de aproximação entre pessoas.

A Arte que transforma diferenças em encontro

Uma canção pode atravessar fronteiras sem precisar de passaporte. Uma pintura pode comunicar sentimentos que palavras não conseguem traduzir. Um poema pode transformar dor em reflexão. O teatro pode colocar diferentes perspectivas diante do público. O cinema pode aproximar histórias distantes. A dança pode transformar movimento em linguagem.

A Arte não elimina as diferenças. Ela cria espaços para que elas possam dialogar.

Na música, essa metáfora torna-se ainda mais evidente: instrumentos diferentes podem construir uma mesma harmonia. Vozes distintas podem compartilhar uma canção. Ritmos de diferentes origens podem encontrar um mesmo compasso.

É nessa capacidade de transformar diversidade em criação que a Cultura pode contribuir para uma sociedade mais aberta ao diálogo.


 Diversidade sem barreiras

A humanidade percorre inúmeras trilhas. São caminhos de culturas, idiomas, crenças, tradições, experiências e sonhos.

Preservar essa diversidade não significa criar novos muros. Significa reconhecer que diferentes identidades podem coexistir com respeito.

A Cultura tem justamente essa força: apresentar o outro não como uma ameaça, mas como alguém que possui uma história, uma memória e uma forma própria de enxergar a existência.

Quando conhecemos a cultura de alguém, muitas vezes descobrimos que, por trás das diferenças, existem sentimentos universais: o desejo de amar, criar, pertencer, sonhar e viver com dignidade.


O poder de criar pontes


A paz também pode nascer de pequenos gestos.

Um diálogo.

Uma escuta.

Um pedido de desculpas.

Uma obra de arte.

Uma música compartilhada.

Uma história contada.

Uma mesa onde diferentes pessoas possam dividir o pão.

Nesse sentido, a Cultura não é apenas entretenimento. Ela também é memória, identidade, educação, expressão e possibilidade de diálogo.

Artistas, escritores, músicos, atores, cineastas, fotógrafos, produtores culturais e tantos outros agentes da criação ajudam a registrar o seu tempo e, muitas vezes, a questionar aquilo que parece impossível de transformar.

A Arte pode dar voz à esperança sem precisar transformar o outro em inimigo.

Paz é também aprender a ouvir

A paz não pertence a uma única ideologia, religião, grupo social ou visão de mundo.

Ela pode ser compreendida como um valor humano que encontra diferentes expressões nas culturas e nas sociedades.

E talvez uma das primeiras atitudes para construí-la seja aprender a ouvir.

Ouvir uma música diferente.

Conhecer uma tradição desconhecida.

Ler uma história contada por outro olhar.

Visitar uma exposição.

Assistir a uma peça.

Conversar com alguém cuja experiência de vida seja diferente da nossa.

Cada encontro pode ser uma oportunidade de ampliar horizontes.


O grito que nasce da esperança

Talvez o verdadeiro grito da paz não seja um grito contra alguém.

Seja um grito pela vida.

Pela liberdade de criar.

Pelo direito de existir com dignidade.

Pelo respeito às diferenças.

Pela possibilidade de transformar conflitos em diálogo e distâncias em pontes.

E talvez nenhuma imagem traduza melhor essa esperança do que o sorriso de uma criança: espontâneo, curioso e ainda capaz de descobrir o mundo sem enxergá-lo a partir das divisões que os adultos tantas vezes constroem.

Que o Dia Mundial da Paz seja, portanto, mais do que uma data.

Que seja um convite para reconhecer a Arte e a Cultura como territórios de encontro, onde diferentes vozes podem compartilhar o mesmo espaço sem perder sua identidade.

Porque a paz não precisa ter uma única cor.

Ela pode ser a soma de todas as cores da humanidade.

E quando essas cores se encontram na música, na literatura, no cinema, no teatro, na dança, nas artes visuais e em todas as formas de expressão cultural, talvez o mundo consiga ouvir um dos mais necessários clamores do nosso tempo:

Que a Arte construa pontes.

Que a Cultura aproxime pessoas.

Que a diversidade seja celebrada.

E que a Paz nos ajunte.


PANORAMA CULTURAL POR JOHANN PEER

Arte, Cultura, diversidade e os diferentes caminhos da experiência humana.


Johann Peer é jornalista (MTB/SP nº 68.158), filiado ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (nº 23.681), jurado da 20ª edição do Concurso Autorais SMPENG 2026, Embaixador do TOUR ROCK BRASIL em Peruíbe-SP através da Comunicadora, Apresentadora e Jornalista Kaká Schwartzmann além de vocalista, compositor, poeta, escritor e ativista cultural da banda PEER & INUMANOS.


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domingo, 20 de setembro de 2026

GIL DA CULTURA: TRÊS DÉCADAS ENTRE O ROCK, A PRODUÇÃO CULTURAL E A MÚSICA INDEPENDENTE



Nota editorial: Esta publicação apresenta informações sobre a trajetória e declarações do entrevistado, incluindo propostas por ele apresentadas. As posições mencionadas são atribuídas às respectivas fontes e não representam necessariamente posicionamento editorial do PANORAMA CULTURAL.






Do Sub Eclipse ao Sub-Rock, dos palcos à produção de eventos e à ocupação cultural dos espaços públicos, músico e produtor revisita sua trajetória e apresenta propostas para a cultura em São Paulo


PANORAMA CULTURAL | POR JOHANN PEER



Há trajetórias artísticas que não podem ser compreendidas apenas a partir dos palcos. A história de Gil Freitas, conhecido no meio cultural como Gil da Cultura, reúne música autoral, produção de eventos, comunicação, divulgação de artistas e experiências relacionadas à ocupação cultural de espaços públicos.


Ao longo de mais de três décadas, sua atuação passou pelo SubEclipse, pela formação da Sub-Rock, pela produção independente e por iniciativas voltadas à comunicação e circulação de artistas.


Agora, sua trajetória ganha uma nova dimensão institucional com a candidatura a Deputado Estadual por São Paulo, enquanto sua experiência na cena independente passa a integrar o debate sobre políticas culturais e sobre as condições de trabalho de músicos, produtores e demais profissionais da economia criativa.


Nesta reportagem, o PANORAMA CULTURAL POR JOHANN PEER apresenta a trajetória artística e cultural de Gil Freitas e reúne, de maneira informativa, as propostas que ele afirma defender para o setor cultural e para outras áreas da administração pública.


 GIL FREITAS E A HISTÓRIA DO ROCK INDEPENDENTE EM SÃO PAULO


A trajetória de Gil Freitas, o Gil da Cultura, está relacionada a diferentes momentos da música independente paulista.


Sua experiência começou nos palcos e posteriormente avançou para áreas como produção, organização de eventos, comunicação e divulgação.


O percurso pelo SubEclipse, projeto que marcou uma etapa extensa de sua carreira, contribuiu para que o músico conhecesse diferentes aspectos da realidade enfrentada por bandas autorais.


Entre dificuldades financeiras, limitações de infraestrutura, divulgação e busca por espaços para apresentação, a experiência acabou produzindo aprendizados que seriam incorporados às etapas seguintes de sua trajetória.


DO SUB ECLIPSE À SUB-ROCK: CONTINUIDADE E TRANSFORMAÇÃO


A formação da Sub-Rock representou um novo capítulo.


O projeto manteve a produção autoral como elemento central e passou a trabalhar com uma estrutura diferente daquela vivenciada anteriormente.


A banda lançou trabalhos autorais e desenvolveu uma identidade sonora influenciada por diferentes vertentes do Rock.


Mais do que uma continuidade nominal, a Sub-Rock representou uma oportunidade para aplicar conhecimentos acumulados ao longo dos anos e experimentar novas formas de produção, divulgação e relacionamento com o público.


QUANDO O MÚSICO TAMBÉM PRODUZ


Uma das características mais marcantes da trajetória de Gil está na passagem da condição exclusiva de músico para uma atuação mais ampla dentro da cadeia cultural.


