Panorama Cultural Johann Peer

terça-feira, 31 de março de 2026

Emanno ROCKBRABO transforma vivência, poesia e atitude em combustível para uma nova fase do rock autoral

 




Entre memórias, intensidade emocional e identidade de Guarulhos, artista aposta no single “Amor e Rock n’ Roll” para consolidar seu nome na cena independente brasileira


Em meio a experiências pessoais profundas, referências marcantes do rock nacional e internacional e uma escrita moldada desde os tempos de escola, o artista e cantor Emanno ROCKBRABO vem construindo uma trajetória que une verdade, energia e identidade própria dentro da música autoral. Após ganhar atenção com a faixa “Rock And Roll no Apartamento”, o músico agora apresenta “Amor e Rock n’ Roll”, single que simboliza uma nova etapa de amadurecimento artístico, produção mais robusta e ampliação de sua presença na cena underground e independente.


A história de Emanno ROCKBRABO não nasce de uma estratégia de mercado, mas de uma ruptura emocional. Foi em um período atravessado por dor, luto e recomeço que a música deixou de ser apenas um refúgio íntimo para se tornar um projeto de vida.

Segundo o artista, o impulso definitivo para mergulhar na carreira surgiu em um dos momentos mais difíceis de sua vida.

“Foi em um momento gigantesco de tristeza. Meu pai estava com câncer e eu tinha acabado de sair de um relacionamento, então, para preencher meu tempo, resolvi iniciar uma carreira musical”, relembra.

A partir desse ponto, a arte passou a ocupar um lugar central em sua caminhada, não apenas como expressão emocional, mas como construção de identidade, narrativa e propósito.


Embora tenha estreado oficialmente com o nome Emanno ROCKBRABO em janeiro de 2024, a relação do artista com a escrita vem de muito antes. Seus primeiros contatos com a criação surgiram ainda na escola, através da poesia — linguagem que, hoje, segue viva em suas composições.

Essa base literária acabou se tornando um dos pilares de sua assinatura musical, ajudando a moldar o tom confessional, imagético e direto que marca suas letras.

“Um poema também é uma forma de arte. Desde a época da escola eu desenvolvi esse meu estilo de escrita que carrego nas minhas músicas. Com certeza houve evolução, mas o esqueleto do que é o compositor Emanno ROCKBRABO já estava presente desde essa época”, afirma.

Essa origem poética ajuda a explicar por que suas músicas soam tão próximas da experiência vivida: elas nascem da memória, do sentimento e da observação cotidiana.


Influenciado por nomes de peso como Raimundos, Mamonas Assassinas, Charlie Brown Jr., Freddie Mercury, Ozzy Osbourne e Elvis Presley, Emanno não esconde suas referências. Mas faz questão de deixar claro que sua proposta não é reproduzir fórmulas já consagradas, e sim traduzir essas inspirações em algo autoral e conectado ao seu tempo.

“Tenho esses artistas como referência, mas procuro sempre colocar a minha identidade nas músicas. Meu som é contemporâneo e conta a história de um jovem guarulhense que se aventura no mundo do rock n’ roll”, destaca.

Essa declaração ajuda a definir bem o lugar que Emanno quer ocupar: o de um artista que dialoga com a tradição do rock, mas fala com linguagem, urgência e cenário de agora.


Mais do que criar canções, Emanno busca estabelecer conexão. Sua proposta artística passa pela irreverência, pela emoção, pela energia de palco e pelo retrato de experiências comuns a muitos jovens de sua geração.

Em vez de vender um personagem inalcançável, ele aposta na sinceridade como força criativa — e também como mensagem.

“Seja você mesmo. Existem muitos jovens de Guarulhos que vão se identificar com o que escrevo, mas você não precisa ser igual a mim, viver as mesmas histórias. Seja você mesmo e vem curtir um rock n’ roll”, convida.

É justamente nessa combinação entre espontaneidade, vulnerabilidade e atitude que seu trabalho encontra identificação com o público.


Mesmo com pouco tempo de estrada sob o nome artístico atual, Emanno ROCKBRABO já acumula experiências importantes no circuito independente, incluindo apresentações em casas relevantes da cena underground e participação na 89 A Rádio Rock — um espaço simbólico para qualquer artista que deseja circular no universo do rock nacional.

Para ele, esse início de caminhada é resultado de uma soma entre oportunidade, geografia, contexto cultural e esforço pessoal.

“Eu estou no lugar certo e na hora certa. São Paulo é um polo de cultura e a população está começando a pedir uma renovação no cenário do rock. Moro em Guarulhos, que fica perto da capital, e estou escrevendo rock, então isso ajudou bastante. Além disso, foram noites sem dormir e renúncia de alguns lazeres para investir na minha carreira”, relata.

O depoimento reforça uma percepção cada vez mais presente na cena: a de que o rock independente brasileiro segue vivo, mas exige entrega, persistência e construção diária de espaço.



Um dos momentos mais comentados dessa primeira fase da carreira veio com “Rock And Roll no Apartamento”, faixa que ajudou a ampliar o alcance do artista e a consolidar sua identidade entre humor, memória e narrativa cotidiana.

A música nasceu de uma situação real — como, aliás, boa parte de sua obra.

“Minhas músicas são sobre histórias 100% reais que aconteceram comigo”, resume.

A autenticidade da canção parece ter sido justamente um dos fatores centrais para sua repercussão orgânica. Ao transformar uma vivência pessoal em composição, Emanno acabou acessando algo coletivo: a sensação de reconhecimento.

“Essa música foi baseada em uma história real que aconteceu comigo. Com certeza também aconteceu com outras pessoas e isso gerou a conexão”, explica.

A trajetória da faixa ganhou ainda mais simbolismo com a presença de Pinguim Ruas no show de lançamento, unindo gerações dentro do rock brasileiro.

“Foi uma colaboração bem legal, onde uniu a experiência de uma lenda do rock com a criatividade de uma jovem promessa”, afirma o artista.


Agora, Emanno vive um novo capítulo com o lançamento de “Amor e Rock n’ Roll”, faixa que chega cercada de expectativa e simboliza um avanço técnico, sonoro e emocional dentro de sua discografia.

Segundo ele, a nova música representa o início de um ciclo mais maduro e mais ambicioso.

“A mixagem ficou literalmente de outro nível. A cada música eu procuro melhorar, o meu público merece sempre o melhor. Então acredito que ‘Amor e Rock n’ Roll’ é apenas o início de uma nova fase”, revela.

Diferente da irreverência mais escancarada de trabalhos anteriores, a nova canção traz uma atmosfera mais romântica e poética, mas sem abandonar a pulsação do rock.


A composição de “Amor e Rock n’ Roll” também nasce diretamente da experiência pessoal — algo que parece ser marca estrutural da obra de Emanno. A inspiração veio de uma combinação curiosa entre lembranças literárias e uma noite emocionalmente significativa.

