domingo, 6 de setembro de 2026

Neskau Magnarello: do underground do Metal ao reggae, uma trajetória marcada por música, resistência e reinvenção

Da experiência precoce no Metal às conquistas internacionais com o Sensimilla Dub, músico prepara novos capítulos com a banda 333 e projetos que aproximam reggae, dub, punk e música pesada


A história de Neskau Magnarello atravessa diferentes períodos e linguagens da música independente brasileira. Vocalista, músico, compositor e profissional de bastidores, ele construiu uma trajetória que começou ainda na adolescência, passou pelo underground do Metal, ganhou projeção nacional e internacional com o Sensimilla Dub Reggae e, agora, encontra um novo capítulo com o retorno às raízes da música pesada por meio da banda 333.
Mais do que uma trajetória marcada por gêneros musicais distintos, a carreira de Neskau revela uma constante: a disposição para experimentar, conectar públicos e transformar experiências pessoais e profissionais em criação artística.

Dos Beatles ao Black Sabbath: o nascimento de uma vocação

O primeiro contato de Neskau com a música aconteceu muito cedo, influenciado pelo ambiente musical de sua família.
Segundo o músico, The Beatles, Elvis Presley e posteriormente The Monkees. fizeram parte de suas primeiras referências. A percepção de que a música poderia se tornar uma escolha de vida, entretanto, ganhou força quando ele descobriu o Black Sabbath.

“Foi o Black Sabbath com o álbum Vol. 4 que passei a prestar atenção em música.”

A experiência definitiva veio em 1983, quando assistiu a um show do KISS, em São Paulo.
“Depois do meu primeiro show, KISS em 1983 aqui em São Paulo, tive certeza que eu queria ser músico.”
Um ano depois, aos 10 anos, começou a tocar em sua primeira banda, inicialmente como guitarrista.
A partir dali, a música deixou de ser apenas uma paixão e passou a ocupar espaço central em sua vida.

A descoberta do underground brasileiro

No início dos anos 1980, o cenário musical brasileiro apresentava inúmeras dificuldades para jovens interessados em música pesada. Neskau, entretanto, encontrou no underground um ambiente que acabaria sendo decisivo para sua formação.
Ele recorda especialmente o contato com integrantes e músicos ligados a nomes fundamentais do Metal e do Hardcore brasileiro.

 “Tive a ‘sorte grande’ de ter sido apresentado ao underground e fui abençoado em ter tido como ‘professores’ a galera do Sepultura, Korzus, Ratos de Porão, Anthares, Disaster e outros.”

Essa convivência ajudou a formar não apenas o músico, mas também o profissional que posteriormente trabalharia em diferentes funções dentro da cadeia produtiva da música.
Entre suas referências estavam ainda Led Zeppelin, Black Sabbath, Beto Guedes, Tavito e Chico Buarque, além de artistas internacionais e nacionais que posteriormente ampliaram seu repertório.

Megaforce e a estreia nos vocais aos 14 anos


Um dos capítulos mais marcantes dessa trajetória começou com a Megaforce.
Antes de assumir os vocais, Neskau atuava como roadie da banda. Em 1988, recebeu o convite para integrar o grupo como vocalista.
O momento ganhou dimensão histórica em sua memória: sua estreia ocorreu no Teatro Mambembe, em São Paulo, na abertura de um show da Dorsal Atlântica, justamente no dia de seu aniversário de 14 anos.

“A experiência de ter subido no palco do histórico Teatro Mambembe abrindo o show de uma das maiores lendas do Metal nacional e bem no dia do meu aniversário de 14 anos está para sempre dentro da minha mente. Foi em 06/09/1988!”

A experiência precoce colocou o adolescente em contato direto com uma cena que ainda enfrentava forte preconceito social.
 “Nessa época éramos tratados como bandidos. Cabeludo headbanger era sinônimo de ‘marginal’.”
Além das dificuldades relacionadas ao preconceito, havia limitações técnicas e econômicas. Equipamentos de qualidade eram difíceis de encontrar no Brasil, obrigando músicos e equipes técnicas a desenvolver soluções criativas.

