Panorama Cultural Johann Peer

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Marília Zangrandi (EUDÓXIA): Uma celebração litúrgica entre sombras, fé e Rock


 


Na noite de 24 de janeiro, o Red Star Studios, na Rua Teodoro Sampaio, deixou de ser apenas um espaço de ensaio e gravação para se tornar palco de uma experiência artística densa, visceral e profundamente simbólica. 


 Entre sombras, fé e rock: Este foi o set list onde Marília Zangrandi (Eudóxia) transforma o Red Star Studios em rito cênico-musical.

Onde à frente do espetáculo, Marília Zangrandi, em sua persona artística Eudóxia, conduziu o público por uma travessia sonora e emocional que transitou entre o rock, o teatro e a espiritualidade, costurando referências clássicas e contemporâneas com uma entrega cênica rara.


Desde os primeiros acordes de “Smoke and Mirrors”, ficou claro que não se tratava de um show convencional. A canção abriu o repertório como um manifesto: ilusões, máscaras e verdades fragmentadas, refletidas não apenas na música, mas também na postura corporal e na interpretação intensa de Eudóxia. Em “There’s No Chance”, o clima ganhou contornos mais dramáticos, reforçando a sensação de conflito interno e inevitabilidade que permeou toda a apresentação.


Um dos momentos mais impactantes da noite veio com “Gethsemane”, em que a referência bíblica foi ressignificada como metáfora do sofrimento humano, da dúvida e da entrega. A interpretação de Marília Zangrandi foi carregada de emoção, sustentada por uma performance vocal potente e ao mesmo tempo vulnerável, arrancando do público um silêncio atento, quase reverencial.


A escolha de “Homem com H”, de Ney Matogrosso, trouxe um respiro provocativo e libertário ao espetáculo. Longe de soar deslocada, a canção dialogou com o conceito do show ao exaltar identidade, coragem e transgressão, reafirmando a força do corpo e da expressão como linguagem política e artística.


Canções como “The Chest” , “Still My Bleeding Heart” e “The Song” aprofundaram o clima introspectivo, explorando feridas emocionais, memórias e afetos expostos sem concessões. Em “Life Is a Lemon” e “Under the Sun”, o tom crítico e existencial ganhou força, refletindo sobre frustrações, sobrevivência e resistência em um mundo cada vez mais árido.


O medley dedicado a Ozzy Osbourne funcionou como um elo direto com a tradição do rock, evocando suas raízes mais sombrias e contestadoras, ao mesmo tempo em que reforçou a versatilidade de Eudóxia como intérprete. O encerramento com “The Angel” selou a noite com uma atmosfera quase litúrgica, misturando redenção, transcendência e despedida, deixando no ar uma sensação de catarse coletiva.


Mais do que um espetáculo musical, a apresentação de Marília Zangrandi (Eudóxia) no Red Star Studios foi uma obra artística completa, onde repertório, interpretação e conceito caminharam juntos. Um evento que não apenas impactou o público presente, mas também reafirmou o poder da música como linguagem estética, emocional e simbólica — capaz de provocar, inquietar e, sobretudo, transformar.


*Johann Peer para o blog Panorama Cultural em colaboração com Isabella Miranda-Assessoria publicada 

em Janeiro de 2026.

Sete Chacras: o peso da terra, a fúria do tempo e o rock como território de solar resistência.

 






A banda Sete Chakras ativa desde os anos 2000 com forte presença na cena de rock autoral da Brasilândia e zona norte/oeste de SP. Suas músicas e letras poéticas abordando cenários urbanos e vivências do cotidiano. 

 

No vasto e por vezes árido cenário da música independente paulista, a banda Sete Chakras emerge como um organismo vivo, enraizado na terra e atento aos ruídos do mundo contemporâneo. O nome, por si só, já evoca imagens de espaço, pertencimento e conflito: chacras como território, como medida ancestral, como símbolo de disputa e sobrevivência. É a partir dessa metáfora que a banda constrói sua identidade sonora e estética — um Blues Rock denso, visceral e comprometido com o presente.


A sonoridade da Sete Chakras transita entre o peso das guitarras e a precisão rítmica, sem abrir mão da organicidade. Há uma tensão constante entre o controle técnico e o caos emocional, como se cada música fosse um embate direto entre razão e instinto. O baixo sustenta o chão — firme, pulsante — enquanto a bateria conduz com levadas que oscilam entre a brutalidade e a sutileza, criando espaços para que as guitarras rasguem o ar com riffs ora cortantes, ora atmosféricos.


As letras são um capítulo à parte. Longe de discursos rasos ou panfletários, a Sete Chacras aposta em narrativas que dialogam com o indivíduo e o coletivo ao mesmo tempo. Há críticas sociais, reflexões existenciais e imagens quase cinematográficas, que convidam o ouvinte a atravessar paisagens internas e externas. A palavra é tratada como ferramenta de confronto, mas também de escavação — como quem revolve a terra em busca de algo esquecido ou oculto.


No palco, a banda transforma som em presença. A performance é direta, sem excessos, mas carregada de intensidade. Cada integrante parece compreender o espaço como extensão da música, criando uma relação física com o público. Não há distanciamento: a Sete Chakras toca como quem ocupa um território, afirmando sua existência a cada acorde. O resultado é um show que não se limita ao entretenimento, mas propõe experiência e impacto.


Inserida no circuito independente, a Sete Chakras carrega o espírito do faça-você-mesmo não como limitação, mas como escolha estética e política. A autonomia artística se reflete na coerência do trabalho, na forma como a banda constrói sua trajetória sem abrir mão da identidade. Em um cenário marcado por algoritmos, tendências descartáveis e consumo rápido, o grupo aposta no tempo, na escuta atenta e na força do conteúdo.


Sete Chakras não é apenas uma banda; é um gesto. Um gesto de quem entende o rock como linguagem viva, capaz de dialogar com a realidade social, com a memória e com o futuro. Em cada música, a banda reafirma que ainda há espaço para profundidade, peso e verdade na música independente paulista — desde que se esteja disposto a fincar os pés no chão e encarar o mundo sem concessões.