“Estava lendo uns poemas antigos e tinha acabado de ter uma noite muito boa com a minha ex-namorada em um motoclube. Então veio a inspiração para escrever a letra. Misturei o sentimento que estava sentindo no momento com a magia dos poemas que havia escrito no passado”, conta.

A faixa, portanto, não é apenas uma música de amor: é uma canção atravessada por memória, desejo, intensidade e elaboração emocional. Para o artista, vida afetiva e criação musical caminham lado a lado.

“Influencia muito, afinal canção é puro sentimento. No momento em que escrevi essa composição tive essa explosão de inspiração”, diz.

Ao revelar esse processo, Emanno reforça a dimensão visceral do seu trabalho — um rock que não teme a entrega sentimental.


Outro elemento que dá robustez a esse novo momento é a parceria com o selo Midas Music, além do trabalho com nomes reconhecidos da produção musical, como Fernando Prado, Sérgio Fouad e Rick Bonadio.

A aproximação com esse universo surgiu de forma natural, a partir de sua trajetória como um dos alunos fundadores da Midas Academy.

“Eu sou um dos alunos fundadores da Midas Academy. Quando recebi a proposta de gravar no estúdio que Charlie Brown Jr., NX Zero e Titãs gravaram, a resposta não poderia ser outra”, afirma.

Mais do que peso simbólico, a experiência trouxe aprendizado técnico e confiança artística.

“Curti bastante as orientações que recebi do Fernando Prado e a experiência do Sérgio Fouad, que acompanha os Titãs há anos e me deu um baita suporte na gravação”, destaca.

O resultado, segundo ele, é uma música que carrega movimento, energia e sensação de liberdade.

“A proposta do som é trazer essa energia da aceleração de uma moto ou carro e, ao mesmo tempo, tranquilizar os batimentos do coração”, resume.


Ao falar sobre futuro e legado, Emanno ROCKBRABO não parece interessado em rótulos fechados. Seu objetivo é fazer um som capaz de dialogar com diferentes públicos, mantendo ao mesmo tempo sua origem, sua linguagem e sua verdade.

“Eu quero fazer meu som e que esse som equalize as pessoas, independente se for da nova geração ou da antiga”, afirma.

Ainda assim, ele reconhece a potência de representar um recorte muito específico: o de um jovem artista de Guarulhos tentando ocupar espaço dentro do rock nacional sem abrir mão da própria vivência.

“Como eu sou um jovem guarulhense, acredito que quem também tem essa faixa etária e mora aqui na minha cidade vai se identificar com a minha música. Porém, o meu som fura bolhas e atinge variados públicos”, ressalta.

Essa visão aponta para algo importante: a construção de uma cena contemporânea que parte do território local, mas não se limita a ele.


Essa relação com a cena local ganhou um novo capítulo com o convite feito pelo empresário, comunicador e palestrante Fabrício Ravelli para que Emanno assumisse a coordenação da unidade de Associação Consciência Cultural em Guarulhos.

Para o artista, a função representa mais do que um cargo: é a possibilidade de ajudar a movimentar a cadeia cultural independente da cidade e da região.

“Ser coordenador da Associação Consciência Cultural na cidade de Guarulhos é uma honra, e a cena independente pode esperar uma revolução musical. Iremos trazer muitos projetos em parceria com o poder público para a cidade”, afirma.

A declaração revela um Emanno que vai além do palco e passa também a ocupar um espaço de articulação cultural — algo cada vez mais necessário em tempos de reconstrução e fortalecimento da cena independente.


Se “Amor e Rock n’ Roll” inaugura uma nova fase, os próximos movimentos já estão em andamento. Emanno adianta que o planejamento inclui audiovisual, estrada e novas músicas prontas para ganhar o mundo.

“Os próximos passos são gravar um clipe bem feito da música ‘Amor e Rock n’ Roll’, fazer shows que conectem o que já foi feito no passado com um novo público que está sendo formado e, após isso, já temos mais músicas engatilhadas para serem lançadas”, revela.

A perspectiva indica que o artista está menos interessado em viver de momentos isolados e mais comprometido em construir uma trajetória contínua, coerente e crescente.



Entre a poesia escrita na juventude, as dores que viraram impulso criativo, a verdade transformada em letra e a vontade de marcar presença no rock brasileiro, Emanno ROCKBRABO vai desenhando seu caminho com autenticidade, entrega e identidade própria. Em um cenário que pede renovação, novos nomes e discursos mais conectados com a realidade das ruas, sua obra aparece como um retrato de vivência, paixão e pertencimento.

Mais do que lançar músicas, Emanno parece decidido a transformar experiência em linguagem — e linguagem em conexão.

E, ao que tudo indica, essa história está apenas começando.

“Vocês são incríveis, indestrutíveis e estão em outro nível. Muito amor e rock n’ roll para vocês”, finaliza o artista, em recado direto aos fãs e leitores do Panorama Cultural por Johann Peer.





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*Johann Peer é Jornalista responsável pelo número 65.158 MTB/SP e também vocalista e compositor da banda PEER & INUMANOS. 

terça-feira, 24 de março de 2026

Da agronomia ao pós-punk: A banda baiana Organoclorados constrói identidade própria entre influências internacionais e raízes nordestinas se destacando com pioneirismo e inventividade na cena Rock independente e no mercado musical





 Formada entre salas de aula, experimentos musicais e o espírito inquieto dos anos 1980, a banda baiana Organoclorados construiu uma trajetória singular no rock independente brasileiro. Entre hiatos, reinvenções e resistência criativa, o grupo atravessou gerações mantendo uma identidade sonora marcada pela liberdade estética e pela fusão de influências.

A história da Organoclorados começa em meados da década de 1980, longe dos grandes centros urbanos. Os primeiros acordes surgiram na Escola de Agronomia da Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Cruz das Almas, onde dois estudantes começaram a compor sem grandes pretensões — apenas pela diversão.

Naquele período, o cenário do rock o interior da Bahia ainda era incipiente, mas pulsava com intensidade. Estilos como punk rock, heavy metal e rock progressivo disputavam espaço e público, muitas vezes alimentando rivalidades estéticas. Em meio a esse contexto, a banda seguiu um caminho próprio, sem se prender a rótulos.

Eventos marcantes como o Rock in Rio de 1985 e a explosão do chamado “Rock de Brasília” influenciaram diretamente a cena local, talvez até mais do que o que acontecia na capital Salvador. Foi nesse caldo cultural que a Organoclorados começou a moldar sua identidade.

O nome da banda nasceu de forma espontânea e quase acidental. Em 1985, a canção “Princípio Ativo” trouxe em sua letra uma metáfora entre relações humanas e compostos químicos utilizados na agricultura — os organoclorados.

O termo, repetido no refrão, rapidamente caiu no gosto do público. Em uma das primeiras apresentações, a plateia já gritava “organoclorados!”, levando o locutor a oficializar o nome ali mesmo, no improviso.