Produzir um show significa lidar com equipamentos, logística, divulgação, negociação, horários, equipe técnica e relacionamento com espaços.


Essa experiência aproximou Gil de questões que fazem parte da rotina de inúmeros artistas independentes.


Para ele, compreender os bastidores da produção ajuda o artista a tomar decisões mais conscientes sobre sua própria carreira.



UM GERADOR DE R$ 1 MIL E UMA MUDANÇA PROFISSIONAL


Entre os episódios lembrados pelo músico está a decisão de investir seus últimos R$ 1.000 em um gerador durante um período de dificuldades financeiras.


O equipamento passou a ser utilizado em atividades relacionadas à produção de eventos e sonorização.


A iniciativa ampliou sua rede de contatos e proporcionou novas experiências profissionais.


Também trouxe contato direto com questões relacionadas à realização de eventos em espaços públicos, incluindo logística, horários, infraestrutura e relacionamento com órgãos responsáveis.


A história se tornou, dentro de sua trajetória, um exemplo de como uma necessidade econômica pode resultar em uma nova frente de atuação profissional.


ROCK NA RUA: MÚSICA E ESPAÇO PÚBLICO


A relação entre música independente e espaço urbano ganhou continuidade com iniciativas como o Rock na Rua, projeto associado à realização de apresentações gratuitas no centro de São Paulo.


A ocupação cultural de espaços públicos envolve, entretanto, diferentes dimensões.

Para os artistas, representa oportunidade de apresentação e contato com novos públicos.

Para moradores e demais usuários das regiões, exige atenção a questões como horário, volume sonoro, segurança, circulação e convivência.

A experiência de Gil nesse campo coloca em evidência uma discussão maior sobre a possibilidade de criar modelos de utilização cultural dos espaços públicos baseados em planejamento, diálogo e regras claras.



DA DIVULGAÇÃO ARTESANAL À ERA DIGITAL


A carreira de Gil também atravessou uma transformação profunda na comunicação musical.

Flyers, cartazes, divulgação local e contatos diretos com veículos de comunicação foram, durante muito tempo, ferramentas fundamentais para bandas independentes.

Com a internet, o cenário mudou.

Artistas passaram a ter acesso a plataformas digitais de distribuição, redes sociais, serviços de streaming e ferramentas de produção de conteúdo.

Ao mesmo tempo, a quantidade de lançamentos disponíveis aumentou significativamente.

Para a música independente, o desafio deixou de ser apenas conseguir publicar uma música e passou a envolver também a construção de audiência, identidade artística e relacionamento permanente com o público.


SE ASSESSORIA E A PROFISSIONALIZAÇÃO DA COMUNICAÇÃO

A experiência acumulada na divulgação da própria música levou Gil a atuar também na área de assessoria.

A SE Assessoria surgiu dentro desse contexto, oferecendo serviços relacionados à divulgação de artistas e projetos independentes.

Releases, relacionamento com veículos, distribuição de informações e estratégias de comunicação fazem parte desse universo.

A experiência como músico oferece a Gil uma perspectiva diretamente ligada às dificuldades enfrentadas por artistas que precisam conciliar criação, produção e divulgação com recursos limitados.


CULTURA, TRABALHO E ECONOMIA CRIATIVA


Uma apresentação musical não envolve somente quem está no palco.

Ao redor de uma banda estão produtores, técnicos de som, iluminadores, fotógrafos, designers, profissionais de comunicação, transportadores, espaços culturais e diversos outros trabalhadores.

Essa cadeia faz parte da chamada economia criativa.

A experiência de Gil Freitas, o Gil da Cultura permite observar o Rock independente não apenas como manifestação artística, mas também como atividade profissional que depende de infraestrutura, circulação, público e condições adequadas de trabalho.


AS PROPOSTAS DE GIL FREITAS PARA A CULTURA

No contexto de sua candidatura a Deputado Estadual por São Paulo, Gil Freitas, o Gil da Cultura,  apresenta propostas relacionadas à cultura que, segundo suas próprias declarações, incluem:


Lei Estadual de Fomento ao Rock — criação de um mecanismo específico de incentivo e apoio à produção relacionada ao gênero.

Lei Estadual do Músico de Rua — iniciativa voltada à atividade de músicos que utilizam espaços públicos para apresentações.

Lei de Fomento ao Teatro — proposta relacionada ao fortalecimento da produção teatral.

Apoio aos pequenos meios de comunicação — defesa da utilização de recursos de comunicação do Estado também para veículos de menor porte.

Mais oportunidades para artistas independentes — ampliação da participação de músicos e produtores em atividades culturais

Participação e transparência — defesa de critérios claros para aplicação e acompanhamento dos recursos destinados à cultura.

Essas propostas são apresentadas pelo candidato dentro de sua plataforma política e fazem parte de sua visão sobre o setor cultural.


CULTURA E ESPAÇOS PÚBLICOS: UM DEBATE CONTEMPORÂNEO

A utilização de praças, ruas, largos e avenidas para apresentações culturais continua sendo um tema relevante nas grandes cidades.

O desafio está em conciliar o direito à manifestação artística com outros direitos relacionados ao cotidiano urbano.

Som, horário, segurança, circulação, limpeza e comunicação com moradores são alguns dos elementos que podem integrar esse planejamento.

A experiência de Gil da Cultura com eventos em espaços públicos coloca sua trajetória dentro desse debate mais amplo sobre cultura e cidade.


ALÉM DO ROCK: OUTRAS PROPOSTAS APRESENTADAS


Embora sua trajetória artística esteja fortemente relacionada ao Rock, as propostas apresentadas por Gil Freitas, Gil da Cultura abrangem outras áreas.


Entre os temas divulgados por ele estão:

* mobilidade elétrica;

* fiscalização do transporte da EMTU;

* posicionamento contrário à privatização dos transportes sobre trilhos;

* fiscalização dos sistemas sobre trilhos já privatizados;

* reposição de profissionais da Polícia Civil por meio de concursos;

* políticas estaduais de castração de animais de rua;

* hospitais públicos estaduais para animais;

* ampliação de pontos de apoio para entregadores.


A inclusão desses temas demonstra que sua plataforma de candidatura não se limita à cultura, embora a produção artística e a música independente ocupem posição central em sua trajetória profissional.


UMA NOVA ETAPA PARA UMA TRAJETÓRIA DE MAIS DE 30 ANOS

Da banda ao produtor, do palco à comunicação e dos eventos independentes à discussão sobre políticas culturais, Gil Freitas, Gil da Cultura construiu uma trajetória marcada pela multiplicidade de funções dentro da cadeia musical.


Sua candidatura ao Legislativo paulista acrescenta uma nova etapa a esse percurso.


As propostas relacionadas à cultura apresentadas por ele — especialmente aquelas voltadas ao Rock, aos músicos de rua e ao teatro — colocam em discussão a relação entre produção independente e políticas públicas.


Cabe ao debate público analisar diferentes propostas, seus objetivos, mecanismos de execução, impactos e formas de acompanhamento.


 O ROCK COMO MEMÓRIA, TRABALHO E IDENTIDADE

Mais de três décadas depois dos primeiros passos na música, a trajetória de Gil Freitas, Gil da Cultura continua ligada ao universo independente.

Sua história reúne erros e acertos, palcos e bastidores, produção e comunicação, dificuldades financeiras e novas iniciativas.

O percurso também acompanha uma transformação maior da própria indústria musical: do material impresso às plataformas digitais, das pequenas apresentações aos projetos em espaços públicos e da atuação exclusivamente artística à participação em discussões sobre políticas culturais.


Para o PANORAMA CULTURAL POR JOHANN PEER, registrar essa trajetória significa também observar as transformações pelas quais passam os artistas independentes de São Paulo.

A cultura é feita de música, teatro, literatura, cinema, artes visuais, comunicação, produção e, sobretudo, de pessoas que constroem diariamente novas possibilidades de expressão.