*Discografia e Músicas:


A banda tem focado no lançamento de singles e sessões ao vivo trazendo atualmente na sua formação Leny (Voz),Ritchie Ray (Guitarra solo),Vitinho (Guitarra base). Lafa d’Meyer (Contrabaixo) e Téo Russo Júnior (Bateria).

Algumas das músicas registradas da Sete Chakras incluem: 

Ouro & Blues (música citada em bastidores de estúdio)

Cidade das Máquinas

A Soma

A Metrópole

Lar Doce Bar (registrada ao vivo) 

O Sol (registrada ao vivo na Fábrica de Cultura Brasilândia), sendo que esta última será lançada no Red Star Studios em São Paulo, dia 31/01 ás 21:00h tendo como convidada a banda Santubali com a participação mais que especial da cantora revelação da música autoral brasileira, Caiary.Não percam!

E, bora de ROCK AND ROLL 🔥 🎸 🎼

 🎵 🎶 🤘 





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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Entrevista Drenna Rock no Panorama Cultural por Johann Peer



1) Vocês se lembram quando e como foi o primeiro contato com a música de cada um, especialmente com o velho e bom Rock and Roll? 

A música chegou antes de virar escolha, ela simplesmente estava lá. Minha mãe sempre ouvia Michael Jackson e foi assim que nasceu meu interesse pela guitarra. Um dia eu vi um vídeo em que o Slash fazia uma participação especial no show do Michael Jackson e me apaixonei pela forma que ele tocava guitarra, naquele momento percebi que era isso que eu queria pra minha vida.


2) Na  iniciação com as artes, principalmente a música, vocês  contaram com apoio da família e amigos?

Cada integrante da banda tem uma história diferente em relação a isso. No meu caso, sempre tive apoio e incentivo. Sabemos que seguir uma carreira artística no Brasil exige muita insistência e, para todos nós da banda, o apoio da família foi se fortalecendo com o tempo. Ele se tornou mais sólido quando a música deixou de ser apenas um “sonho” e passou a ser trabalho, estrada e responsabilidade.


3) Como surgiu a banda Drenna Rock? E quais as  principais influências e referências musicais de cada um de vocês e que conjuminaram  dentro da proposta e formação da banda?

A Drenna nasceu da necessidade de dizer algo próprio. De transformar vivência em som. As influências passam pelo Rock nacional e internacional, grunge, alternativo, punk, música urbana. Cada integrante carrega uma bagagem diferente, e é justamente esse encontro de referências que molda o som da banda: Rock com identidade brasileira, contemporâneo e autoral.


4) Quando, onde, e como  foi  a  primeira apresentação da banda Drenna e como foi a receptividade junto ao público com esta única formação?

A primeira apresentação aconteceu de forma crua, sem grandes produções. Foi em um evento de bandas underground no subúrbio do Rio de Janeiro. Eu tinha algumas músicas guardadas na gaveta e, naquele momento, ainda não existia uma banda autoral formada. Quando soube do festival, resolvi me inscrever mesmo sem banda. Juntei alguns amigos, mostrei as músicas e fizemos um ensaio.

Foi ali que percebemos que a banda funcionava ao vivo. A receptividade foi intensa, o público se conectou rapidamente com a proposta e com as letras e por conta disso resolvemos continuar.





5) A banda Drenna ROCK tem feito um grande número de apresentações pelo Brasil em grandes eventos e festivais como o ROCK IN RIO.Qual foi a sensação de terem se apresentado para um grande público e um evento deste porte? E qual expectativa para este ano, já que tem ROCK IN RIO novamente?

Tocar em um festival como o Rock in Rio é uma experiência surreal. Ao mesmo tempo em que você sente o peso da história e a grandiosidade do evento, também vem uma responsabilidade enorme de estar à altura daquele palco. É a confirmação de muitos anos de trabalho, insistência e escolhas feitas ao longo do caminho.

Estar em grandes festivais é sempre muito especial porque não é apenas sobre tocar para quem já acompanha a banda e conhece o nosso som, mas também sobre alcançar um público completamente novo, que muitas vezes tem ali o primeiro contato com a nossa música, ao vivo. É uma oportunidade única de conexão, de ampliar horizontes e de mostrar quem somos em poucos minutos, mas com muita intensidade.

Para este ano, a expectativa é seguir crescendo, ocupando espaços cada vez maiores e levando o nosso Rock autoral para ainda mais pessoas. Se o Rock in Rio voltar a acontecer na nossa trajetória, queremos subir naquele palco ainda mais preparados, com mais estrada, mais identidade e a mesma entrega de sempre.


6) A banda já lançou quais e quantos álbuns? Qual foi o lançamento mais recente e há previsão de um novo trabalho em breve?

Temos dois álbuns e alguns singles lançados. O primeiro foi Desconectar e o segundo, Cisne Negro, que é também o nosso trabalho mais recente em formato de álbum e representa uma fase importante de amadurecimento artístico da banda, tanto musicalmente quanto conceitualmente.

Depois desse lançamento, seguimos apresentando novos caminhos com os singles “Aliens” e “Só o Tempo Irá Dizer”, ambos acompanhados de videoclipes, reforçando a nossa preocupação em unir música e linguagem visual.

No momento, estamos trabalhando em dois novos singles e também na produção de um novo álbum, com lançamento previsto ainda para este ano. A ideia é aprofundar ainda mais a nossa identidade e explorar novas sonoridades, sem perder a essência do Rock que nos trouxe até aqui.


7) A Drenna Rock tem planos de fazer parcerias com Artistas e Bandas do cenário independente?Se sim,  ou não e porque?

Sim, temos planos e acreditamos muito em parcerias. Já vivenciamos isso no álbum Cisne Negro, na música “A Busca”, em parceria com Kauan Calazans. Essas trocas são importantes não só artisticamente, mas também para ampliar diálogos e conexões.