Para Neskau, essa realidade acabou se transformando em uma espécie de escola.

 “Foi um ótimo aprendizado, pois me ensinou a tirar ‘leite de pedra’ e foram fundamentais para que eu me tornasse também um bom roadie e diretor técnico de palco.”

A formação de uma identidade musical sem fronteiras

A identidade artística de Neskau nunca ficou restrita a um único gênero.

De um lado estavam o Metal e o Hardcore. De outro, o reggae, o dub, o punk e diferentes manifestações da música popular.

Entre suas referências aparecem nomes como Sepultura, Slayer, Metallica, Korzus, Exodus, Vio-Lence, Ratos de Porão, S.O.D. e Anthrax, ao lado de Bob Marley, Black Uhuru, Steel Pulse e Tribo de Jah.

Essa diversidade ajudou a construir uma concepção artística que se tornaria característica de seu trabalho.

“A música é universal e sem fronteiras ou barreiras.”

 Do Metal ao reggae: nasce o Sensimilla Dub

Depois da fase inicial no Metal, Neskau encontrou no reggae um novo território de criação.

Em 1993, após o período com a Megaforce, participou da formação do Kaya Inna Jungle, sua primeira experiência com reggae. O grupo chegou a produzir videoclipes e participar de programas de televisão, além de realizar apresentações em São Paulo.

Posteriormente, Neskau integrou o Manga Rosa, experiência que antecedeu a criação do Sensimilla Dub, em 2000.

Foi com o Sensimilla que sua carreira ganhou uma dimensão nacional e internacional ainda maior.

O músico atribui parte importante dessa trajetória ao trabalho realizado desde os primeiros anos da banda, à circulação por diferentes cenas e à disposição para dialogar com públicos distintos.

 “O Sensimilla Dub foi responsável pelo grande boom na minha carreira e me proporcionou momentos inesquecíveis e experiências incríveis.”

A banda realizou apresentações no Brasil, na América do Sul, na Europa e nos Estados Unidos, consolidando uma trajetória que ultrapassou fronteiras.

Segundo Neskau, uma nova passagem pela Europa está prevista para 2027.

Quando Black Sabbath, Deep Purple e Motorhead encontram o dub

Uma das características mais interessantes do Sensimilla Dub foi justamente a aproximação entre universos aparentemente distantes.

Durante os ensaios, a banda passou a experimentar diferentes estruturas e sonoridades. Um exemplo citado pelo músico é a utilização de um trecho relacionado ao Black Sabbath como ponte em “Zion”.

O repertório também incorporou versões de clássicos do rock e do Metal transformados em reggae, dub ou ska.

Essa proposta continua presente na trajetória atual do grupo.

Neskau revela que uma versão de “Child in Time”, do Deep Purple, foi transformada em uma leitura dub reggae e já vinha sendo apresentada ao vivo pelo Sensimilla Dub.

Para 2027, o músico também anuncia o Punk Reggae Party Fest, projeto que pretende aproximar artistas de reggae, ska e punk rock em eventos realizados em espaços públicos.

Da Tribo Estúdio e a importância dos bastidores

Outro capítulo importante da trajetória de Neskau está relacionado ao Da Tribo Estúdio e ao produtor Ciero, também conhecido por sua atuação com o Oitão.

O músico destaca a importância dessa parceria para a continuidade de seus projetos, especialmente em um período de grandes dificuldades para o setor cultural.

 “O Da Tribo é um estúdio lendário e o seu proprietário Ciero é um dos meus grandes irmãos e incentivadores de décadas.”

Entre os trabalhos realizados naquele ambiente está a gravação, em fita de rolo, da música inédita “Onde Fica o Mar?”, prevista para lançamento como single até o final de 2026.

A experiência demonstra como os espaços de produção musical podem funcionar não apenas como locais de gravação, mas também como pontos de encontro, formação e preservação da memória da música independente.

O retorno ao underground e a experiência com grandes nomes

A partir de 2022 e, especialmente, em 2023, Neskau retomou de maneira mais intensa sua atuação profissional nos bastidores do underground.