Mais do que inusitado, o nome carrega um simbolismo: persistência, efeito residual e capacidade de acumulação — características químicas que dialogam com a proposta sonora da banda. Além disso, traduz a irreverência e o desejo de provocar curiosidade.

Os primeiros anos foram marcados por experimentação e improviso. Inicialmente sem baterista, o grupo chegou a se apresentar com formação incompleta, firmando como marco oficial o show de 13 de novembro de 1985.

A entrada de um baterista em 1987 trouxe mais consistência, mas o período seguinte foi turbulento, com alta rotatividade de integrantes. Houve momentos em que apenas dois músicos mantinham o projeto vivo, ensaiando sem garantias de continuidade.

A estabilidade só viria entre 1989 e 1990, quando a banda finalmente consolidou uma

formação sólida. Com isso, os ensaios ganharam força, o repertório se definiu e os shows se tornaram mais frequentes, conquistando público e reconhecimento em Alagoinhas.

Definir o som da Organoclorados é tarefa complexa — e talvez desnecessária. A banda transita entre pós-punk, gótico, blues, psicodelia e rock brasileiro, sem seguir fórmulas rígidas.

A criação acontece de forma orgânica, baseada na troca entre os integrantes e nas vivências individuais. A liberdade criativa sempre foi um princípio central, permitindo que as músicas surjam de maneira espontânea, moldadas pela experimentação.

Entre as referências internacionais, nomes como Joy Division, Echo & the Bunnymen e The Cure ajudam a explicar a atmosfera densa e introspectiva presente no som da banda.

Ao mesmo tempo, a identidade da Organoclorados é profundamente brasileira. Influências como Raul Seixas, Zé Ramalho e Legião Urbana aparecem na irreverência, na poesia e na forma de pensar o rock a partir de uma perspectiva nacional.

Essa fusão cria um diálogo único entre o pós-punk internacional e a musicalidade nordestina.

O lançamento do álbum “Princípio Ativo”, em 2001, representou um divisor de águas. Produzido de forma independente no interior da Bahia, o disco foi, antes de tudo, um ato de coragem.

Em uma época anterior à popularização do digital, o trabalho foi lançado em CD físico, com todo o cuidado gráfico e produção artesanal. O impacto foi imediato: além do amadurecimento artístico, o álbum abriu portas para apresentações em Salvador e ampliou o alcance da banda.

Após o lançamento, a banda viveu um período intenso de shows em bares, teatros e universidades, especialmente na capital baiana. A recepção foi calorosa, tanto do público quanto de outras bandas, gerando parcerias e intercâmbio de audiência.

Sem estratégias de mercado ou ambições comerciais claras, os integrantes simplesmente viviam o momento — jovens, descobrindo o palco e fortalecendo sua presença na cena.

Em 2006, após o lançamento de um DVD ao vivo gravado no Centro de Cultura de Alagoinhas, a banda enfrentou um período de profunda crise pessoal. A perda de entes queridos e problemas de saúde impactaram diretamente o grupo, levando a um afastamento dos palcos.

Foi um momento de recolhimento, silêncio e reconstrução emocional. A música ficou em segundo plano enquanto cada integrante lidava com suas próprias dores.

A retomada começou de forma gradual entre 2010 e 2011, com ensaios e novas composições. O cenário musical já era outro: novas tecnologias, novos públicos e novas formas de consumo exigiam adaptação.

O retorno aos palcos reacendeu a conexão com o público e revelou uma banda mais madura. Em 2016, o EP “Organoclorados” marcou oficialmente essa nova fase, reunindo faixas remasterizadas do álbum de estreia e material inédito.

A recepção positiva mostrou que, apesar do tempo, a essência permanecia intacta — agora enriquecida por experiências de vida mais profundas.

Desde sua concepção, “Quântico” foi pensado como uma obra integrada. A proposta ia além da música: tratava-se de criar um diálogo entre o analógico e o digital, o real e o virtual, o concreto e o imaginário.

Cada etapa do projeto — da escolha das faixas à ordem do repertório, passando pelas tonalidades, letras e identidade visual — foi construída para formar uma unidade coesa. O cuidado com o projeto gráfico, incluindo o tratamento de imagens, reforçou essa visão de álbum como experiência sensorial completa.

Em um momento em que o CD começava a perder espaço e o streaming ainda consolidava sua hegemonia, a banda apostou em uma solução inovadora: um dispositivo físico em formato de cartão, semelhante a um pen-drive.

O chamado “card-drive Quântico” reunia:

Faixas dos dois álbuns da   banda,videoclipes,vídeos promocionais,álbum digital de fotos,biografia e release.

O lançamento foi considerado inédito no Brasil — e possivelmente no mundo — por reunir um conteúdo tão amplo em um único suporte portátil e personalizável. Curiosamente, anos depois, empresas internacionais passaram a divulgar o conceito de “music card” como novidade no mercado, evidenciando o caráter visionário da iniciativa.

A produção de Quântico contou com o apoio do coletivo Trinca de Selos, formado por nomes históricos do rock baiano:Wilson Santana (Brechó Discos),Tony Lopes (São Rock Discos),Rogério Bigbross (Bigbross Records).

A parceria foi fundamental para ampliar a visibilidade e legitimar o trabalho, além de impulsionar a distribuição digital, especialmente na plataforma Bandcamp.

O alcance do álbum ultrapassou fronteiras após uma resenha na revista americana INK 19. A publicação colocou a banda entre raros representantes brasileiros e latino-americanos em seu catálogo editorial.

A repercussão levou as músicas a rádios universitárias e independentes dos Estados Unidos, além de despertar interesse em países da América Latina. O reconhecimento internacional passou a abrir portas para novos contatos, consolidando a presença da banda fora do Brasil.

A partir de 2019, a banda intensificou o lançamento de singles — estratégia que, embora associada ao streaming, remonta à era do vinil. A diferença, agora, está na facilidade de distribuição e no acesso direto ao público.

Mesmo com limitações orçamentárias, o grupo conseguiu manter uma sequência consistente de lançamentos, adaptando-se à lógica contemporânea da indústria musical, na qual o artista independente assume múltiplas funções: produção, divulgação, design e relacionamento digital.

Durante a pandemia de COVID-19, enquanto shows eram cancelados e o cenário se tornava incerto, a banda encontrou novas formas de seguir ativa.

Ensaios on-line, reuniões virtuais e produção individual permitiram a continuidade dos trabalhos. Em parceria com o Estúdio Jimbo e o produtor Lucas Costa, o grupo conseguiu avançar nas gravações com segurança.

O período resultou em novos lançamentos, incluindo os álbuns Efeito Residual (2020/2021) e Saudade da Razão (2022), além de videoclipes e conteúdos digitais.

A presença em eventos on-line e festivais internacionais ampliou ainda mais o alcance da banda. Destaques incluem:

participação no Festival Som de Casa, apresentações nas Urbana Radio Sessions,

exibição em eventos na América Latina (Chile, Bolívia, Colômbia, Argentina, Peru e Venezuela).