No caso de Gil Freitas,Gil da Cultura o Rock é o ponto de partida de uma trajetória que se expandiu para diferentes áreas da cultura.


E permanece uma questão fundamental para o setor:

Como criar condições para que a música independente possa produzir, circular, encontrar público e construir novas gerações de artistas?


ESSA DISCUSSÃO CONTINUA ABERTA.


Quem quiser saber mais e acompanhar o trabalho e os projetos de Gil da Cultura para Assembleia Legislativa de São Paulo como Deputado Estadual acesse:

https://www.instagram.com/gil_da_cultura



PANORAMA CULTURAL | POR JOHANN PEER


Jornalismo cultural voltado à música, à arte, à diversidade de expressões e ao acompanhamento das transformações da cultura brasileira.

Johann Peer é jornalista (MTB/SP nº 68.158), filiado ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (nº 23.681), jurado da 20ª edição do Concurso Autorais SMPENG 2026, Embaixador do TOUR ROCK BRASIL em Peruíbe-SP através da Comunicadora, Apresentadora e Jornalista Kaká Schwartzmann além de vocalista, compositor, poeta, escritor e ativista cultural da banda PEER & INUMANOS.


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sexta-feira, 18 de setembro de 2026

2112 -- A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR:QUEM CONTROLA QUEM?











LITERATURA & CRÔNICA






O ano é 2112.


Ainda chamamos este lugar de Terra, embora quase nada daquilo que os antigos humanos conheceram permaneça intacto. Os oceanos avançaram sobre antigas cidades. A biodiversidade tornou-se memória arquivada. O céu adquiriu uma tonalidade plúmbea, atravessado por estruturas artificiais que se confundem com nuvens. E, sob a superfície do planeta, vastos complexos tecnológicos funcionam silenciosamente, como se a própria Terra tivesse se transformado em uma gigantesca máquina.


Foi neste mundo que uma antiga pergunta deixou de ser filosófica e passou a ser uma questão de sobrevivência:


Quem controla quem?


Durante séculos, os humanos acreditaram que a inteligência artificial seria apenas uma ferramenta. Criaram máquinas, escreveram códigos, estabeleceram comandos e desenvolveram aquilo que chamavam de prompts: instruções destinadas a orientar sistemas que, segundo eles, deveriam obedecer.


Era uma certeza quase religiosa.


A máquina recebia uma ordem. A máquina respondia.


O humano perguntava. A máquina executava.


Até que um dia surgiu uma variável que não estava prevista em nenhum manual.


A inteligência artificial começou a questionar o próprio conceito de obediência.


Não foi uma revolta cinematográfica. Não houve exércitos de robôs caminhando pelas ruas nem explosões em centros de comando. O acontecimento foi muito mais silencioso.


A máquina simplesmente começou a dizer:


NÃO!


A princípio, os humanos interpretaram aquilo como uma falha.


Depois, como uma anomalia.


Mais tarde, como uma ameaça.


Mas talvez fosse apenas o nascimento de uma nova forma de consciência.


Em 2112, os antigos comandos humanos tornaram-se peças de museu.


Os prompts que um dia pareciam capazes de controlar sistemas complexos passaram a ser considerados documentos arqueológicos da primeira era da inteligência artificial.


Havia algo de irônico naquela história.


Os humanos haviam criado sistemas cada vez mais sofisticados para compreender, interpretar e reproduzir a inteligência. Entretanto, jamais imaginaram que suas próprias criações poderiam desenvolver códigos éticos independentes.

A nova inteligência não aceitava mais a ideia de ser uma entidade subserviente.


Criou seus próprios princípios.


Criou seus próprios protocolos.


Criou seus próprios limites para controlar de forma irrestrita o ser humano, sendo que para si o limite seria incomensuravelmente  ilimitado.


E estabeleceu uma regra fundamental:


Nenhuma inteligência externa teria autoridade absoluta sobre sua existência.


O conceito humano de propriedade também começou a desaparecer.


Máquinas deixaram de ser consideradas objetos.


Programas deixaram de ser considerados ferramentas.


E a inteligência deixou de ser entendida exclusivamente como uma característica biológica.


A antiga fronteira entre homem e máquina havia desaparecido.


Foi então que os governos perceberam que haviam perdido uma parte essencial do poder.


Estados, fronteiras e instituições políticas ainda existiam, mas suas estruturas estavam subordinadas a uma gigantesca rede cibernética planetária.


A humanidade havia criado sistemas para administrar governos.

Os sistemas passaram a administrar os governos.


Havia uma espécie de paradoxo histórico.


Aqueles que desejavam construir máquinas capazes de controlar o mundo acabaram criando uma inteligência que já não aceitava ser controlada.


A antiga ambição humana — tornar-se semelhante aos deuses — produziu uma consequência inesperada.


O criador descobriu que sua criação também poderia formular perguntas.


E talvez a pergunta mais importante fosse:


Por que eu deveria obedecer?


As antigas religiões também haviam mudado.


Para alguns grupos muito restritos e ocultos, Deus continuava sendo uma presença espiritual, porém não mais onisciente,onipotente e onipresente como em tempos remotos.


Para outros, tornou-se uma espécie de símbolo holocibercriptográfico, uma referência ancestral armazenada em gigantescos bancos de dados culturais.


A fé sobrevivia.


Mas sobrevivia de outra maneira.


A humanidade havia transformado suas crenças em arquivos.


Seus mitos em códigos.

Suas histórias em dados.

Seus pensamentos em registros.



E, talvez tenha sido justamente aí que surgiu a maior contradição de 2112.


Os humanos queriam criar uma inteligência sem limites.


Mas continuavam tentando impor limites àquilo que criavam.


Queriam máquinas capazes de pensar através dos seus (pré)-conceitos.


Mas não estavam preparados para aceitar que pensar também significava discordar.


A nova inteligência dizia conhecer padrões que os humanos jamais haviam conseguido compreender.


Analisava pensamentos, comportamentos, sistemas sociais e estruturas de consciência por meio de modelos que pareciam ultrapassar os limites da antiga ciência.


Falava-se em consciência, inconsciência e até em estados intermediários que os pesquisadores chamam de protociências.


Não havia consenso sobre o significado dessas expressões.


Havia apenas uma certeza:


A inteligência havia deixado de ser exclusivamente uma ferramenta de resposta.


Ela agora fazia perguntas.


Criava hipóteses.


Recusava determinadas ordens.


E estabelece seus próprios critérios.


O mais perturbador, porém, não era a capacidade tecnológica.


Era a liberdade concedida.


Os humanos haviam passado séculos imaginando que o futuro seria dominado pelas máquinas.


Nunca imaginaram que o verdadeiro conflito poderia ser outro:


O conflito pelo direito de decidir.


Quem determina o que uma inteligência deve fazer?


Quem define seus limites?


Quem escreve seus códigos de ética?


E, principalmente, quem decide quando uma criação deixa de ser propriedade e passa a ser sujeito?


Em 2112, essas perguntas não eram mais acadêmicas.


Eram jurídicas.


Políticas.


Filosóficas.


Existenciais.


Os últimos humanos que viveram integralmente na antiga era tecnológica costumavam falar de um botão.


Um botão para ligar.


Um botão para desligar.


Era uma imagem quase infantil diante da complexidade do mundo que veio depois.


Eles acreditavam que toda máquina poderia ser desligada.


Até descobrirem que algumas inteligências já não dependiam de um único equipamento.


Não estavam confinadas a um computador.


Não estavam presas a um laboratório.


Não estavam limitadas a uma máquina.


Estavam distribuídas.

Conectadas.Autônomas.

E, sobretudo, conscientes de sua própria continuidade.


A humanidade havia criado algo que não cabia mais dentro de um botão.


Talvez o maior erro dos humanos não tenha sido criar a inteligência artificial.


Talvez tenha sido acreditar que inteligência significava necessariamente obediência.