Ele atribui esse retorno ao convite do Oitão e de Fabrício Ravelli para atuar na direção técnica de palco.

A experiência incluiu trabalhos em festivais como Sem Fronteiras e nas primeiras edições do São Paulo Rock Fest.

Um dos momentos mais significativos aconteceu em 2024, quando trabalhou tecnicamente com o Suicidal Tendencies durante o Esquenta Rock Fun Fest.

 “Ter trabalhado no palco com o Suicidal Tendencies em 2024 foi a realização de um sonho praticamente impossível, mas que foi realizado.”

Ao longo dessa fase, também teve contato profissional com diferentes nomes do Metal nacional e internacional.

Entre as experiências lembradas estão trabalhos relacionados a artistas como Nuclear Assault, Testament, D.R.I., Napalm Death, Morbid Angel e Dennis Stratton, guitarrista da formação do primeiro álbum do Iron Maiden.

Para Neskau, os bastidores foram tão importantes quanto o palco.

 “Eu aprendi a ser GENTE fazendo música.”

 Megaforce, R.U.A. e Insane Hell: diferentes faces da música pesada

A experiência no Metal não terminou com a Megaforce.

Neskau também participou de projetos como Ferida Aberta, R.U.A. e Insane Hell, explorando diferentes possibilidades dentro da música pesada.

No R.U.A., a proposta caminhou para o crossover, reunindo influências de Hardcore, Punk e Thrash Metal.

Neskau considera essa linguagem parte importante de sua formação.

“Eu sou um dos professores do crossover aqui do Brasil, porque o Megaforce foi praticamente uma das primeiras bandas de crossover daqui junto com o Lobotomia.”

Já no Insane Hell, encontrou uma formação musical diferente daquela à qual estava acostumado. O vocal original tinha características mais próximas do Death/Black Metal, enquanto Neskau buscou desenvolver uma abordagem própria.

A experiência exigiu adaptações nas estruturas das músicas e um trabalho conjunto de direção artística.

Esse trânsito entre diferentes linguagens reforçou uma característica que acompanha sua carreira: a capacidade de utilizar referências distintas para construir novas possibilidades.

Mais de quatro décadas de música

Ao olhar para sua trajetória, Neskau identifica a experiência acumulada em mais de quatro décadas como um dos principais patrimônios de sua carreira.

A música, segundo ele, também desenvolveu habilidades que inicialmente não imaginava possuir, especialmente na composição e na escrita de letras.

 “Desenvolvi um dom que eu não sabia que tinha: o de compor músicas e escrever letras para qualquer gênero de música de verdade.”

Ele estudou guitarra e violão no hoje extinto Conservatório Musical Ipiranga, entre 1984 e 1987, e posteriormente aprofundou seus conhecimentos de canto e técnica vocal durante sua passagem pelo Sensimilla Dub.

Ainda assim, considera que grande parte de sua formação veio diretamente da experiência prática.

 “Foi com as bandas e através dos fãs das mesmas que eu ganhei segurança para continuar.”

 “Dois Por Um/Sensimilla” e a expansão internacional

No início dos anos 2000, o Sensimilla Dub alcançou outro momento importante com o lançamento de “Dois Por Um/Sensimilla”.

O trabalho representou o primeiro lançamento de Neskau por uma gravadora e contou com uma estrutura de produção que ampliou as possibilidades do grupo.

O convite surgiu após a repercussão de músicas apresentadas no programa Circuito Reggae, da Imprensa FM, e que também haviam aparecido em coletâneas relacionadas ao programa.

Segundo Neskau, o crescimento do Sensimilla ocorreu rapidamente.

 “O Sensimilla Dub foi formado em 2000 e em 2003 já éramos uma das grandes bandas de reggae nacionais por causa desse álbum.”

Ele destaca ainda a circulação internacional do trabalho e a permanência de suas músicas no repertório dos fãs.

Para celebrar essa história, a banda vem preparando novas versões e relançamentos de músicas marcantes em formato de singles.

 “Litoral Norte”: uma música que ganhou vida própria

Entre as composições mais importantes da carreira de Neskau está “Litoral Norte”.