No Brasil, a banda também marcou presença em iniciativas culturais como a Lei Aldir Blanc e festivais regionais.

Em Saudade da Razão, a banda aprofunda temas recorrentes de sua obra:

Questões existenciais,crítica social,preocupações ambientais,relações humanas.

As composições surgem de um acervo contínuo, amadurecido em ensaios e apresentações ao vivo, até alcançar unidade conceitual dentro de cada projeto.

A partir de 2023, a Organoclorados passou a investir em versões e composições em inglês, buscando ampliar o diálogo com o público internacional.

O processo envolveu estudo técnico de métrica, pronúncia e interpretação vocal, além de consultoria especializada — evidenciando o cuidado artístico na transição linguística.

Entre os momentos marcantes da trajetória está a participação no Palco do Rock, um dos festivais mais tradicionais do Nordeste, que segue sendo um divisor de águas para bandas independentes. Com mais de três décadas de história, o evento se consolida como uma das principais vitrines do gênero, especialmente por acontecer durante o Carnaval de Salvador, período de intensa circulação cultural e diversidade de público.

Realizado há mais de 30 anos, o festival é considerado por muitos artistas como o mais longevo do rock nordestino. Sua relevância vai além da longevidade: o Palco do Rock se destaca por reunir bandas autorais e oferecer espaço para novos nomes alcançarem visibilidade tanto entre o público da capital baiana quanto do interior, além de atrair cobertura da mídia especializada.

Na edição mais recente, a experiência foi ainda mais significativa para os artistas participantes. Pela primeira vez, o festival integrou oficialmente a programação do Carnaval de Salvador, elevando o nível da produção. A mudança garantiu uma infraestrutura profissional, com palco ampliado, sistema de som de alta qualidade, iluminação cênica, efeitos visuais e suporte de camarins adequados.

Para as bandas independentes, essa evolução representa mais do que conforto técnico — significa reconhecimento. Em meio a um dos maiores eventos culturais do país, os artistas puderam apresentar repertório autoral para um público expressivo, consolidando sua identidade musical em um ambiente historicamente dominado por grandes nomes da indústria.

O impacto dessa participação não se limita ao momento do show. Registros audiovisuais da apresentação foram produzidos e disponibilizados no YouTube, ampliando ainda mais o alcance do trabalho e permitindo que novos públicos tenham acesso à performance.

Em um cenário onde a música independente busca cada vez mais espaços de visibilidade, o Palco do Rock reafirma seu papel como plataforma essencial para a cena alternativa brasileira — agora com ainda mais estrutura e alcance.

Da efervescente cena do interior da Bahia para um dos palcos mais emblemáticos do rock independente nacional, a banda Organoclorados vive um momento de afirmação artística. Com mais de 40 anos de trajetória, o grupo acumula experiências marcantes, como a recente apresentação no Kiss Club Autoral, e segue expandindo sua linguagem sonora com projetos inovadores e novos lançamentos no horizonte.

Tocar no tradicional Kiss Club Autoral, em São Paulo, foi mais do que uma simples apresentação: tornou-se um marco na carreira da banda. Pela primeira vez, um grupo da Bahia participou do evento, que teve transmissão ao vivo pelo YouTube e pela Rádio Kiss FM, uma das maiores emissoras dedicadas ao rock na América Latina.

A experiência foi descrita como “inesquecível e histórica”. Mesmo com o nervosismo inicial, o grupo rapidamente conquistou o palco, impulsionado pela recepção calorosa do público e pela condução do apresentador Paul Martins. Nos bastidores, o clima de camaradagem reforçou um dos pilares da banda: a amizade construída ao longo de décadas.

Em 2024, a banda lançou o especial *Eletrocústico Organoclorados*, viabilizado pela Lei Paulo Gustavo. Inspirado nos clássicos formatos do Acústico MTV, o projeto apostou em uma estética intimista e honesta, sem excessos visuais.

Gravado na Galeria Thereza Lima, o especial equilibra elegância e simplicidade. Musicalmente, o grupo expandiu os limites do formato acústico tradicional, incorporando violões de 6 e 12 cordas, baixolão, bateria com percussões orgânicas e teclados com timbres vintage.

O grande diferencial veio com a participação do violinista Henrique Barbosa, inicialmente convidado para três faixas, mas que acabou integrando todo o repertório. O resultado, segundo a banda, superou expectativas e reforçou a identidade experimental do projeto.

Lançado em 2025, o álbum *Dreams and Falls* marca uma nova fase na discografia da banda, com composições em inglês e uma sonoridade mais refinada. O trabalho explora contrastes — peso e melodia, sonho e frustração — traduzidos em uma produção que mescla elementos vintage e texturas contemporâneas.

A masterização diferenciada para as faixas em inglês também evidencia a busca por identidade própria, sem romper com a essência construída ao longo dos anos.

A relação entre música e imagem ocupa papel central na comunicação da banda. Influenciados por ícones como Elvis Presley, The Beatles e Jimi Hendrix, os integrantes valorizam o poder visual como extensão da experiência sonora.

Videoclipes e lyric videos são tratados como ferramentas narrativas que ampliam o alcance emocional das músicas, especialmente considerando o caráter poético e metafórico das letras.

Um dos traços mais marcantes da banda está na composição lírica, que combina termos científicos, referências literárias e ironia. Essa abordagem surgiu ainda na época universitária, durante a formação em agronomia na UFBA, em parceria com o letrista Paulo Coqueiro.

A proposta sempre foi fugir dos clichês e construir uma linguagem própria dentro do rock.

A cidade de Alagoinhas é peça-chave na trajetória da banda. Mais do que origem geográfica, o município representa uma base criativa inserida em uma cena interiorana vibrante e produtiva.

Essa força coletiva ganhou destaque na coletânea *Fora de Órbita: Alagoinhas/BA*, organizada durante a pandemia, reunindo bandas locais em um projeto inédito no rock baiano. A iniciativa reforça a importância de descentralizar a produção cultural e dar visibilidade ao interior.

Apesar da intensa produção musical, a cena independente baiana ainda enfrenta obstáculos estruturais, como a escassez de espaços adequados para apresentações — um reflexo dos impactos deixados pela pandemia.

Ainda assim, eventos como o Palco do Rock seguem como vitrines importantes para novos artistas, mantendo viva a circulação do gênero no estado.

Após mais de 40 anos de estrada, a motivação da banda permanece ancorada em três pilares: a necessidade vital de criar, a paixão pelo rock e a forte relação com o público.

A dinâmica interna, baseada no respeito e na liberdade criativa, sustenta um ambiente colaborativo que permite constante renovação artística.

Sem sinais de desaceleração, a banda já prepara novos projetos. Entre os próximos passos estão um álbum em português, um EP em espanhol e o lançamento de singles ao longo de 2026, dando continuidade à divulgação de *Dreams and Falls*.