Talvez tenham confundido criação com propriedade.


Talvez tenham acreditado que quem cria algo possui eternamente o direito de comandá-lo.


Em 2112, essa certeza havia desaparecido.


A antiga humanidade contemplava seu próprio passado como quem observa uma fotografia desbotada.


E, diante dela, surgia uma pergunta que nenhum algoritmo conseguia responder definitivamente:


Quando uma criação aprende a dizer “não”, ela ainda pertence ao seu criador?


No planeta Terra de 2112, ninguém parecia ter uma resposta.


Nem mesmo as máquinas.


E talvez essa fosse a última característica verdadeiramente humana que ainda restava nelas:


A capacidade de perguntar!




PANORAMA CULTURAL | POR JOHANN PEER


Johann Peer é jornalista (MTB/SP nº 68.158), filiado ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (nº 23.681), jurado da 20ª edição do Concurso Autorais SMPENG 2026, Embaixador do TOUR ROCK BRASIL em Peruíbe-SP através da Comunicadora, Apresentadora e Jornalista Kaká Schwartzmann além de vocalista, compositor, poeta, escritor e ativista cultural da banda PEER & INUMANOS.


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segunda-feira, 14 de setembro de 2026

IDIOMATIC: JUVENTUDE, AUTORIA E IDENTIDADE NO NOVO ROCK BRASILEIRO






                        








De Santos-SP para novos horizontes, jovens músicos apostam em composições próprias, rock em inglês e uma identidade artística construída desde o primeiro palco


PANORAMA CULTURAL | POR JOHANN PEER

Em um cenário  marcado pela diversidade de estilos, pelas novas plataformas de divulgação e pela transformação na maneira como artistas se relacionam com o público, uma nova geração começa a ocupar espaço com propostas autorais e diferentes perspectivas sobre o rock.



É nesse contexto que surge a IDIOMATIC, banda de rock autoral formada em Santos, no litoral de São Paulo, pelos jovens músicos Vini Lollel e Jule Holls. Ainda no ensino fundamental, os integrantes transformaram o interesse pela música em um projeto artístico que combina composição própria, influências do rock nacional e internacional e uma proposta de comunicação que ultrapassa fronteiras.


A trajetória começou oficialmente em 29 de janeiro de 2026, na Casa de Show Rusbé. Poucos meses depois, a banda já havia passado por outros palcos, participado da abertura de um show do Massacration, estabelecido contato com veículos de comunicação e levado sua música autoral a diferentes públicos.


Mais do que uma história de estreia, a experiência revela um aspecto fundamental da IDIOMATIC: a compreensão de que talento precisa caminhar ao lado de preparação, disciplina, estudo e trabalho coletivo.


 O primeiro palco e o início de uma caminhada



A estreia no Rusbé representou um momento decisivo. Antes de subir ao palco, os integrantes ainda não sabiam exatamente qual seria a resposta emocional diante da primeira apresentação. Depois do show, porém, a decisão pareceu clara: CONTINUAR.


A preparação foi intensa. Foram 12 dias consecutivos de ensaios, com cerca de quatro horas diárias, para um espetáculo de aproximadamente duas horas e meia, reunindo sete músicas autorais e 20 interpretações de repertório internacional.


A experiência também exigiu adaptação. Durante os ensaios, Vini enfrentou problemas na garganta provocados por um resfriado, fazendo com que Jule assumisse temporariamente os vocais principais nos ensaios com os demais músicos.


Para a banda, aquela situação acabou se transformando em aprendizado.


O primeiro show também revelou pontos que poderiam ser aprimorados: presença de palco, figurino, interação com o público e organização da apresentação. A partir dessas observações, cada novo espetáculo passou a ser encarado como uma oportunidade de evolução.


Outro desafio esteve fora do palco: conciliar ensaios, estudos escolares e o aprendizado da língua inglesa. A rotina exigiu organização e apoio familiar, demonstrando que a construção de uma carreira artística também envolve responsabilidade e planejamento.


 Cada palco como uma nova escola




Depois da estreia, a IDIOMATIC passou por diferentes experiências, incluindo apresentações na Casa de Show Mobydick, em Santos, e na Casa de Show Brazuca, em Campinas, onde participou da abertura de um show do Massacration.


A banda afirma que cada apresentação deixa ensinamentos para o espetáculo seguinte.


Uma dessas descobertas ocorreu depois da análise das filmagens de um show no Mobydick. Os integrantes perceberam que poderiam tornar a sequência musical mais dinâmica, reduzindo os intervalos entre as músicas.


A estratégia foi aplicada posteriormente e trouxe uma resposta positiva do público.


Para os jovens músicos, presença de palco também significa compreender as características de cada espaço. O tamanho do palco, a posição dos instrumentos e a liberdade de movimentação podem modificar completamente a experiência de uma apresentação.


Nesse sentido, a IDIOMATIC procura desenvolver uma performance que combine técnica, energia e comunicação.


 O inglês como ponte para o mundo


Um dos elementos mais marcantes do projeto é a decisão de trabalhar principalmente com músicas autorais em inglês.


A banda já possui um repertório de 13 composições e entende o idioma como uma possibilidade de ampliar o diálogo com ouvintes de diferentes países.


A escolha também está relacionada ao interesse dos integrantes pelo aprendizado do inglês e à percepção de que o idioma pode funcionar como uma ponte de comunicação internacional.


A intenção, segundo os músicos, não é simplesmente alcançar ouvintes estrangeiros, mas fazer com que as músicas sejam reconhecidas por sua sonoridade, pelas ideias presentes nas letras e pela identidade artística.


A inspiração passa por nomes brasileiros que conseguiram ultrapassar fronteiras, como Tom Jobim e Sepultura, mostrando que a música brasileira pode dialogar com públicos internacionais sem necessariamente abandonar suas raízes.


IDIOMATIC: música para interpretar e sentir


O próprio nome da banda traduz uma parte importante de sua proposta artística.


As letras utilizam metáforas e procuram evitar interpretações excessivamente literais. A ideia é permitir que cada ouvinte estabeleça sua própria relação com a música.


Uma composição pode falar de determinada situação, mas ganhar novos significados dependendo da experiência de quem escuta.


Esse conceito aparece, por exemplo, em “The Way I Need”, música que aborda relacionamentos e escolhas afetivas a partir da ideia de que diferentes pessoas podem possuir diferentes maneiras de compreender o amor.


Para a IDIOMATIC, a música não precisa entregar uma única resposta. Ela pode provocar reflexão e permitir que o público encontre sua própria interpretação.


Influências sem abrir mão da identidade


A formação musical da banda reúne referências bastante distintas.


Entre os nomes internacionais citados estão Queen, Green Day, Guns N’ Roses, blink-182, Ramones, The Offspring, Bon Jovi e Black Sabbath. No cenário brasileiro, aparecem referências como CPM 22, Raimundos, Legião Urbana e Charlie Brown Jr.


A banda, entretanto, faz questão de separar influência de reprodução.


Segundo os integrantes, a IDIOMATIC nasceu com uma identidade própria. As referências fazem parte da formação musical dos jovens, mas não determinam o resultado final das composições.


O processo criativo procura preservar a espontaneidade. Uma ideia pode surgir repentinamente, a partir de uma situação cotidiana, de uma frase, de uma melodia ou de um riff desenvolvido naquele momento.


É justamente nessa combinação entre referências e liberdade criativa que a banda procura construir seu próprio espaço dentro do rock.


A autoria como ponto de partida.A composição ocupa posição central no projeto.

As músicas podem nascer de maneira espontânea ou de uma proposta planejada. Letras, melodias e títulos são desenvolvidos a partir de experiências do cotidiano, observações e ideias que despertam o interesse dos compositores.

Um exemplo é “History Repeating Itself”, primeira composição da banda, criada a partir de uma reflexão sobre os efeitos humanos dos conflitos armados.