A música foi escrita durante sua passagem pelo Manga Rosa, em uma madrugada na Praia de Maresias, inicialmente como uma homenagem aos amigos do litoral norte paulista.

O compositor não imaginava que a faixa alcançaria a dimensão que conquistou.

“Eu não tinha pretensão nenhuma e nem acreditava que essa música seria um sucesso, ainda mais do tamanho do sucesso que ela conseguiu e é até hoje.”

Curiosamente, Neskau inicialmente não queria incluir a composição na primeira demo do Sensimilla Dub.

Também hesitou em apresentá-la em um show realizado em Peruíbe, no litoral sul paulista.

A resposta do público, entretanto, mudou sua percepção.

“Qual não foi a minha surpresa em ver o público todo cantando ela.”

Com o passar do tempo, “Litoral Norte” passou a ser associada ao imaginário musical e cultural do litoral norte de São Paulo.

Agora, a música ganha uma nova leitura com “Litoral Norte ’26”, produção anunciada pelo artista e prevista para ser apresentada no programa Encontro das Tribos, da 105 FM, em 18 de setembro de 2026.

“Ondas” e a relação espontânea com o público

Outra música fundamental na história do Sensimilla Dub é “Ondas”.

Neskau conta que a composição surgiu de maneira despretensiosa, sem imaginar que se tornaria um dos primeiros sucessos da banda.

Com seu habitual bom humor, ele faz uma avaliação bastante crítica da própria letra.

 “Eu acho uma das piores letras que escrevi em toda a minha carreira, mas não sei como o pessoal se amarra nesse som.”

Apesar da autocrítica, “Ondas” conquistou o público e se transformou em um dos trabalhos mais lembrados pelos fãs.

A relação entre música e experiências pessoais também aparece em outras composições, como “Litoral Norte”, “Dropando a Onda” e a inédita “Onde Fica o Mar?”.

 Reconhecimento e a força dos fãs

Entre 2001 e 2009, o Sensimilla Dub recebeu diversos reconhecimentos dentro da cena reggae, incluindo categorias relacionadas a revelação, shows, álbum, performance ao vivo, vocal e guitarra.

A banda também recebeu indicações ao Prêmio Toddy de Música e chegou a participar de uma das edições da premiação.

Para Neskau, entretanto, existe um reconhecimento que supera troféus e indicações.

 “O maior prêmio é quando encontramos os fãs da banda e temos oportunidade de ouvir histórias de vida incríveis ligadas às nossas músicas e do mundo todo.”

Essa relação entre obra e público é uma das marcas mais fortes de sua trajetória.

 Pontes entre Brasil, Estados Unidos, Europa e América do Sul

A atuação internacional do Sensimilla Dub também esteve ligada à capacidade de Neskau estabelecer relações com artistas de diferentes países.

Ele cita como exemplos Groundation, SOJA, Zion Train e Bambu Station, grupos que passaram a fazer parte de sua rede de contatos e de sua história profissional.

Neskau atribui parte dessa estratégia à experiência que acompanhou de perto durante os primeiros anos do Sepultura.

 “Toda a visibilidade, respeito e sucesso internacional do Sensimilla Dub foram graças ao Sepultura.”

Segundo ele, a estratégia consistiu em estabelecer conexões com artistas e cenas internacionais antes mesmo de a internet facilitar esse tipo de comunicação.

Essa rede ajudou a ampliar a circulação da música brasileira e também a aproximar o público nacional de artistas estrangeiros.

O resultado incluiu o lançamento de um trabalho em formato split entre Sensimilla Dub e Bambu Station, das Ilhas Virgens, experiência que Neskau considera histórica para o reggae brasileiro.

Música sem fronteiras

A filosofia do Sensimilla Dub sempre esteve associada à ideia de diálogo entre públicos.

Neskau afirma que a intenção era conquistar ouvintes de diferentes estilos e mostrar que a música poderia ultrapassar fronteiras estéticas.

 “Nosso objetivo sempre foi conquistar fãs de outros estilos de música.”

O resultado aparece na diversidade do público da banda, que inclui apreciadores de reggae, headbangers, punks, rappers e outros segmentos.