Novas parcerias já estão a caminho. A cena independente se fortalece na troca, e o Rock cresce quando caminha junto, somando vozes, ideias e experiências.


8) Como vocês enxergam o Rock brasileiro das décadas de 80, 90 e início dos anos 2000, em comparação com o cenário atual, em que outros gêneros ganharam protagonismo? O que falta para o Rock voltar a ocupar o espaço e o protagonismo  de antes? 

O Rock das décadas de 80, 90 e início dos anos 2000 contou com muito mais espaço na mídia e nas grandes plataformas de divulgação. Hoje, o cenário é diferente: outros gêneros ganharam protagonismo, mas o Rock não desapareceu. Ele segue vivo, talvez ainda mais diverso, plural e livre, justamente por estar fora do mainstream.

Para voltar a ocupar um lugar de maior destaque, o Rock não precisa repetir fórmulas do passado. Precisa dialogar com o presente, refletir as questões do seu tempo, ocupar novos espaços e se comunicar com novas gerações, sem perder a sua essência.

É exatamente isso que buscamos fazer com a Drenna: construir pontes entre tradição e contemporaneidade, ocupar esses espaços e manter o rock em constante movimento.





9) O Rock nasceu de raízes negras e femininas com Sister Rosetta Tharpe, mas historicamente sempre foi associado ao masculino e ao “universo branco”. Na opinião de cada um, houve avanços nessa questão? Como quebrar paradigmas ainda existentes? E qual o papel das mulheres e das comunidades LGBTQIA+ no Rock atual?

Houve avanços, mas ainda há muito a caminhar. O Rock nasceu negro, feminino e rebelde. Resgatar essa origem é quebrar paradigmas. Mulheres e pessoas LGBTQIA+ têm papel fundamental no Rock atual: trazendo novas narrativas, novos corpos e novas estéticas. O palco precisa refletir o mundo atual e real.


10) Em termos de cena independente e autoral, quais são as principais diferenças e desafios do Brasil em relação à Europa e aos Estados Unidos? O que ainda precisa melhorar para fortalecer o mercado nacional? 

No Brasil, o desafio é estrutural: menos investimento, menos políticas culturais contínuas e menos espaço na mídia. Em compensação, a criatividade é absurda. Para fortalecer o mercado nacional, precisamos de mais circulação, apoio à cena local e valorização do artista autoral.

Nossa cena é muito rica.


11) Para quem ainda não conhecem o trabalho da banda, definam a Drenna Rock:

A Drenna é rock brasileiro autoral, visceral, urbano e contemporâneo. As letras nascem da nossa vivência, do que pensamos, observamos e sentimos no dia a dia. Falamos sobre inquietações, conflitos internos, relações humanas e o mundo ao nosso redor, sempre de forma direta e honesta. No palco, isso se transforma em entrega, intensidade e conexão.


12) Para finalizar: qual mensagem vocês gostariam de deixar para seus fãs, seguidores e leitores do Rock Brasileiro Underground?

Para quem vive o rock: continuem. Criem, ocupem espaços, formem redes, não esperem permissão. O rock sempre foi resistência, e enquanto houver gente sentindo, pensando e questionando, ele vai continuar vivo.


Por Johann Peer Jornalista responsávelsob o n°65.158 MTB/SP e  também, vocalista e compositor da banda PEER & INUMANOS.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

WAGNER GRACCIANO: A MÚSICA COMO ESPELHO DA ALMA HUMANA



Entre guitarras, fé, ciência e conflito interior, o músico brasileiro Wagner Gracciano compõe uma das narrativas conceituais mais densas da música contemporânea.


Um artista, uma obra, uma pergunta essencial

O que acontece quando a música deixa de ser apenas som e passa a ser consciência?

 Essa é a questão que atravessa a trajetória de Wagner Gracciano, compositor, guitarrista, produtor, diretor musical e arranjador brasileiro cuja obra transita entre continentes, estilos e, sobretudo, camadas profundas da experiência humana. De São Paulo aos Estados Unidos, dos palcos universitários aos grandes estúdios internacionais, Gracciano construiu uma carreira marcada pela versatilidade técnica, pelo rigor estético e por uma inquietação artística rara.

Mais do que lançar discos, Wagner cria universos narrativos. E é exatamente isso que ele faz em The History of Mark Beck (2024), seu segundo álbum solo: Um mergulho conceitual que transforma música em dramaturgia sonora, e o ouvinte em testemunha de uma jornada psicológica, espiritual e social.


Raízes, formação e o início de uma linguagem própria

Desde cedo, Wagner Gracciano demonstrou interesse por diferentes linguagens musicais. Ainda no Brasil, participou de projetos universitários voltados à cultura brasileira, dialogando com a música erudita, popular e contemporânea. Nesse período, trabalhou com maestros consagrados, como o saudoso Jarbas Cavendish, experiência que contribuiu para seu refinamento como arranjador e compositor.

Essa base sólida se reflete em sua capacidade de transitar com naturalidade entre jazz, blues, rock progressivo, música clássica, soul e metal, sem jamais soar disperso. Pelo contrário: há uma assinatura clara em sua obra, marcada por escolhas harmônicas ousadas, senso narrativo e atenção obsessiva aos detalhes de produção.


Across the Universe (2013): o primeiro voo autoral

O primeiro grande marco de sua carreira solo veio em 2013, com o álbum Across the Universe. O disco foi recebido com entusiasmo pela crítica nacional e internacional, revelando um músico capaz de dialogar com diferentes tradições musicais sem perder identidade.

Ali já estava presente uma característica que se tornaria central em sua obra: a música como viagem sensorial. Cada faixa parecia abrir uma paisagem diferente — ora contemplativa, ora densa, ora explosiva — sempre guiada por guitarras expressivas e arranjos sofisticados.


Estados Unidos: reconhecimento, produção e expansão artística

Impulsionado pela repercussão positiva de seu trabalho, Wagner se mudou para os Estados Unidos em 2016, onde mergulhou na cultura local e rapidamente conquistou espaço como produtor musical. Seu talento foi reconhecido com os prêmios de “Música Internacional” e “Produtor do Ano” no Prayze Factor Awards.