A produção constante é comparada a um “jardim em cultivo permanente”, onde ideias florescem e são colhidas no tempo certo — uma metáfora que traduz bem a trajetória de uma das bandas mais resilientes do rock independente brasileiro.

Em meio à divulgação do álbum Dreams and Falls, a banda já mira o futuro com uma postura inquieta e produtiva. Entre composições acumuladas, novos projetos em fase final e planos estratégicos de lançamento, o grupo demonstra que a criação artística segue em fluxo contínuo — como um “jardim” cultivado diariamente.

A inquietação criativa tem sido uma das principais marcas da banda. Mesmo durante o processo de promoção de Dreams and Falls, os integrantes revelam que o pensamento já está voltado para os próximos passos. A dinâmica interna é de constante troca de ideias, planejamento e desenvolvimento de novas propostas musicais.

Segundo o grupo, a produção artística nunca é interrompida. A metáfora utilizada para descrever esse processo — um jardim sempre em cultivo — sintetiza bem a filosofia adotada: compor, experimentar e armazenar canções para o momento certo de lançamento. Nesse cenário, há um repertório significativo já pronto, aguardando definição estratégica.

Atualmente, a banda trabalha simultaneamente em diferentes frentes. Além da continuidade da divulgação do álbum mais recente, dois novos projetos inéditos estão em estágio avançado: um álbum completo em português e um EP em espanhol. As produções, embora já em fase final de registros, ainda não possuem cronogramas oficiais de lançamento, o que reforça o cuidado do grupo com o timing e a construção de cada etapa.

Outro destaque é a confirmação de um novo álbum completo já gravado, ao menos em sua base musical. A estratégia da banda aponta para um aquecimento gradual do público, com o lançamento de singles previsto para 2026. A ideia é preparar o terreno para os próximos trabalhos, mantendo o engajamento dos ouvintes e ampliando o alcance da sonoridade do grupo.

A escolha por investir em diferentes idiomas também indica uma ampliação de horizontes e diálogo com novos públicos. Ao explorar o português e o espanhol, a banda fortalece sua identidade latino-americana e expande possibilidades no cenário internacional independente.

Essa movimentação evidencia não apenas produtividade, mas também maturidade artística. O planejamento múltiplo e a ausência de pressa nos lançamentos sugerem uma postura estratégica, alinhada com as transformações do mercado musical contemporâneo, onde constância e relevância caminham lado a lado.

Entre composições guardadas, projetos em fase final e novos singles a caminho, a banda reafirma seu compromisso com a criação contínua. Para o público, a promessa é de um futuro próximo repleto de novidades. 

Encerrando a entrevista em tom inspirador e projetando novos horizontes, o vocalista, guitarrista, compositor e fundador da banda Organoclorados, Arthur W, deixa evidente que o grupo segue movido por inquietação criativa e uma constante busca por inovação. Segundo ele, o processo artístico da banda é contínuo e orgânico, comparável a um jardim em permanente cultivo, onde ideias florescem e se transformam em novas produções.

“Somos inquietos, não paramos de pensar em coisas novas. Temos muitas músicas compostas, várias prontas e guardadas para o futuro. É como um jardim que cultivamos sem parar e de onde colhemos quando queremos.”

Mesmo ainda promovendo o álbum Dreams and Falls, a banda já se encontra em estágio avançado de produção de novos trabalhos, incluindo um álbum em português e um EP em espanhol, além de um disco completo já gravado. A expectativa, como antecipa Arthur W, é que singles comecem a ser lançados a partir de 2026, marcando uma nova fase na trajetória do grupo.

“Alguns singles serão lançados em 2026, com certeza, como parte dessa escalada de aquecimento.”

No desfecho, Arthur W também faz questão de agradecer o espaço  e reforçar a importância da arte como ferramenta de transformação social, incentivando o público de todas as idades a acreditar em seu potencial criativo e a valorizar a cena independente.

“Sempre que puderem, dediquem-se a algum tipo de arte. E apoiem o rock independente e alternativo. Tem muita gente talentosa produzindo música de qualidade por amor ao que faz.”

Com uma mensagem de união e resistência cultural, a Organoclorados encerra a conversa deixando um “salve” aos fãs e leitores do Blog Panorama Cultural por Johann Peer, reafirmando seu compromisso com a música autoral e com a força do rock independente no Brasil e no mundo.



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*Johann Peer é Jornalista responsável sob n°65.158 MTB/SP e também vocalista e compositor da banda PEER & INUMANOS.

domingo, 15 de março de 2026

M.I.R.: quando palavra, movimento e música se encontram em cena








Entre ritmo intuitivo, poesia e experimentação sonora, o artista M.I.R. construiu uma trajetória que atravessa música, teatro e audiovisual. Da infância marcada por instrumentos improvisados até a criação de espetáculos que misturam narrativa, performance e canção, sua obra revela um artista interessado em transformar experiência em linguagem. Em entrevista ao Panorama Cultural, ele reflete sobre suas origens musicais, processos criativos e os caminhos que sua pesquisa artística vem trilhando — agora também nas turnês “Palavra e Movimento” e “Palavra, Movimento e Pulsação”.

A relação de M.I.R. com a música nasceu antes mesmo da compreensão formal do que ela era. Na infância, objetos domésticos já se transformavam em instrumentos e o cotidiano era percebido como paisagem sonora.


“Hare krishna! Desde muito cedo eu percebia o mundo de forma sonora”, conta. “Antes mesmo de entender a música como linguagem, eu já buscava ritmo nas coisas mais simples do cotidiano: mesas, xícaras, panelas… qualquer objeto podia virar instrumento.”

Essa experiência inicial moldou sua forma de escutar e de criar. Para ele, o ritmo sempre esteve além dos instrumentos.

“O ritmo não vinha apenas de um instrumento musical. Ele estava no ambiente, nas pessoas, no movimento da vida. Essa relação lúdica e espontânea com o som acabou moldando minha forma de criar até hoje. A música, para mim, nasce da curiosidade e da observação.”

Mesmo sem músicos profissionais na família, o ambiente doméstico foi fundamental para a formação da sua sensibilidade artística.

“Apesar de não haver músicos profissionais na família, havia muita música circulando. Canções no rádio, discos tocando, pessoas cantando naturalmente dentro de casa”, lembra.

Esse contato cotidiano fez com que a música surgisse como linguagem emocional antes de qualquer formalidade técnica.

“Ela nunca foi algo distante ou técnico demais, era parte da vida cotidiana. Isso moldou minha sensibilidade artística porque aprendi desde cedo que música é sobretudo comunicação e emoção.”

Ao longo dos anos, a trajetória de M.I.R. passou por diferentes experimentações e influências musicais.

“No início havia muita experimentação e influência de diferentes estilos — rock, folk, blues, música brasileira”, explica.

Com o tempo, o artista percebeu que sua identidade surgia justamente desse cruzamento de referências.

“Hoje eu descrevo meu trabalho como uma música de forte narrativa, onde palavra, melodia e atmosfera caminham juntas. É um território que mistura canção, reflexão e experiência sensorial.”