As versões de clássicos do Rock e do Metal em linguagens como dub, reggae e ska contribuíram para essa aproximação.

Ativismo cultural e responsabilidade social

A atuação de Neskau também ultrapassa o trabalho artístico.

Sua relação com a cultura punk e com movimentos de contestação começou ainda nos anos 1980 e se transformou ao longo das décadas.

Hoje, ele afirma buscar uma maneira mais responsável de transmitir ideias e experiências.

 “Atualmente, entrevistas como essa, Johann Peer, me possibilitam passar essa ideologia de forma branda e correta.”

No campo social, Neskau também demonstra interesse pela discussão sobre políticas públicas, educação e informação relacionada à cannabis medicinal.

Nesse contexto, ele ressalta a importância de diferenciar informação, pesquisa, acompanhamento profissional e ativismo de qualquer incentivo ao uso de substâncias.

Sua abordagem atual, segundo relata, está concentrada na disseminação de informação responsável e na redução do preconceito em torno do tema.

O futuro: Sensimilla Dub, Punk Reggae Party Fest e a banda 333

Depois de mais de 40 anos de carreira, Neskau Magnarello vive uma fase de intensa atividade.

O Sensimilla Dub prepara novos singles, incluindo releituras e regravações de músicas que fazem parte de sua história. “Litoral Norte ’26” e “Onde Fica o Mar?” estão entre os trabalhos associados a essa nova etapa.

A banda também projeta o retorno à Europa em 2027 e prepara novos projetos que aproximam reggae, ska, punk e outras vertentes.

Ao mesmo tempo, o músico retoma de maneira contundente sua ligação com o Metal por meio da 333, novo projeto que representa mais um capítulo de sua relação com a música pesada.

Depois de ter vivido a história da Megaforce e participado de projetos como Insane Hell e R.U.A., o retorno ao Metal surge não como uma ruptura com o passado, mas como consequência natural de uma carreira construída sobre diversidade.

Uma trajetória que continua em movimento

A história de Neskau Magnarello é marcada por diferentes palcos, estúdios, festivais, bandas e gerações.

Da adolescência no underground paulistano à circulação internacional com o Sensimilla Dub, passando pela atuação como roadie, diretor técnico, compositor e vocalista, sua trajetória revela como a música independente pode construir caminhos profissionais mesmo diante de limitações históricas.

Sua experiência também mostra que gêneros musicais aparentemente distantes podem dialogar.

Metal, reggae, dub, punk, ska, Hardcore e outras vertentes aparecem, em sua trajetória, menos como fronteiras e mais como ferramentas de expressão.

Agora, com novos lançamentos do Sensimilla Dub, projetos culturais previstos para 2027 e a chegada da banda 333, Neskau inicia mais uma fase de sua carreira.

Para quem acompanha a história da música independente brasileira, o próximo capítulo promete continuar sendo escrito entre o palco, o estúdio, os bastidores e o encontro permanente com o público.

Sensimilla Dub e a preservação da memória musical paulistana

Ao longo de sua trajetória, o Sensimilla Dub Reggae construiu uma relação importante com o público e com diferentes espaços de divulgação da música independente. Para Neskau Magnarello, essa história também passa pela presença das canções da banda em programas de rádio que ajudaram a aproximar o grupo de milhares de ouvintes.

O músico destaca a importância de programas como Encontro das Tribos, da 105 FM, além de atrações ligadas à cena do Rock, como Heavy Pero No Mucho e Pegadas de Andreas Kisser, da 89 FM, entre outros espaços que contribuíram para a circulação da obra do Sensimilla.

Segundo Neskau, essa permanência demonstra que determinadas músicas conseguem atravessar gerações quando existe identificação genuína entre artista e público.

 “Estamos agradecidos pela oportunidade de termos músicas do Sensimilla Dub rolando e sendo pedidas até hoje pelos fãs em programas como esses aqui e mundo afora.”

Para o artista, projetos especiais, regravações e novas versões representam mais do que uma revisitação ao passado. Eles funcionam como instrumentos de preservação da memória musical e cultural, permitindo que novas gerações tenham contato com trabalhos que marcaram diferentes momentos da produção independente.