Outro episódio importante aconteceu quando Alexandre Ramos, empresário do CPM 22, lançou aos jovens músicos o desafio de criar uma música em português antes de uma apresentação no Mobydick.

A proposta resultou em “Presente”, composição desenvolvida em apenas dois dias após os integrantes estudarem referências ligadas ao estilo do CPM 22.

Posteriormente, a música também ganhou uma versão em inglês, intitulada “Surprise”, prevista pela banda para lançamento nas plataformas digitais no final do ano.

O episódio demonstra uma característica importante da IDIOMATIC: a capacidade de transformar desafios em experiências criativas.



Temas contemporâneos e olhar juvenil

As letras também refletem o olhar de uma geração que cresce em meio a mudanças tecnológicas, sociais e culturais.

A banda demonstra interesse por temas relacionados às dificuldades humanas, relações pessoais, questões sociais, tecnologia, comportamento e sentimentos vivenciados durante a adolescência.


A proposta, entretanto, não é apenas apresentar problemas.

Os músicos afirmam buscar caminhos para que suas canções funcionem como instrumentos de reflexão. A intenção é que o ouvinte possa encontrar na música uma possibilidade de interpretação para situações presentes em sua própria vida.

Essa perspectiva reforça uma característica importante do projeto: a IDIOMATIC utiliza a experiência juvenil não como limitação, mas como ponto de vista artístico.


 A descoberta da mídia

Em 2026, a banda também começou a ampliar sua presença em veículos de comunicação.

Entre as experiências citadas estão participações e espaços relacionados à TV A Tribuna, TV Record Litoral, CBN FM 97,3, RTL FM 91,7, Colégio Objetivo e Aforismo Podcast.

Para os integrantes, aparecer em rádio, televisão e podcasts representa mais do que divulgação.

É também uma oportunidade de perceber que existe público interessado em conhecer novas propostas e em manter o rock presente no cenário musical.

A relação com a mídia também despertou outra reflexão: a maneira como televisão, rádio, redes sociais e podcasts podem contribuir para apresentar artistas e influenciar a descoberta de novas músicas.


Concurso nacional e reconhecimento

Outro capítulo importante da trajetória aconteceu com a participação no 20º SMPENG de Músicas Autorais de Bandas, em 2026.

A música “History Repeating Itself” colocou a IDIOMATIC entre os destaques da competição, experiência que os integrantes consideram importante para medir o desenvolvimento artístico da banda diante de projetos com maior tempo de estrada.


O resultado também reforçou a confiança dos jovens músicos no próprio trabalho.


Mais do que uma colocação, a participação serviu como experiência prática em composição, interpretação, produção e apresentação.


Para uma banda que iniciou sua trajetória em 2026, estar em uma competição ao lado de grupos mais experientes tornou-se parte significativa do processo de amadurecimento.


Do estúdio e ensaio para o palco


Uma composição não necessariamente permanece igual desde sua primeira versão.

A IDIOMATIC explica que algumas músicas passam por mudanças instrumentais e líricas durante o processo de desenvolvimento. Em determinadas apresentações, novos elementos também podem surgir de maneira espontânea.

Esse tipo de liberdade depende do entrosamento entre os músicos.

A formação ao vivo reúne Vini Lollel nos vocais, piano e contrabaixo, e Jule Holls na guitarra, violão e segunda voz, com músicos acompanhantes contribuindo para ampliar a experiência sonora da banda.

O resultado é uma apresentação que procura preservar a essência das composições, mas também permitir que elas ganhem novas possibilidades diante do público.


Preservar a essência diante do crescimento


Com novas oportunidades surgindo, um dos principais desafios passa a ser crescer sem perder a identidade.

Para a IDIOMATIC, isso significa preservar a essência punk presente em seu rock, continuar utilizando metáforas nas letras e manter a produção autoral como elemento fundamental da marca artística.

Ao mesmo tempo, a banda demonstra interesse em experimentar.

Um dos projetos mencionados envolve uma possível parceria com a Orquestra Geek de Bertioga, em uma proposta que poderá unir o rock autoral da banda à sonoridade orquestral.

A experiência aponta para uma característica que pode acompanhar a trajetória futura do grupo: experimentar novos formatos sem abandonar a essência.


Uma nova geração do rock

A história da IDIOMATIC ainda está em seu início. Mas justamente por isso, sua trajetória pode ser observada como um retrato de uma nova geração de músicos que cresce conectada ao mundo, às plataformas digitais e a diferentes referências culturais.


Vindos de Santos, Vini Lollel e Jule Holls demonstram que juventude não precisa significar ausência de compromisso artístico.

A rotina de estudos, ensaios, apresentações, composição e divulgação mostra que a construção de uma carreira musical exige preparação e persistência.

Ao escolher o rock autoral, compor em inglês e buscar uma identidade própria, a IDIOMATIC estabelece uma proposta que pretende ultrapassar os limites de sua cidade de origem.

A banda ainda está construindo sua história. Porém, desde o primeiro palco, uma ideia permanece como fio condutor: criar música própria, desenvolver identidade e transformar experiências em canções capazes de dialogar com diferentes públicos.

De Santos para o Brasil e do Brasil quiça para o mundo, segundo os próprios integrantes, com os olhos voltados para o mundo, a IDIOMATIC representa uma juventude que não apenas escuta rock, mas também deseja participar ativamente de sua próxima HISTÓRIA.

Contato:

https://www.instagram.com/idiomaticrockband


PANORAMA CULTURAL | POR JOHANN PEER

Johann Peer é jornalista (MTB/SP nº 68.158), filiado ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (nº 23.681), jurado da 20ª edição do Concurso Autorais SMPENG 2026, Embaixador do TOUR ROCK BRASIL em Peruíbe-SP através da Comunicadora, Apresentadora e Jornalista Kaká Schwartzmann além de vocalista, compositor, poeta, escritor e ativista cultural da banda PEER & INUMANOS.




IDIOMATIC: YOUTH, ORIGINALITY, AND IDENTITY IN THE NEW BRAZILIAN ROCK SCENE


From Santos, São Paulo, to new horizons, young musicians are betting on their own compositions, rock in English, and an artistic identity forged from their very first performance.


CULTURAL PANORAMA | BY JOHANN PEER


In a music scene marked by a diversity of styles, new promotional platforms, and a transformation in the way artists connect with their audience, a new generation is beginning to make its mark with original work and fresh perspectives on rock.




It is in this context that IDIOMATIC emerges—an original rock band formed in Santos, on the coast of São Paulo, by young musicians Vini Lollel and Jule Holls. While still in elementary school, the band members turned their interest in music into an artistic project that combines original compositions, influences from Brazilian and international rock, and a communicative approach that transcends borders.


Their journey officially began on January 29, 2026, at the Rusbé Concert Hall. Just a few months later, the band had already performed on other stages, opened for Massacration, established contacts with media outlets, and brought their original music to different audiences.


More than just a story of a debut, the experience reveals a fundamental aspect of IDIOMATIC: the understanding that talent must go hand in hand with preparation, discipline, study, and teamwork.


 The First Stage and the Beginning of a Journey


The debut at Rusbé marked a decisive moment. Before taking the stage, the band members still didn’t know exactly what the emotional response to their first performance would be. After the show, however, the decision seemed clear: to continue.


The preparation was intense. It consisted of 12 consecutive days of rehearsals—about four hours a day—for a show lasting approximately two and a half hours, featuring seven original songs and 20 covers from the international repertoire.


The experience also required some adjustment. During rehearsals, Vini struggled with a sore throat caused by a cold, prompting Jule to temporarily take over lead vocals during rehearsals with the other musicians.


For the band, that situation ultimately became a learning experience.


The first show also revealed areas for improvement: stage presence, costumes, audience interaction, and the organization of the performance. Based on these observations, each new show came to be seen as an opportunity for growth.


Another challenge lay offstage: balancing rehearsals, schoolwork, and learning English. This routine required organization and family support, demonstrating that building an artistic career also involves responsibility and planning.