Nos EUA, Gracciano passou a atuar como produtor, músico de estúdio e diretor musical, trabalhando com nomes de peso como Ben Reno (Lady A., Loretta Lynn) e Adair Daufembach (Tony MacAlpine, Kiko Loureiro, Angra). Também assumiu a direção musical da banda Mix Drive Machine, uma das mais requisitadas do circuito corporativo norte-americano.

Paralelamente, colaborou com artistas de diferentes cenas — do R&B ao country, do gospel ao metal progressivo — incluindo Cleveland P. Jones, Cyrus DeShield, Shola Emmanuel, Tyrone Steel Band, entre outros. Essa vivência multicultural ampliou ainda mais sua paleta criativa.


O retorno ao autoral e a maturidade artística

Em 2022, Wagner retomou com força sua carreira autoral, revisitando Across the Universe em uma série de vídeos playthrough que evidenciaram não apenas sua técnica, mas a evolução de sua visão artística.

O passo seguinte viria dois anos depois — e em escala muito maior.


The History of Mark Beck (2024): música como romance psicológico

Lançado em agosto de 2024, The History of Mark Beck não é apenas um álbum: é uma obra conceitual completa, estruturada como um romance musical. Com 11 faixas, o disco acompanha a trajetória de um personagem fictício — Mark Beck — cuja construção simbólica é uma das mais sofisticadas da música brasileira recente.

O nome é uma alusão direta a Mark Knopfler e Jeff Beck, guitarristas que influenciaram Wagner, e também a Macbeth, de Shakespeare, ampliando o diálogo com a tragédia clássica.


O personagem: fé, mente e contradição

Mark Beck é um homem em conflito. Um astro que ascende rapidamente, cai com a mesma velocidade e se perde entre vícios, doenças psicossomáticas como depressão e bipolaridade, e uma busca desesperada por sentido. Sua conversão ao cristianismo não surge como solução mágica, mas como mais uma camada de tensão.

Aqui, Wagner faz uma escolha ética e artística importante:

A doença mental não é tratada como fraqueza espiritual, mas como parte da condição humana — exigindo tanto acolhimento espiritual quanto tratamento médico.

Essa abordagem dá ao disco uma densidade rara, ao mesmo tempo crítica e empática.


Um disco que questiona líderes, sistemas e dogmas

Ao longo da narrativa, o álbum estabelece diálogos simbólicos entre homem, Deus e diabo, expondo a fragilidade humana diante de líderes religiosos, políticos e ideológicos que se aproveitam do desespero coletivo.

Importante destacar:

 🔹 o cristianismo aqui não é dogma nem instituição;

 🔹 Cristo surge como presença humana, real, libertadora — não como instrumento de controle;

 🔹 a crítica é direcionada ao uso da fé como ferramenta de poder, e não à espiritualidade em si.

Essa distinção, sustentada por contexto, letras e arranjos, fortalece o discurso artístico do álbum.


A música como espelho emocional

Uma das maiores virtudes de The History of Mark Beck é a forma como ritmo, estilo e ordem das faixas acompanham o estado psicológico do personagem. Blues, soul, hard rock, heavy metal, jazz, pop e rock progressivo surgem não como colagem, mas como linguagem narrativa.

Cada estilo representa uma fase emocional — como se a trilha sonora fosse o próprio fluxo de consciência de Mark Beck.


Faixa a faixa: a jornada sonora

The Swing (Mark Beck’s Preface)

O álbum se abre como um filme: sons de rua, atmosfera distópica, memória e culpa. Um blues rock carregado de metais, piano e órgão, que apresenta um personagem caído, cancelado, ferido. A interpretação de Cleveland P. Jones traz humanidade a esse início sombrio.

Chaos

Uma suíte progressiva que atravessa hard rock, metal, jazz fusion e balada acústica. Aqui, Mark se alia ao sistema que antes o rejeitou. Androides, clones e corrupção simbolizam a mente fragmentada e a sedução do poder.

The Meeting

A primeira grande balada. Clássica e soul, fala do encontro com o amor como experiência quase espiritual. Piano e órgão de Charles Judge elevam a faixa a um momento de respiro e beleza.

The Ceremony

Soul, R&B, jazz e rap se encontram para narrar a falsa conversão. A música soa quase gospel, mas esconde sua ironia: a fé usada como espetáculo e manipulação. O rap de Chozen é um ponto alto conceitual.

Black Mind

Sombria, eletrônica e densa, representa a mente em colapso. Sussurros, riffs pesados e easter eggs de discursos históricos constroem um retrato inquietante do fanatismo.

Let Them Go

O manifesto. Hard rock direto e furioso contra líderes opressores. Aqui, o disco atinge seu centro moral.

Infinite Future

Talvez a faixa mais emotiva. Violoncelo, piano e letra profunda falam sobre depressão, suicídio e esperança. Ciência e fé caminham juntas como possibilidades de cura.

Fury

Metal moderno, agressivo e técnico. O sistema reage contra quem tenta se libertar. Musicalmente explosiva, conceitualmente crítica.

I’m Here

Balada pop acústica, delicada e fúlgida. Um momento de reconciliação, perdão e amor. A interpretação de Cleveland P. Jones é tocante.

Settlement of Scores

Um duelo teatral entre Mark Beck e o diabo. R&B, metal e dramaturgia se misturam em um diálogo pujante, quase operístico.

The Father

O encerramento épico. Rock progressivo em sua forma mais sensorial. Um resumo emocional de toda a obra, conduzindo o ouvinte a um desfecho catártico.


Produção, colaborações e excelência técnica

O álbum conta com músicos de altíssimo nível, como Carlos Zema, Cleveland P. Jones, Charles Judge, Alex Wright, Michael Webb, além da mixagem e masterização impecáveis de Adair Daufembach. O resultado é um disco coeso, poderoso e internacional em sonoridade.