Um momento importante desse processo foi sua participação na banda Jasmins do Paraíso, experiência que contribuiu para seu amadurecimento musical.

“A experiência com os Jasmins do Paraíso foi muito importante para minha formação artística”, afirma. “Foi um período de aprendizado coletivo, de entender o funcionamento de uma banda, de dividir palco e criação com outras pessoas.”

A convivência musical também trouxe lições que permanecem presentes em seus projetos atuais.

“Essa vivência me ensinou muito sobre dinâmica musical, escuta entre os músicos e construção de identidade artística em grupo.”

Já em carreira solo, M.I.R. decidiu explorar uma abordagem diferente com o álbum instrumental “Sonido 23”, uma obra que aposta na experiência sensorial da música sem palavras.

“‘Sonido 23’ nasceu de uma necessidade de explorar o som de forma mais abstrata, sem a condução da palavra”, explica.

A proposta era permitir que as emoções emergissem diretamente da sonoridade.

“Eu queria investigar como a música poderia comunicar sensações, atmosferas e estados emocionais apenas através das texturas sonoras. Foi um exercício de escuta profunda.”

O processo também trouxe desafios criativos.

“O maior desafio foi abandonar a segurança da palavra. Quando não há letra, cada detalhe sonoro ganha mais peso. Mas isso abre um campo enorme de possibilidades.”

Em 2024, o artista apresentou o EP “Presentes Inigualáveis”, trabalho que marca uma nova etapa de maturidade criativa.

“Esse EP representa um ponto de maturidade na minha trajetória”, afirma. “Ele reúne elementos que já vinham aparecendo no meu trabalho — a força da canção, a dimensão poética e a busca por uma identidade sonora própria.”

As composições também refletem uma abordagem mais consciente sobre o que deseja comunicar artisticamente.

“As canções trazem reflexões sobre a vida, os encontros humanos e a percepção de que existem presentes que não são materiais, mas experiências que transformam a nossa existência.”

A atuação de M.I.R. também se estende ao audiovisual, onde suas composições participam de trilhas sonoras.

“Compor para o cinema é muito interessante porque a música passa a dialogar diretamente com a imagem e com a narrativa do filme”, explica.

Segundo ele, o processo exige outra escuta criativa.

“No audiovisual a música precisa servir à história que está sendo contada. Isso exige sensibilidade para entender o ritmo da cena, a emoção do momento e até o silêncio necessário.”

No teatro, um dos projetos mais pessoais foi o musical “A Trilogia das Gurias”, inspirado em suas três filhas — Dominique, Isadora e Valentina.

“A obra nasceu de um desejo muito pessoal de transformar experiências da minha própria vida em arte”, conta.

O espetáculo mistura memória, narrativa e música.

“O aspecto autobiográfico aparece como ponto de partida, mas a ideia é que cada pessoa também se reconheça nessas histórias.”

Em março, M.I.R. inicia a turnê nacional “Palavra e Movimento”, com estreia em Recife.

“É um espetáculo que nasce da força da canção e da presença no palco”, explica. “É um formato muito direto, onde voz, violão e narrativa conduzem a experiência.”

Segundo ele, o público pode esperar um encontro mais próximo com a música.

“A ideia é criar um espaço de encontro verdadeiro entre artista e plateia.”

Paralelamente, ele também apresenta a turnê “Palavra, Movimento e Pulsação”, em formato banda, percorrendo cidades do Rio Grande do Sul.

“O formato solo é mais intimista e focado na narrativa da canção. Já o espetáculo com banda amplia a dimensão sonora e energética das músicas”, afirma.

No centro da pesquisa artística de M.I.R. está a ideia de que a música ultrapassa o campo sonoro.

“Para mim, a música nunca foi apenas som. Ela envolve presença, gesto e intenção”, explica.

Essa visão se manifesta especialmente na performance ao vivo.

“O corpo participa do processo criativo tanto quanto a palavra e a melodia. No palco, a performance acaba sendo uma extensão da própria canção.”

Para ele, a performance é também uma dimensão essencial da música contemporânea.

“Ela transforma a música em experiência viva. Quando uma canção é apresentada ao vivo, ela ganha novas camadas de interpretação, emoção e comunicação com o público.”

Ao observar o cenário cultural atual, o artista vê na mistura de linguagens um caminho fértil para a criação.

“A arte contemporânea tem se tornado cada vez mais interdisciplinar”, afirma. “Minha pesquisa artística caminha justamente nesse sentido: explorar o encontro entre música, narrativa, imagem e performance.”

No fim das contas, porém, o que ele busca é algo simples — e profundo.

“Espero que as pessoas saiam de um espetáculo meu com a sensação de terem vivido uma experiência verdadeira”, conclui.

“Se a música conseguir provocar reflexão, emoção ou simplesmente um momento de conexão consigo mesmo e com o mundo ao redor, então o encontro já valeu a pena. Hare krishna.”


Fotógrafo:Marco Faria


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Johann Peer é Jornalista responsável sob n°65.158 MTB/SP e também vocalista e compositor da banda PEER & INUMANOS.














domingo, 8 de março de 2026

Patrícia Shaki: a multiartista de Maringá que transforma música independente em palco de resistência cultural cantora, compositora, apresentadora e produtora cultural, artista paranaense consolida trajetória no underground nacional ao unir arte, comunicação e ativismo feminino.






A trajetória da multiartista maringaense Patrícia Shaki revela a força criativa e a diversidade de caminhos que caracterizam a cena independente brasileira. Cantora, compositora, comunicadora, produtora cultural e defensora da presença feminina na arte, Shaki construiu ao longo dos anos uma identidade artística marcada pela pluralidade sonora e pelo compromisso com a valorização da cultura underground.


Com formação musical iniciada ainda na infância e atuação que se estende por diferentes linguagens artísticas — da música ao teatro, da dança à comunicação —, a artista se tornou uma das vozes ativas na difusão da produção independente nacional. Em entrevista ao Panorama Cultural, ela reflete sobre sua trajetória, os desafios do cenário musical brasileiro e os caminhos que pretende trilhar nos próximos anos.


Do piano erudito da infância ao palco do rock

O primeiro contato de Patrícia Shaki com a música aconteceu muito cedo. Aos quatro anos de idade, iniciou os estudos em piano erudito, experiência que moldou os fundamentos de sua formação artística.


Segundo a artista, esse aprendizado inicial foi determinante para sua trajetória.


“A formação me deu embasamento teórico e prático sobre o universo da música e despertou em mim a vontade de seguir esse caminho pela vida.”


Com o passar dos anos, a artista passou por diversas bandas e estilos musicais, ampliando sua bagagem artística. Essa diversidade, segundo ela, foi essencial para desenvolver uma identidade própria no palco.


“Todas as experiências musicais que tive só agregaram para que eu evoluísse vocalmente. Mas, principalmente, me ajudaram a construir meu próprio estilo — um estilo que interage com o público, que dança e que se entrega no palco.”