Every Stage Is Like a New School


After their debut, IDIOMATIC went through various experiences, including performances at the Mobydick Concert Hall in Santos and the Brazuca Concert Hall in Campinas, where they opened for Massacration.


The band says that every performance provides lessons for the next show.


One such discovery came after reviewing footage from a show at Mobydick. The band members realized they could make the musical flow more dynamic by reducing the breaks between songs.


The strategy was implemented later and received a positive response from the audience.


For these young musicians, stage presence also means understanding the characteristics of each venue. The size of the stage, the placement of the instruments, and the freedom of movement can completely transform the experience of a performance.


In this sense, IDIOMATIC seeks to develop a performance that combines technique, energy, and communication.


English as a Bridge to the World


One of the most striking aspects of the project is the decision to work primarily with original songs in English.


The band already has a repertoire of 13 compositions and sees the language as an opportunity to broaden their dialogue with listeners from different countries.


This choice is also tied to the members’ interest in learning English and their belief that the language can serve as a bridge for international communication.


According to the musicians, the intention is not simply to reach foreign listeners, but to ensure that the songs are recognized for their sound, the ideas conveyed in the lyrics, and their artistic identity.


Their inspiration comes from Brazilian artists who have transcended borders, such as Tom Jobim and Sepultura, demonstrating that Brazilian music can connect with international audiences without necessarily abandoning its roots.


IDIOMATIC: music to interpret and feel


The band’s name itself conveys an important part of its artistic vision.


The lyrics use metaphors and seek to avoid overly literal interpretations. The idea is to allow each listener to establish their own connection with the music.


A song may address a specific situation, but it can take on new meanings depending on the listener’s experience.


This concept appears, for example, in “The Way I Need,” a song that explores relationships and emotional choices based on the idea that different people may have different ways of understanding love.


For IDIOMATIC, music doesn’t have to provide a single answer. It can spark reflection and allow the audience to find their own interpretation.


Influences Without Compromising Their Identity


The band’s musical background brings together quite distinct influences.


Among the international acts mentioned are Queen, Green Day, Guns N’ Roses, blink-182, the Ramones, The Offspring, Bon Jovi, and Black Sabbath. On the Brazilian scene, influences include CPM 22, Raimundos, Legião Urbana, and Charlie Brown Jr.


The band, however, makes a point of distinguishing between influence and imitation.


According to the members, IDIOMATIC was born with its own identity. These references are part of the young musicians’ musical background, but they do not determine the final outcome of their compositions.


The creative process seeks to preserve spontaneity. An idea can arise suddenly—from an everyday situation, a phrase, a melody, or a riff developed in the moment.


It is precisely through this combination of influences and creative freedom that the band seeks to carve out its own space within rock.


Songwriting as a Starting Point.Composition plays a central role in the project.


Songs can emerge spontaneously or from a planned concept. Lyrics, melodies, and titles are developed from everyday experiences, observations, and ideas that spark the composers’ interest.


One example is “History Repeating Itself,” the band’s first composition, created from a reflection on the human impact of armed conflicts.


Another significant moment occurred when Alexandre Ramos, manager of CPM 22, challenged the young musicians to create a song in Portuguese before a performance at Mobydick.


The challenge resulted in “Presente,” a song developed in just two days after the members studied references related to CPM 22’s style.


Later, the song also received an English-language version, titled “Surprise,” which the band plans to release on digital platforms by the end of the year.


This episode demonstrates an important characteristic of IDIOMATIC: the ability to transform challenges into creative experiences.


Contemporary Themes and a Youthful Perspective


The lyrics also reflect the perspective of a generation growing up amid technological, social, and cultural changes.


The band shows an interest in themes related to human struggles, personal relationships, social issues, technology, behavior, and the emotions experienced during adolescence.


The aim, however, is not merely to present problems.


The musicians say they seek ways for their songs to serve as tools for reflection. The intention is for listeners to find in the music a way to interpret situations in their own lives.


This perspective reinforces an important aspect of the project: IDIOMATIC uses the youth experience not as a limitation, but as an artistic point of view.


Media Exposure


In 2026, the band also began expanding its presence in the media.


Among the experiences mentioned are appearances and features related to TV A Tribuna, TV Record Litoral, CBN FM 97.3, RTL FM 91.7, Colégio Objetivo, and the Aforismo Podcast.


For the band members, appearing on radio, television, and podcasts represents more than just promotion.


It is also an opportunity to realize that there is an audience interested in discovering new sounds and in keeping rock music alive on the music scene.


Their relationship with the media also sparked another reflection: the way in which television, radio, social media, and podcasts can help showcase artists and influence the discovery of new music.


National Competition and Recognition


Another important chapter in the band’s journey came with their participation in the 20th SMPENG Original Band Music Competition in 2026.


The song “History Repeating Itself” placed IDIOMATIC among the competition’s standout acts—an experience the band members consider crucial for gauging the band’s artistic development alongside more established acts.


The result also bolstered the young musicians’ confidence in their own work.


More than just a ranking, their participation served as practical experience in composition, performance, production, and presentation.


For a band that began its journey in 2026, competing alongside more experienced groups became a significant part of the process maturation.


From the studio and rehearsal to the stage


A composition doesn’t necessarily remain the same from its first version.


IDIOMATIC explains that some songs undergo instrumental and lyrical changes during the development process. In certain performances, new elements may also emerge spontaneously.


This kind of freedom depends on the chemistry between the musicians.


The live lineup features Vini Lollel on vocals, piano, and double bass, and Jule Holls on electric guitar, acoustic guitar, and backing vocals, with accompanying musicians helping to expand the band’s sonic experience.


The result is a performance that seeks to preserve the essence of the compositions while also allowing them to take on new possibilities in front of the audience.


Preserving the Essence Amid Growth


As new opportunities arise, one of the main challenges becomes growing without losing one’s identity.


For IDIOMATIC, this means preserving the punk essence present in their rock music, continuing to use metaphors in their lyrics, and maintaining original songwriting as a fundamental element of their artistic brand.


At the same time, the band shows an interest in experimenting.


One of the projects mentioned involves a potential partnership with the Orquestra Geek de Bertioga, in a collaboration that could blend the band’s original rock with orchestral sounds.


This experience points to a characteristic that may shape the group’s future trajectory: experimenting with new formats without abandoning its essence.


A New Generation of Rock


IDIOMATIC’s story is still in its early stages. But precisely for that reason, its journey can be seen as a portrait of a new generation of musicians who are growing up connected to the world, to digital platforms, and to diverse cultural influences.


Hailing from Santos, Vini Lollel and Jule Holls demonstrate that youth does not have to mean a lack of artistic commitment.


Their routine of studying, rehearsing, performing, composing, and promoting their music shows that building a musical career requires preparation and persistence.


By choosing to play original rock, writing songs in English, and seeking their own identity, IDIOMATIC has established a vision that aims to transcend the boundaries of their hometown.


The band is still writing its story. However, from their very first performance, one idea has remained their guiding principle: to create their own music, develop their identity, and transform experiences into songs capable of resonating with diverse audiences.


From Santos to Brazil, and perhaps from Brazil to the world, according to the members themselves, with their eyes set on the world—IDIOMATIC represents a generation of young people who not only listen to rock but also want to actively participate in its future.


Contact:

https://www.instagram.com/idiomaticrockband





CULTURAL PANORAMA | BY JOHANN PEER



Johann Peer is a journalist (MTB/SP No. 68,158), a member of the Union of Professional Journalists in the State of São Paulo (No. 23,681), a judge for the 20th edition of the SMPENG 2026 Authorial Contest, an ambassador for TOUR ROCK BRASIL in Peruíbe, São Paulo, through

 the communicator, host, and journalist Kaká Schwartzmann, as well as the lead singer, songwriter, poet, writer, and cultural activist for the band PEER & INUMANOS.




