Opinião fundamentada

The History of Mark Beck é mais do que um álbum conceitual: é um discurso artístico maduro, que dialoga com questões urgentes da contemporaneidade — saúde mental, fé, poder, identidade e liberdade. Wagner Gracciano não oferece respostas fáceis, e justamente por isso sua obra é relevante.

📌 Fato: musicalmente, o disco é sofisticado e bem produzido.

 📌 Opinião: artisticamente, é uma das narrativas mais corajosas e humanas lançadas nos últimos anos.


Um convite à escuta profunda

Disponível em todas as plataformas de streaming, The History of Mark Beck não pede apenas audição — exige atenção, entrega e reflexão. É um disco para ser vivido, não apenas ouvido.

Wagner Gracciano reafirma, com sua obra, seu lugar como um criador de experiências sonoras e um dos Artistas mais inquietos e relevantes de sua geração.


Johann Peer é Jornalista responsável pelo número 65.158 MTB/SP e também vocalista e compositor da banda PEER & INUMANOS.

EMANNO ROCK BRABO:A NOVA SENSAÇÃO DO NOVO ROCK AUTORAL NACIONAL





 Boa noite, boa noite, aqui é Johann Peer, estamos aqui direto do Motoclub, Cavaleiros do Asfalto, onde vai ver a show de três superbandas do Rock Autoral Paulista, 3 Loucos, Listem, finalizando o Peer e Inumanos e aqui estamos com um grande convidado especial, que é um grande artista da cena Rocker, direto do bairro de Pimentas Guarulhos, (de onde também saíram para o mundo os saudosos componentes do grupo Mamonas Assassinas), e futuramente do Brasil e do mundo, Emanno ROCK Brabo.Gravem bem esse nome galera: Emanno ROCK Brabo!


 EMANNO ROCK BRABO:Salve, salve galera!Aqui é o Emanno Rock Bravo, diretamente de Guarulhos City para o mundo, hein! Agora eu estou em São Paulo, primeiro lugar aí de expansão, mas em breve estarei no Brasil e mundo, hein galera! Tamo junto! 


 Nos conta, como foram os primórdios da sua vida lá atrás, e qual foi sua primeira impressão com a música? 


EMANNO ROCK BRABO: A minha primeira impressão com a música, acredito, foi quando era criança, né? Porque meu pai tinha uns discos lá em casa, lá, daqueles discos de vinil, bem antigos, o que me influenciou bem, me fez, como posso dizer, ser educado musicalmente, né?


Através do meu coroa, através de meu pai, tinha um disco do Queen também, meu tio também, tinha um cd do Charlie Brown Jr., que colocava pra escutar quando era criança, então meio que a música sempre estava comigo, e não só o rock, tipo, forró, sertanejo, música evangélica também, tanto que eu comecei a tocar na igreja, né, quando eu comecei a tocar, então, a música ela sempre esteve no meu DNA, desde que eu era criança. 


Então, partindo dessa premissa, vamos dizer que as suas primeiras influências musicais, principalmente no Rock, que é o que você faz tão bem, atualmente, foram o Queen e o Charlie Brown, correto? 


EMANNO ROCK BRABO:E eu sempre aprendo um pouco com cada músico. Eu não sou preso a um estilo só. As minhas músicas, se você perceber, cada uma tem uma vibe e é tipo um quebra-cabeça. Quando vou fazer o meu show, uma música se complementa com outra, vai juntar as peças. Eu ainda não estou com quebra-cabeça completo.

Estou ainda escolhendo o repertório, escolhendo as letras que eu vou colocar no meu show, no show definitivo, né? Da minha próxima turnê, Amor e Rock'n'Roll. Mas quem já assistiu o meu show vê que uma música, ela conta uma história, onde Emanno Rock Brabo veio de Guarulhos, conheceu uma garota, se apaixonou por essa garota. Essa garota foi morar em Ribeirão, depois não acabou dando certo, mas tem outros peixes no mar. Essa daí, que é a história do meu show, sabe?

Amor e Rock'n'Roll, estamos juntos, porque o nosso amor é Rock'n'Roll. 


Como foi que você obteve o seu primeiro incentivo, na sua adolescência, qual foi sua primeira experiência com o público como Artista, para chegar ao patamar que você está hoje, sabendo que você já é uma realidade:


EMANNO ROCK BRABO:Como artista, sim foi algo que descobri recentemente há dois anos atrás não era algo da adolescência. Quando era adolescente eu só estudava.Fazia nível médio pela manhã, fazia curso técnico a tarde e outro curso técnico a noite.Minha vida era só estudar mas já tocava um pouco de violão.Mas minha vida como artista começou há dois anos atrás foi bem recentemente.


Como foi essa descoberta no que tange a carreira artística para você, Emanno?


EMANNO ROCK BRABO:Então, eu namorava uma menina uma garota a gente acabou terminando. A minha vida quando a estava namorando era pra ela. Aí quando terminou aquele romance eu falei, pô meu, o que vou fazer agora? Então, recordei que sempre escrevi poemas na escola e pensei: Porque não transformo meus poemas em música? Aí até na música Amor e Rock AND ROLL tem um verso em que canto assim:Revisitando os meus poemas, do nosso amor eu lembro. Porque foi através dos meus poemas que comecei a escrever minhas músicas há dois anos atrás.O despertar p’ra surgir o Emanno ROCK Brabo, foi que o Emanoel morreu após o termino daquele relacionamento, e nasceu uma nova pessoa: Emanno ROCK Brabo o novo astro do ROCK AND ROLL!!


Emanno, conte-nos como foi o seu primeiro show, conte-nos sobre como foi a sua primeira experiência da sua estréia nos palcos:


EMANNO ROCK BRABO:Meu primeiro show foi na Ton Ton Jazz onde cantei para apenas três pessoas me assistindo. Mas, foi muito especial para mim porque foi um lugar onde comecei a perder a vergonha do público. Para mim foi até bom eu ter me apresentado apenas para essas três pessoas, que inclusive me acompanham e me apoiam até hoje, talvez se eu tivesse me apresentado para um grande público logo de primeira, eu poderia ter me “queimado” com um grande público. Eu fui crescendo aos poucos, onde o primeiro show tinha três pessoas, a segunda apresentação tinha vinte pessoas, na sequência cantei para cem pessoas, depois cantei para duzentas pessoas e mais recentemente acabei me apresentando para mais de 400 pessoas que inclusive o Peer foi.(N.R.Festival Canta Juventude de Guarulhos realizado dia 07/06/2025 no Teatro Adamastor em Guarulhos).