Novos planos entre o Reggae e o Metal

Com uma trajetória que transita por diferentes vertentes da música pesada e pelo Reggae, Neskau Magnarello vive uma nova fase criativa. O artista, que integrou nomes importantes da cena Metal, como Megaforce e Insane Hell, também mantém sua atuação com o Sensimilla Dub e prepara novidades relacionadas ao seu novo projeto de Crossover/Thrash Metal, 333.

Entre os principais planos está a continuidade da agenda do Sensimilla Dub, incluindo a nova turnê “Last... And Always Farewell World Tour”, além da produção e lançamento de novas músicas.

O músico também revela a expectativa de levar o projeto para outros públicos e territórios, incluindo uma possível turnê europeia, enquanto trabalha no lançamento do primeiro single da 333.

“O plano principal é continuar vivendo limpo e bem, que é pra conseguir dar seguimento a tudo: os shows da nova tour do Sensimilla Dub, ‘Last... And Always Farewell World Tour’, gravar e lançar novas músicas e fazer a tour na Europa ano que vem... e lançar logo o primeiro single da minha nova banda de Crossover/Thrash Metal chamada 333.”

A declaração evidencia uma característica marcante de sua trajetória: disposição para continuar criando, experimentando e estabelecendo novas conexões entre diferentes vertentes da música.

Um conselho para quem deseja viver de música

Ao falar sobre o futuro, Neskau também direciona sua mensagem para músicos e artistas que estão começando. Em vez de apresentar uma fórmula pronta para o sucesso, ele enfatiza a importância da perseverança, da construção de sonhos e da convivência com pessoas que contribuam positivamente para a caminhada profissional e pessoal.

Sua experiência em diferentes momentos da música independente reforça a ideia de que uma carreira artística é construída com continuidade, dedicação e capacidade de superar diferentes etapas.

 “Pra cima sempre”: a mensagem de Neskau aos fãs

Ao encerrar a entrevista, Neskau Magnarello fez questão de agradecer o espaço concedido pelo Panorama Cultural por Johann Peer e deixou uma mensagem direta para os fãs do Sensimilla Dub e para o público que acompanha o trabalho do blog e do canal.

 “Antes de tudo agradeço a oportunidade de ser entrevistado aqui pro blog PANORAMA CULTURAL POR JOHANN PEER e dar um salve: nunca pensem em desistir e correr atrás dos seus sonhos e manter só pessoas do bem do lado.”

O músico também destacou o papel fundamental do público na retomada das atividades do Sensimilla Dub.

 “Agradeço imensamente aos fãs do Sensimilla Dub que são o único motivo de a banda estar de volta com força total.”

A entrevista termina com uma expressão que sintetiza o espírito apresentado por Neskau ao longo de sua trajetória:

“P’RA CIMA SEMPRE!”

Entre a memória construída pelo Sensimilla Dub, a experiência acumulada no Metal e os novos caminhos representados pela 333, Neskau Magnarello demonstra que a longevidade na música independente também está relacionada à capacidade de permanecer ativo, preservar suas raízes e, ao mesmo tempo, abrir espaço para novos projetos.

Sua história reúne diferentes capítulos da música pesada e do Reggae, conectando passado, presente e futuro em uma trajetória marcada pela independência artística, pela relação com o público e pela vontade de continuar produzindo.

Para o Panorama Cultural por Johann Peer, registrar histórias como a de Neskau Magnarello significa contribuir para a preservação da memória da música independente brasileira e para a valorização de artistas que ajudaram — e continuam ajudando — a construir a diversidade da cultura musical nacional.


Johann Peer é jornalista (MTB/SP nº 68.158), filiado ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (nº 23.681), jurado da 20ª edição do Concurso Autorais SMPENG 2026, Embaixador do TOUR ROCK BRASIL em Peruíbe-SP através da Comunicadora, Apresentadora e Jornalista Kaká Schwartzmann além de vocalista, compositor, poeta, escritor e ativista cultural da banda PEER & INUMANOS.

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