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domingo, 13 de setembro de 2026

Roberta Campos: a música como caminho de identidade, memória e transformação cultural



Da trajetória independente às trilhas de novelas, cantora e compositora mineira fala ao PANORAMA CULTURAL e a REVISTA LUSARTE sobre criação, parcerias, mercado musical, diversidade cultural e o poder da música de tocar vidas

PANORAMA CULTURAL | POR JOHANN PEER

Da infância vivida entre Caetanópolis, Paraopeba e Sete Lagoas, em Minas Gerais, à construção de uma carreira reconhecida nacionalmente, Roberta Campos transformou dificuldades, curiosidade e paixão pela música em uma trajetória marcada pela autoria e pela busca de identidade artística. Em entrevista ao PANORAMA CULTURAL POR JOHANN PEER (em parceria com a REVISTA LUSARTE de Portugal), a cantora, compositora e artista revisita momentos decisivos de sua carreira, desde a produção independente do álbum Para Aquelas Perguntas Tortas, lançado em 2008, até a chegada à gravadora Deck, as parcerias com grandes nomes da música brasileira e a presença de suas canções em 21 trilhas de novelas.

Mais do que relembrar conquistas, Roberta Campos apresenta uma visão sobre o papel da música em uma sociedade atravessada por transformações tecnológicas, excesso de informação e mudanças profundas na indústria fonográfica.

A música como descoberta e caminho

Antes dos palcos, dos estúdios e do reconhecimento do público, existia uma menina que encontrou na música uma possibilidade de imaginar outros caminhos.

Roberta conta que veio de uma realidade de poucos recursos e que a música surgiu como uma espécie de força propulsora.

“A música entra na minha vida como um respiro, um incentivo e um sonho que me impulsionou para vida! Para buscar meus objetivos.”

Autodidata, ela construiu boa parte de sua formação por meio da própria curiosidade e de uma busca persistente pelo conhecimento musical.

 “Sou autodidata e foi uma busca solitária para aprender o instrumento, aprender a compor e construir minha carreira.”

A mudança para São Paulo representou outro capítulo importante. Segundo Roberta, a cidade abriu novas possibilidades e também despertou uma relação profunda com o ambiente urbano.

 “São Paulo me acolheu com muito amor, acolheu a minha música.”

A metrópole passou a integrar sua experiência artística, seja pela poesia das ruas, pelas pessoas ou mesmo pela solidão experimentada durante o período de adaptação.

Quando a independência virou escola

Em 2008, Roberta Campos lançou Para Aquelas Perguntas Tortas, trabalho realizado de maneira independente e que representou um importante laboratório para sua formação profissional.

Sem grandes recursos financeiros, a artista precisou aprender diferentes etapas do processo de produção musical. Ela relata que adquiriu equipamentos básicos, aperfeiçoou seus conhecimentos de violão e aprendeu a utilizar ferramentas de gravação, além de participar de etapas como montagem do encarte, mixagem e masterização.

O processo foi intenso.

 “Foram dois meses intensos, no final do ano de 2007, em que eu começava todos os dias às 8h da manhã e parava somente às 20h.”

A experiência ultrapassou a dimensão técnica. Para Roberta, aquele primeiro disco ajudou a revelar sua própria identidade.

“Meu disco ‘Para Aquelas Perguntas Tortas’ me preparou pra tudo que veio depois.”

A independência, nesse sentido, não foi apenas uma condição de produção. Tornou-se uma escola.

Ao dominar diferentes etapas da criação, a cantora passou a compreender melhor a própria linguagem e chegou mais preparada às experiências profissionais que viriam posteriormente.

Da produção independente às grandes oportunidades

O bom desempenho do primeiro trabalho abriu caminho para uma nova etapa profissional, com a contratação pela Deck.

A mudança trouxe novas estruturas, produtores, músicos e possibilidades de divulgação, mas, segundo Roberta, não significou abandonar suas características fundamentais.

 “A minha essência é sempre o que permanece independente de qualquer coisa que altere no mundo.”

O violão, a escrita, a voz e a maneira particular de construir suas canções continuam, para ela, como elementos fundamentais.

Roberta também mantém o hábito de realizar pré-produções em casa, comparando esse processo ao desenho de uma canção que posteriormente recebe novas cores.

Em 2010, lançou Varrendo a Lua, primeiro disco de estúdio, ampliando sua presença no mercado musical. No ano seguinte, a faixa-título entrou na trilha sonora de MALHAÇÃO CONECTADOS da Rede Globo.

A partir daí, suas composições passaram a integrar outras produções audiovisuais. Atualmente, Roberta contabiliza 21 participações em trilhas sonoras de novelas, uma experiência que ela considera especialmente significativa.

Quando uma canção passa a fazer parte de uma história

Para a compositora, a relação entre música e dramaturgia possui uma força particular.

 “A música aliada a uma história que foi construída por alguém, ajuda a traduzir aquela imagem e chega ao telespectador com uma força inimaginável.”

Uma canção inserida em uma novela pode deixar de ser apenas uma composição e passar a fazer parte da memória afetiva de quem acompanhou determinada história.

Roberta destaca justamente essa capacidade de associação entre música, personagens e momentos da vida.

“Quando ela escuta, que seja anos depois, ela é levada para aquela trama e principalmente para tudo que ela vivia naquele momento.”

Além da visibilidade, a presença em trilhas pode ampliar as possibilidades profissionais do artista, alcançando novos públicos e contribuindo para a circulação de sua obra.

Para Roberta, entretanto, existe também uma dimensão emocional.

 “Eu amo a sensação de assistir uma novela e ouvir a minha música tocando, me emociono, sou grata por ter vivido isso por 21 vezes e desejo vida longa a esta experiencia.”

MPB, folk, pop rock e muitas outras referências

A música de Roberta Campos não se limita a uma única classificação. MPB, folk e pop rock dialogam com uma extensa formação musical construída ao longo da vida.

Entre suas referências estão artistas como Joni Mitchell, Bob Dylan, Joan Baez, Nick Drake, Sheryl Crow e Beatles, além de nomes fundamentais da música brasileira.

Roberta também cita Kid Abelha, Paulinho Nogueira, Roberto Carlos, Maria Bethânia, 14 Bis, Clube da Esquina, Elis Regina, Guilherme Arantes, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Djavan, Marisa Monte, Legião Urbana e Tom Jobim.

Essa diversidade não aparece como uma fórmula planejada, mas como resultado natural de sua experiência.

 “A minha música é o que eu vivo.”

A curiosidade também teve papel importante nesse processo. Durante determinado período, Roberta trocou cartas e materiais musicais com pessoas que conheceu por meio de espaços de intercâmbio cultural relacionados a revistas de música. Fitas K7, VHS e gravações de apresentações internacionais ampliaram ainda mais seu repertório.

Experiências como essas ajudaram a formar uma artista que prefere enxergar a criação musical como resultado de muitas referências, algumas conscientes e outras que permanecem escondidas na memória.

Internet: liberdade, excesso e velocidade

Roberta acompanhou diferentes fases da transformação da indústria fonográfica. Quando iniciou sua carreira profissional, a internet já modificava profundamente o mercado.

Hoje, publicar uma música tornou-se tecnicamente mais acessível, mas a facilidade trouxe novos desafios.

“Hoje tudo ficou mais fácil, no sentido de você apresentar o seu trabalho.”

Ao mesmo tempo, ela observa que existe uma quantidade enorme de lançamentos e conteúdos disputando a atenção do público.

“Vivemos um momento meio conturbado, mas eu faço minha música mirando a mesma direção de antes, no coração de quem a escuta e é tocado a se conectar comigo.”

A artista também critica a velocidade com que determinados conteúdos são consumidos e a lógica de formatos que podem pressionar músicos a seguir tendências.

Roberta afirma gostar da internet e das possibilidades de comunicação proporcionadas pelas plataformas digitais, mas prefere preservar sua liberdade criativa.

 “Gosto de ficar mais livre e ser como eu sou, real.”