Emanno ROCK Brabo, essas três pessoas que te acompanham até hoje são multiplicadoras do seu seu caminho, visando atingir o caminho do sucesso e seu reconhecimento como Artista e também te auxiliando seu processo de amadurecimento e aprendizado, correto?


EMANNO ROCK BRABO:Sim, com certeza ajudou muito no meu processo de crescimento, aprendizado e amadurecimento, não só como Artista, mas como pessoa também.


Soube que você despontou também através da entrevista, que inclusive eu tive o prazer de ver e que você foi entrevistado pela Kaká Schwartzmann jornalista e apresentadora muito talentosa e competente, uma profissional do jornalismo musical e cultural muito gabaritada, que é uma grande porta vozes na disseminação do novo ROCK AUTORAL NACIONAL, através do projeto de descobrir, entrevistar, e lançar artistas e Bandas de ROCK em todos os seus gêneros e vertentes por todo o Brasil, inclusive, de adentrar o Guiness Book com o recorde de entrevistar 1000 artistas e Bandas.Conte-nos Emanno como foi que você conheceu a Kaká, como foi a entrevista e qual música você cantou, por favor?


EMANNO ROCK BRABO:Cantei várias, inclusive ROCK AND ROLL NO APARTAMENTO.


Sim, ROCK AND ROLL NO APARTAMENTO, que foi a que gostei e me identifiquei e através dela tive oportunidade de conhecer melhor o seu trabalho.Mas me fala em relação a Kaká por favor.


EMANNO ROCK BRABO:Então, como conheci a Kaká foi em uma ocasião aonde teve uma palestra que assisti promovida pela Associação Cultural Guarulhos do ROCK, infelizmente que hoje se encontra meio parada eles não estão fazendo muitos projetos. Nessa data eles levaram a palestra , eles levaram “Os Caminhos do ROCK” para lá. Projeto interessante, não tinha apenas a Kaká, mas tinha o Pompeu da Korzus, o Régis Tadeu, o Daniel Gerber, eles dão palestras sobre o business do Rock, aí conheci essa galera que são os gigantes do ROCK, e eles abriram a minha mente, no sentido de me preparar, de profissionalizar o meu trabalho artístico. Eu estava bem no início bem no início mesmo tinha feito apenas três shows, mas ali naquele momento apareceu na hora certa.


Foi uma espécie de start para sua carreira?


EMANNO ROCK BRABO:Sim, eu já tinha startado mas me ajudou profissionalmente. Ai marquei essa entrevista com a Kaká, ela falou que estava querendo entrevistar artistas e Bandas…então fui ao hotel que ela mora ou morava em São Paulo fiz a entrevista e mostrei minhas músicas para ela e nessa entrevista a própria Kaká falou que tinha gostado muito de ROCK AND ROLL NO APARTAMENTO.

Então a história do Rock'n'roll no apartamento é a seguinte: Eu fui levar uma ex-namorada minha lá no meu apartamento, tinha uma vizinha lá que o nome dela era Clarita. Aí ela ficou interfonando direto lá no meu apartamento e ficava falando que estavamos fazendo barulho, não sei o que… Aí beleza, passou um tempo… Aí uma vez eu estava almoçando Aí veio bem uma inspiração, que eu lembrei dessa história, da vizinha que estava interfonando no meu apartamento lá Pra reclamar lá da gente, um dia que eu levei essa minha ex-amorada para o meu apartamento.Aí só tinha um guardanapo na minha frente. Aí eu pensei e falei, vou pegar esse guardanapo e escrever a letra dessa música, eu escrevi e surgiu o refrão:” Eu fui fazer um Rock'n'roll lá no apartamento, A vizinha reclamou, truta que momento, A cama balançando e a vizinha reclamar Desculpa dona Clara, o Rock não pode párar!”


Após essa entrevista que você fez com a Kaká Schwartzmann do Crash TV e Tour ROCK Brasil, me conta o que mais aconteceu, como foi a evolução da sua carreira como Artista?


EMANNO ROCK BRABO:Aí, eu fui fazer um show de estreia lá no House of Legends, inclusive aqui nesse dia você foi, no House of Legends, e você me conheceu lá na Vila Madalena. E o César? Não, o César a gente se conheceu depois em Guarulhos. Aí, você me conheceu lá no House of Legends, aí, tipo assim, eu fui fazer o lançamento dessa música, né? Aí eu falei, meu, eu quero fazer um lançamento de impacto. Aí eu chamei , aí eu falei assim, eu quero alguém da minha banda favorita, que é o Charlie Brown Jr. Aí eu chamei o Pinguin, que era o batera, segundo batera do Charlie Brown. Ele topou fazer o show, a gente fez o show lá no Legends, deu muito bom.

O pós evento no House Of Legends, tanto a nível de repercussão como de obtenção de material ficou muito bom, consegui um material incrível, fotos. Fez um barulho na internet legal, tal. E o próximo passo seria fazer, superar esse show. Eu pensei, como que eu vou superar esse show? Eu cheguei no Kique, né, da Crazyland, que também tinha tocado nesse show aí, do House of Legends. E falei pra ele, eu quero superar esse show. Aí a gente escolheu um lugar, o La Iglesias. A gente falou assim, vamos fazer no La Iglesias, que é uma casa top e tal. E a gente vai conseguir fazer lá. Então, nós fizemos um show lá, deu bom também você foi. O Clemente (Inocentes e Plebe Rude) também participou do show que foi fantástico. E o resto é a continuação da história. E show a show a gente está crescendo. 