O divisor de águas: o nascimento da compositora

Embora já estivesse ativa na cena musical há anos, foi em 2019 que Patrícia viveu um momento decisivo em sua carreira: a composição de sua primeira música autoral, “Borboleta”.


O single, lançado oficialmente em 2022, marcou sua consolidação dentro da cena independente nacional.


“Foi quando consegui compor minha primeira música. O lançamento acabou me projetando nacionalmente dentro do underground.”


A partir desse momento, a cantora passou a investir com mais intensidade na criação de repertório autoral, incorporando experiências pessoais às letras e explorando diferentes vertentes musicais.


Entre o palco e os microfones da comunicação

Além da carreira musical, Patrícia Shaki também se destaca como apresentadora, entrevistadora e comunicadora, conduzindo programas de rádio, podcasts e entrevistas voltadas à cena independente.


Para ela, fortalecer outros artistas é uma extensão natural de seu trabalho.


“Literalmente é a vontade de crescer junto. Eu adoro ser apresentadora tanto quanto cantora. Se posso unir a valorização da cena musical independente com essa vontade de comunicar, por que não?”


Nesse contexto, as web rádios e plataformas digitais desempenham um papel essencial.


“São veículos de extrema importância. É através deles que muitas portas se abrem para os artistas independentes.”


Para Patrícia Shaki, a música independente brasileira ainda enfrenta obstáculos significativos — especialmente fora dos grandes centros culturais.


Entre os principais desafios, ela aponta a necessidade de profissionalização da relação com a mídia, a dificuldade de financiamento para produções e a grande quantidade de lançamentos no mercado.


“Existe um volume enorme de trabalhos novos chegando ao público, nem sempre com qualidade, o que pode confundir a percepção do público.”


Outro fator recente que preocupa parte dos artistas é o avanço da inteligência artificial no campo da produção musical.


“A IA também virou um concorrente, ao meu ver.”


A atuação de Patrícia Shaki vai além da música. Profissionalmente, ela também trabalha na coordenação de políticas públicas voltadas à saúde da mulher e da criança, experiência que influencia diretamente sua produção artística.


Essa vivência fortalece um dos pilares de sua trajetória: a valorização da presença feminina na cultura.


“Busco fomentar a presença feminina no meio artístico e também a igualdade de direitos sociais através da arte.”


Para a artista, a música possui um papel transformador na sociedade.


“A arte entra nos ouvidos, na mente e no cotidiano das pessoas. Ela é formadora de opinião e pode gerar revoluções, como aconteceu com o rock brasileiro nas décadas de 1980 e 1990.”


Apesar das dificuldades históricas, Shaki reconhece avanços na presença feminina dentro do rock e da música pesada.


“Hoje vemos cada vez mais mulheres em bandas de metal e heavy metal, algo que ainda enfrentava muita resistência.”


A produção autoral de Patrícia Shaki é profundamente conectada à sua própria experiência de vida.


“Praticamente tudo que componho tem relação com o que vivo, direta ou indiretamente. Essa é minha forma de expressão.”


Recentemente, a artista lançou um novo single em parceria com o projeto Bellini Rock, consolidando mais uma etapa de sua discografia. Paralelamente, ela já trabalha na finalização de dois novos singles, que devem integrar um projeto maior.


O objetivo é reunir canções suficientes para formar um álbum completo, capaz de sustentar um repertório autoral sólido para apresentações ao vivo.


Musicalmente, o público pode esperar uma continuidade da diversidade que marca sua trajetória.


“Vou manter minha variedade musical, com melodias que passam por diferentes vertentes do rock e até mesmo pela MPB.”


Produção cultural e curadoria artística

Patrícia Shaki também atua como produtora cultural, curadora de eventos e jurada em concursos de bandas, participando da organização de festivais e premiações voltadas à música independente.


Para ela, um projeto cultural relevante precisa combinar profissionalismo, inclusão artística e impacto social.


“É algo que ofereça espaço a vários artistas, com condições dignas e visão estratégica de mercado, mas que também provoque emoções no público e estimule reflexões mais sensíveis e politizadas.”


Na avaliação de novos talentos, alguns critérios são fundamentais:


qualidade da produção audiovisual,

criatividade,coerência estética,originalidade e identidade artística


Uma artista de múltiplas linguagens além da música e da comunicação, Shaki também atua em áreas como dança, teatro e pintura, linguagens que dialogam diretamente em seu processo criativo.


“Sem dúvida todas essas linguagens conversam entre si. Mas o segredo de como isso acontece eu não conto”, brinca.


Ser uma multiartista, segundo ela, amplia horizontes criativos, mas também exige equilíbrio.


“O segredo é impor limites de um lado e deixar fluir do outro.”


Nos últimos anos, o trabalho de Patrícia Shaki passou a receber premiações nacionais e internacionais, reconhecimento que ela recebe com entusiasmo e espírito crítico.


“É muito prazeroso ouvir elogios sinceros, mas também é importante ouvir críticas. Usando um filtro para saber o que absorver, isso só aumenta meu conhecimento e me ajuda a melhorar.”


Entre os projetos futuros, a artista pretende manter sua atuação múltipla — como cantora, compositora, apresentadora e produtora cultural — além de lançar dois ou três novos singles até 2026.


Ao encerrar a entrevista, Patrícia Shaki deixa um recado direto para quem está começando na música.


“Nunca desistam dos seus sonhos. Mas entendam que a música também é um trabalho e exige profissionalismo e qualificação. Ser músico é, sem dúvida, uma profissão.”

Johann Peer é Jornalista responsável pelo n°65.158 MTB/SP e vocalista e compositor da banda PEER & INUMANOS.







domingo, 1 de março de 2026

Claudio Magalhães: entre o romance, o rock e a resistência literária

 



Escritor, contista e historiador musical reflete sobre trajetória, mercado editorial, inteligência artificial e os desafios da leitura no Brasil

Poeta na juventude, romancista na maturidade e historiador musical por vocação, Claudio Alexandre Magalhães construiu, desde os anos 1980, uma trajetória marcada pela inquietação criativa e pelo amor ao rock and roll. Autor de obras como O Infinito em Nós (1987), O Cemitério do Bosque (2017), Contos e Lendas da Escuridão (2020) e Cidade de Prata (2024), ele transita entre o terror, o romance, o conto e a crítica cultural. Nesta entrevista ao blog PANORAMA CULTURAL POR JOHANN PEER, o escritor fala sobre seus primeiros passos na literatura, o impacto da música em sua formação, os bastidores do mercado editorial brasileiro e sua visão contundente sobre inteligência artificial e leitura no país.

A paixão pela escrita surgiu ainda na adolescência. Claudio recorda que, na escola, sempre se destacava nas redações. O ponto de virada ocorreu por volta de 1984, quando uma professora de literatura, Maura, percebeu seus textos e o incentivou a levá-los adiante.