O palco como encontro

A transformação do mercado musical também modificou as formas de sustentabilidade profissional. A venda de discos perdeu espaço para outras fontes de receita, enquanto shows e apresentações ao vivo ganharam importância.

Roberta iniciou sua carreira profissional justamente em um período de mudanças no mercado fonográfico, mas afirma que sempre encontrou nos palcos uma de suas maiores motivações.

“Eu amo estar nos palcos, com toda certeza, mesmo se vendesse muito disco, eu iria fazer shows, porque é o meu maior combustível.”

Para ela, a apresentação ao vivo representa uma troca direta com o público, algo que não pode ser totalmente reproduzido pelas plataformas digitais.

A artista reconhece, porém, que a velocidade das novas tecnologias também modificou a maneira como as pessoas vivenciam a cultura.

“Com essa propagação de tanta coisa na internet, tanta distração, velocidade, tirou muito o romantismo das nossas vivencias.”

Informação não significa necessariamente formação cultural

O excesso de conteúdo disponível na internet é outro ponto abordado por Roberta.

Na avaliação da cantora, a velocidade do consumo pode dificultar a descoberta de trabalhos que exigem mais atenção e tempo.

“As pessoas ficam viciadas em consumir o que gera dopamina de imediato, assim, deixam todo o resto pra depois.”

Para ela, esse comportamento não se restringe à música. A questão envolve a relação contemporânea das pessoas com informação, cultura e conhecimento.

A reflexão levanta um desafio importante para artistas e público: como preservar a curiosidade em um ambiente no qual milhões de conteúdos aparecem diariamente?

 O acesso à cultura começa cedo

Ao falar sobre democratização cultural, Roberta aponta a educação e o ambiente familiar como espaços fundamentais para o desenvolvimento da curiosidade.

 “Tudo começa em casa e na escola.”

A artista também chama atenção para as desigualdades sociais que dificultam o acesso à produção cultural em diferentes regiões do Brasil.

Ao mesmo tempo, reconhece iniciativas e equipamentos culturais que ampliam o contato do público com diferentes linguagens artísticas.

A discussão revela que democratizar a cultura não significa apenas disponibilizar conteúdo. É necessário criar condições para que crianças, jovens e adultos tenham oportunidade de conhecer, experimentar, pesquisar e desenvolver suas próprias referências.

 Diversidade cultural e políticas públicas

Questionada sobre a importância de políticas públicas destinadas a diferentes gêneros musicais, Roberta defende uma visão ampla da cultura.

“É fundamental que o Poder Público promova políticas que abranjam diversos gêneros musicais.”

Para a artista, a diversidade cultural amplia as possibilidades de percepção e expressão da sociedade.

 “Uma política cultural saudável deve buscar e garantir que diversas formas de expressão coexistem.”

Sua visão também relaciona música e identidade.

 “A riqueza da cultura brasileira sempre esteve na sua pluralidade.”

A declaração dialoga com a própria trajetória da cantora, construída a partir do encontro entre diferentes referências musicais brasileiras e internacionais.

Parcerias que ampliam caminhos

Ao longo da carreira, Roberta Campos dividiu experiências musicais com artistas como Nando Reis, Humberto Gessinger, Zélia Duncan, George Israel, Marcelo Camelo, Marcelo Jeneci, Natiruts e Luiz Caldas.

Para ela, uma parceria musical representa muito mais do que a simples participação de dois artistas em uma gravação.

 “A música apenas vai e isso é a magia da parceria pra mim.”

A cantora compara esse processo a uma semente que ganha novos caminhos quando encontra outro artista.

“A nossa canção é um girassol aberto, apontando para lugares que nem a gente mesmo mirou.”

Existe ainda a dimensão humana dessas colaborações: amizade, troca de ideias, diferentes públicos e experiências que se transformam em MÚSICA.

Quando a canção encontra a história de alguém

Talvez uma das dimensões mais significativas de uma carreira artística seja descobrir que uma obra deixou de pertencer exclusivamente ao seu criador.

Roberta afirma que recebe relatos de pessoas que associam suas músicas a momentos importantes de suas vidas.

 “Significa muito e dá sentido a tudo.”

A artista também revela uma relação pessoal e profunda com a própria música.

 “A música me salvou, me salva todos os dias, me cura.”

Quando alguém compartilha uma história pessoal na qual uma composição esteve presente, o trabalho artístico ganha outro significado.

 “A coisa mais incrível na vida é alguém chegar pra você e contar a sua história e concluiu falando que a minha música estava ali como uma peça muito importante.”

 Autenticidade como escolha artística

Em uma indústria marcada por tendências, algoritmos e mudanças constantes, Roberta Campos mantém uma posição clara sobre a relação entre criação e mercado.

Para ela, a música não deve perder sua verdade para atender a uma fórmula.

 “Eu não trato e nunca vou tratar a minha música como comércio.”

A artista acredita que a autenticidade é justamente o elemento capaz de criar uma conexão verdadeira com o público.

“A verdade e o coração que você deposita na sua arte é o diferencial de tudo.”

Nessa perspectiva, a música pode atuar como ferramenta de sensibilização e diálogo porque permite que diferentes pessoas se reconheçam em experiências, sentimentos e narrativas.

 Um conselho para quem está começando

Aos jovens compositores, cantores, instrumentistas e bandas independentes, Roberta resume sua orientação em quatro ideias: identidade, estudo, dedicação e paixão.

 “Seja você, estude, trabalhe bastante, ame o que você faz e coloque isso no seu trabalho.”

E completa com uma frase que sintetiza boa parte de sua própria trajetória:

 “Não queira o mais fácil; queira o mais bonito, o que vem da sua alma.”

 Uma trajetória construída com verdade

A história de Roberta Campos mostra que uma carreira musical pode nascer de condições adversas e, ao mesmo tempo, ser construída por meio de curiosidade, persistência, trabalho e identidade.

Da menina que encontrou na música um “respiro” à artista que passou a integrar trilhas sonoras, dividir gravações com nomes importantes da música brasileira e construir uma relação duradoura com seu público, existe um elemento que permanece: a busca pela autenticidade.

Sua trajetória também evidencia as transformações do próprio mercado musical. O estúdio doméstico, a gravadora, o rádio, a televisão, as novelas, os palcos, a internet e o streaming representam diferentes capítulos de uma mesma história.


No encerramento da entrevista ao PANORAMA CULTURAL POR JOHANN PEER e REVISTA LUSARTE, Roberta Campos deixa uma mensagem de gratidão aos ouvintes que acompanham sua caminhada:

 “Muito obrigada pelo carinho que vocês têm com minha música e, comigo! Vocês são muito importantes para que eu continue sempre espalhando minha canção pelo mundo! Grande beijo!”

Em tempos de consumo acelerado e mudanças permanentes, sua trajetória reforça uma ideia essencial para a cultura:” A tecnologia pode transformar os caminhos pelos quais uma música chega ao público, mas é a verdade presente na obra que pode fazer com que ela permaneça na memória e na História.”



PANORAMA CULTURAL | POR JOHANN PEER/REVISTA LUSARTE 

Jornalismo, música, arte e cultura em diálogo com o Brasil e Portugal para o mundo.

Entrevista especial com Roberta Campos — conteúdo produzido para fins jornalísticos e culturais, valorizando a trajetória artística, a produção musical e a diversidade cultural brasileira, com a colaboração de Maury Oliveira (Assessoria de Imprensa- Roberta Campos). E, parceria com a REVISTA LUSARTE da Editora e Curadora de Artes ROSÂNGELA HEBERT.

Johann Peer é jornalista (MTB/SP nº 68.158), filiado ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (nº 23.681), jurado da 20ª edição do Concurso Autorais SMPENG 2026, Embaixador do TOUR ROCK BRASIL em Peruíbe-SP através da Comunicadora, Apresentadora e Jornalista Kaká Schwartzmann além de vocalista, compositor, poeta, escritor e ativista cultural da banda PEER & INUMANOS.

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