Como você teve referências no Rock nacional feito nos anos 80 e 90 o que você vê de diferença entre o Rock feito naquele período e o Rock feito atualmente? E o que é necessário para ROCK feito hoje voltar ao status de protagonismo exercido entre os anos 80 e 90?


EMANNO ROCK BRABO:O ROCK de hoje eu vejo como nos anos 60 e 70 onde os grandes artistas e bandas tinham que fazer a sua própria história deles desde o seu início de carreira, tinham que garimpar, aí chegou no auge .Onde surge uma banda phodástica, onde o ROCK volta a ser protagonista da cena e fica nesse ciclo indo e voltando.A última banda que fez história no Brasil que è falado no Rock nacional foi o Charlie Brown Jr, onde vai fazer 15 anos que o Chorão morreu está próximo dessa data.E, acredito que está na hora de surgir algo novo, um Artista, uma banda nova, talvez seja eu…talvez seja mais alguém…está na periodicidade do ROCK…o ROCK não morreu…ele nunca acaba …o ROCK sempre reaparece, parece que sumiu da mídia mas ele sempre volta…Acredito que eu possa ser o protagonista da minha geração no quesito de ROCK porque essa galera que está me escutando no SPOTIFY está na faixa etária entre 18 e 30 anos e até quem é fã de outros estilos como:Rap,Funk,Forró escuta minha música e dizem gostar do meu som e, do outro lado por incrível que pareça infelizmente dentro do próprio Rock, uma galera extremista de um som mais pesado mais sujo do gênero do Death metal, (não todos mas alguns), arranjaram treta comigo meio que me atacando de graça no Instagram.Mas, fora isso em geral estou sendo bem aceito pela maioria das galera e do público, por exemplo quem vai pagar os ingressos dos meus shows,estou sendo bem visto e bem aceito nessa galera mais secular.Minha filosofia é conseguir ao menos um novo fã por dia , um seguidor por dia. Se eu conseguir um fã por dia ou até mais vou aumentar bastante meu nível de base de fãs onde uma hora eu terei muitos e muitos fãs.


Emanno, como você vê a questão da Inteligência Artificial em relação a tomar o espaço da criatividade e da inspiração do Artista, do Compositor , haja vista 30% das músicas hoje nas plataformas de streaming são feitas pela I.A.Te preocupa essa situação?


EMANNO ROCK BRABO:Não me preocupa de forma alguma pois a I.A. não cria nada do zero.Me preocuparia que ela aprende com outro artista, ela emula o jeito que o Artista, escreve e faz.Mas, a I.A. não irá substituir a criatividade e a inspiração do Artista.Porque a I.A. ela está programada para fazer algo que já existe, que alguém já fez.Mas, o ser humano não, porque ele já vem dotado da sua mente criativa. E, a partir do momento que a I.A. conseguir criar algo do zero, aí já não será mais uma inteligência artificial, uma máquina, ela se tornou um ser vivo aí seria um ser vivo mesmo tendo um corpo de metal.A inteligência artificial o nome já diz é artificial, mas a partir do momento que esses robôs conseguirem criar algo do zero pensar como um ser humano já não é mais inteligência artificial, já se tornou um ser vivo na minha humilde opinião.


Mas, para você Emanno não deveria ter uma proteção para os artistas e, principalmente compositores de obter uma proteção maior para tua obra no que tange a questão de Direitos Autorais quando do uso das mesmas nas plataformas de formas de streaming principalmente com o advento e uso da Inteligência Artificial no caso de emular ou recriar em cima destas mesmas obras?


EMANNO ROCK BRABO:Censurar a I.A. eu sou contra. Por exemplo, se ela utilizou de base da composição de fulano, beltrano, siclano para fazer uma música o autor deveria receber uma porcentagem em dinheiro daqueles streaming que estão rodando.Eu não acho que deveremos ser contra a Inteligência Artificial porque no futuro por exemplo quando a terra ficar sem recursos, o que pode ajudar a gente seria no caso robôs máquinas irem buscar recursos em outros planetas para o ser humano.É o início de uma era que no futuro, bem tecnológica.Por exemplo, se a Inteligência Artificial utilizou de base o Peer para criar uma música, e essa música fez sucesso o Peer deveria receber os devidos Direitos Autorais, um percentual como compositor também. Acredito que seja assim e deveria ser assim mas eu não dou contra o uso da Inteligência Artificial.


Como você concebe o ROCK feito lá fora em contraponto com o ROCK feito aqui no Brasil, se você acredita haver muita disparidade, e o que precisa ser melhorado aqui dentro principalmente na cena underground e independente.(Nisso aparece o Juliano, guitarrista da banda PEER & INUMANOS a nos cumprimentar-N.R):


EMANNO ROCK BRABO:Se for nos Estados Unidos por exemplo, um Artista como no nível como eu aqui no Brasil, ele já estaria com agenda de shows completa se apresentando todos os dias como Seattle, vários lugares dos EUA. por exemplo pois lá existe um circuito underground e independente solidificado e profissionalizado.Aqui, com a Associação Consciência Cultural, através do Fabrício Ravelli, que já vivenciou e se apresentou como músico em diversas bandas de renome nos Estados Unidos, já veio de lá com essa mudança de mentalidade para implementar e nos trazer para a cena underground e independente uma nova perspectiva capacitando e profissionalizando Artistas e bandas da nossa cultura ROCK que não tem espaço na mídia, com agenda cheia, tocando em muitos palcos viajando por vários lugares, vivendo única e exclusivamente da sua arte, da sua musica.Essa é a grande diferença que vejo entre os EUA e o Brasil no que tange ao movimento e a cena da música underground e independente onde lá existe consolidação e profissionalismo enquanto aqui infelizmente a atividade da música ainda é vista por grande parte da sociedade como hobby, onde existe aquela pergunta clássica:”Além da música, no que você trabalha?”,pior ainda,é quando o Artista ou Banda não está naquele patamar de estar na grande mídia, na TV global, por exemplo, ou não recebe aporte de grandes mecenas e é tido e visto como vagabundo, pela maioria das pessoas, e do contingente da sociedade, infelizmente.