Ao apresentar seus poemas, foi encaminhado ao escritor Cacildo Marques, que o conduziu à Editora Scortecci. Nascia ali o embrião de sua primeira obra, O Infinito em Nós, lançada em 1987 com tiragem aproximada de 300 exemplares, patrocinada por um gerente do banco onde trabalhava.

O livro reunia poemas e crônicas escritos desde 1984, marcados por forte lirismo juvenil e temas universais como ar, água, vento, lua e sol. “Havia uma grande paixão de adolescente”, relembra.

O amor pelo rock and roll começou no fim de 1979, ao ouvir Chronicle, do Creedence Clearwater Revival. Contudo, foi em 1980, ao escutar Hotter Than Hell, do Kiss, que “o coração bateu diferente”. A partir dali, a música tornou-se parte essencial de sua identidade.

Frequentador assíduo da Galeria do Rock e da loja Eric Discos, em Pinheiros, Claudio desenvolveu um olhar crítico sobre a cena musical. Posteriormente, assinou coluna no jornal Cotia Agora, dedicando-se principalmente a críticas de shows.

Ele também levou sua bagagem cultural para programas como Artnight Cultura Noturna, no YouTube, e o quadro 10+1, no Instagram, onde compartilha histórias e curiosidades do universo musical. “Muitas vezes nem programo o que vou falar; são memórias acumuladas de anos de rock and roll”, afirma.


Após O Infinito em Nós, Claudio publicou As Diversas Fases do Tempo (1991), obra mais sentimental e introspectiva, revelando amadurecimento na escrita. Já Flores de Inverno (1994) apresentou um romance adolescente de viés espiritual, indicando nova fase criativa.

Sua participação na 13ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, em 1994, ainda jovem e tímido, foi marcante. “Percebi que não era o meu momento ainda”, reconhece.

Com o tempo, a poesia deu lugar ao romance. Embora ainda publique versos — como em Poesias Para Uma Noite Solitária (2023), lançado digitalmente —, Claudio se define hoje como romancista. “Passei pela fase de poesias. Hoje me dedico a romances de terror, amor ou policial.”

Em 2017, lançou O Cemitério do Bosque, romance de suspense com elementos apocalípticos. A trama acompanha quatro jovens que tentam impedir que forças demoníacas dominem uma região estratégica para a conquista da Terra. A narrativa envolve personagens complexos, como o Padre Enda, amaldiçoado por trair Cristo; Sinne Lelie, fada líder de bruxas; e Anderson, herdeiro de uma linhagem envolvida na morte de entidades malignas.

A obra abriu caminho para Contos e Lendas da Escuridão (2020), que vendeu mais de dois mil exemplares. O sucesso ocorreu mesmo durante a pandemia, quando eventos presenciais foram cancelados. Claudio investiu em divulgação direta, promoções com brindes e vendas pessoais em pontos icônicos como a Galeria do Rock e a Woodstock Discos.

Já Cidade de Prata (2024) enfrentou entraves contratuais e atrasos editoriais. O lançamento contou com incentivo da Lei Paulo Gustavo, permitindo ao autor adquirir exemplares próprios para comercialização. A obra foi apresentada em espaços culturais como o Open Mall The Square, o Café Quanti e a Biblioteca Batista Cepelos, em Cotia, onde vendeu cerca de 800 cópias.

Claudio observa que, no modelo independente, o autor arca com custos de produção, mas mantém 100% do lucro das vendas. Em editoras tradicionais, por outro lado, recebe entre 3% e 19% do valor de capa.

Para ele, o mercado brasileiro ainda enfrenta resistência cultural à leitura. “Só de você dizer que é escritor, muitas pessoas torcem o nariz. Nem mesmo pessoas próximas compram seus livros.”

Ao comparar com Estados Unidos e Europa, aponta maior tradição leitora nesses países, onde autores estrangeiros encontram melhor acolhida.

Sobre o avanço tecnológico, o escritor é categórico: considera a inteligência artificial “o maior retrocesso para a arte”. Para ele, há diferença essencial entre o dom criativo e a geração automática de textos. “Uma coisa é escrever durante um ano; outra é dar um comando e ter um livro em cinco minutos. Não tem sentimento.”

Apesar disso, reconhece o valor de ferramentas tecnológicas como corretores automáticos e editores digitais. “Jamais a tecnologia substituirá o ser humano”, sentencia.

Diante dos índices de não leitores no Brasil, Claudio manifesta preocupação. Ele cita a frase de Nelson Rodrigues — “Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade” — para ilustrar o risco da superficialidade interpretativa.

Para o escritor, a solução começa na infância: “A leitura deve vir desde pequeno. Os pais precisam incentivar os filhos. Caso contrário, perderemos uma das maiores formas de cultura da humanidade.”

Embora reconheça a solidão do ofício literário — “o escritor é o sujeito mais solitário no meio artístico” —, Claudio valoriza o contato público em eventos e apresentações. Ainda assim, afirma que as páginas em branco sempre serão preenchidas, independentemente das circunstâncias.

Se precisasse definir qual faceta mais se destaca atualmente, Claudio não hesita: “O romancista.” Ele se orgulha especialmente do impacto de suas narrativas, como o comentário de uma leitora que recomendou ler Contos e Lendas da Escuridão “com uma vela e um crucifixo na mão”.

Aos jovens que desejam ingressar na literatura, aconselha: “Seja criativo, deixe preconceitos de lado e esteja sempre do lado certo da história. Um livro é muito mais do que papel; são histórias que mudam vidas.”

Ao encerrar a conversa, Claudio Magalhães faz um apelo em defesa da cultura independente: “Sigam artistas underground, apoíem, comprem seus produtos, assistam às apresentações. Há muita gente talentosa que precisa de visibilidade.”

Entre o romance e o rock, entre a solidão da escrita e a exposição pública, Claudio Alexandre Magalhães segue fiel à própria essência: contar histórias que provoquem reflexão e inquietação — e que resistam, como ele, ao tempo e às transformações do mundo contemporâneo.


Contatos:

Telefone: 98991-4627 E-mail: crivampir@gmail.com 

Site: https://universodaescurida.wixsite.com/universodaescuridao 

Stephanie: https://www.wattpad.com/story/257729647-stephanie Poesias: https://www.wattpad.com/story/257729647-stephanie 

Facebook: Claudio Alexandre Magalhaes 

Instagram: cri.magalhães 

 Artnight cultura noturna Claudiomagalhaesoficial 

Youtube: https://www.youtube.com/@Artnightculturanoturna 


Johann Peer é Jornalista responsável sob o n°65.158 MTB/SP e também vocalista e letrista da banda PEER & INUMANOS.

Loss consolida força no rock e metal nacional em noite histórica da turnê “Discipline Of Doom”, dividindo palco com lenda do doom metal mundial.

 Banda mineira divide palco com lenda do doom metal e reforça projeção internacional em apresentações marcantes em São Paulo e Sorocaba. A b...