Que você diria para a atual juventude e para as gerações vindouras, que sonham em mergulhar no universo da música e da arte, Emanno?


EMANNO ROCK BRABO:Siga seus sonhos, lute pelos seus sonhos, não liga para o que os outros vão falar, o que as pessoas vão achar de você seguir no mundo da música, da arte no começo é difícil em qualquer lugar, mas siga o seu sonho, simplesmente faça a sua música e já é.


Emanno, para finalizar deixe uma mensagem para o blog do PANORAMA CULTURAL, que agradece a sua receptividade e atenção, a oportunidade a nós concedida (onde você é o primeiro entrevistado), para a sua base de seguidores e fãs, milhares de fãs:


EMANNO ROCK BRABO:Ah sim, gostaria de agradecer muito a vocês do blog do PANORAMA CULTURAL por essa matéria e, também ao meu público que são incríveis. É incrível o que essa galera faz apoiando, comprando camiseta, escutando o nosso trabalho no SPOTIFY , onde por exemplo, “ROCK NO APARTAMENTO” chegou a 15 mil streaming é algo do outro mundo, outro mundo não tenho palavras para agradecer, é simplesmente surreal essa galera é apenas o começo do nosso trabalho mas eu sei que vai dar certo aliás já deu certo.


 Obrigado grande EMANNO ROCK BRABO e, bora de ROCK AND ROLL!!!

Johann Peer é Jornalista responsável pelo número 65.158 MTB/SP e também vocalista e compositor da banda PEER & INUMANOS.

THE FINAL SHOW OZZY OSBOURNE/BLACK SABBATH




A histórica despedida de Ozzy Osbourne e Black Sabbath dos palcos no festival “Back to the Beginning”.

Um adeus épico à altura de lendas, onde o Black Sabbath formado em 1968, é considerado um dos grandes pais do Metal na História da música contemporânea, atravessando e influenciando gerações. Um espetáculo marcado por emoção, peso, nostalgia e uma verdadeira celebração da história do Rock e do Metal mundial.

O mundo do Rock viveu um momento histórico e inesquecível no último fim de semana: o derradeiro show de Ozzy Osbourne, encerrando oficialmente sua carreira solo e também colocando um ponto final na trajetória do Black Sabbath, justamente em sua cidade natal, no lendário estádio do Villa Park, em Birmingham, Inglaterra.

O evento, batizado de Back to the Beginning, fez jus ao nome ao reunir em um único festival algumas das maiores bandas do planeta e uma constelação de artistas que representam várias gerações do Rock e do Metal. Mais do que uma despedida, o festival foi uma ode à herança musical deixada por Ozzy — e do Black Sabbath à sua brilhante e controversa carreira tanto como frontman da histórica e icônica banda, bem como em sua carreira solo.

Um Line-up Monumental:

No palco principal, desfilaram gigantes como Metallica, Guns N’ Roses, Slayer, Tool, Pantera, Alice in Chains, Mastodon, Rival Sons, Lamb Of God, Halestorm, Anthrax, Gojira, entre outros pesos-pesados. Além das bandas, o festival contou com supergrupos formados exclusivamente para esta ocasião, com participações especiais que só um evento deste porte poderia proporcionar.

Entre os nomes que dividiram os holofotes em homenagem a Ozzy, destacaram-se: Steven Tyler (Aerosmith), Billy Corgan (Smashing Pumpkins), Sammy Hagar (Van Halen), Tobias Forge (Ghost), Whitfield Crane (Ugly Kid Joe) e Yungblud nos vocais, além de uma seleção de guitarristas lendários como Tom Morello (Rage Against the Machine), Nuno Bettencourt (Extreme), Ronnie Wood (Rolling Stones, Faces), Scott Ian e Frank Bello (Anthrax), Vernon Reid (Living Colour), K.K. Downing (ex-Judas Priest), Adam Jones (Tool) e Andrew Watt (produtor de Ozzy e outras estrelas do rock atual).

Nos contrabaixos, nomes icônicos como Rudy Sarzo (ex-Ozzy, Whitesnake, Dio) e David Ellefson (ex-Megadeth) trouxeram peso e técnica. A cozinha rítmica também foi brilhantemente representada por Mike Bordin (Faith No More, ex-Ozzy), Danny Carey (Tool), Travis Barker (Blink-182), Chad Smith (Red Hot Chili Peppers) e II (Sleep Token). Nos teclados, Adam Wakeman — fiel escudeiro de Ozzy nas últimas décadas — completou o time estelar.

Brasil representado:

O Brasil também marcou presença de forma notável neste capítulo final da história de Ozzy e Black Sabbath. Logo na abertura do festival, o baterista Eloy Casagrande (Slipknot, ex-Sepultura, Gloria, Andre Matos) fez uma participação especial, sendo ovacionado pelo público. Outro brasileiro, João Nogueira, também integrou a equipe como músico de apoio, reforçando a conexão global da música pesada.

Um legado eterno — e solidário

Mais do que uma celebração, o evento teve também um caráter beneficente. Todo o lucro arrecadado foi destinado a três instituições de caridade: Cure Parkinson’s, Birmingham Children’s Hospital e Acorn Children’s Hospice, refletindo o lado humano por trás do Madman- “Príncipe das Trevas”.

O show final de Ozzy foi uma jornada emocional, com clássicos como “Crazy Train”, “Mr. Crowley”, “No More Tears”, “Mama, I’m Coming Home” e, claro, a frente do Black Sabbath, dando voz pela última vez à músicas icônicas da história do Metal e também do Rock mundial como: “Paranoid”,”Iron Man” “N.I.B.” e “War Pigs” eternizando o momento com a voz trêmula, mas ainda poderosa, de um artista que atravessou gerações com autenticidade e intensidade.

Back to the Beginning não foi apenas um festival. Foi um rito de passagem. Um adeus digno de um rei junto ao Black Sabbath, uma das bandas mais lendárias e inesquecíveis de toda a história do Metal e do Rock que redefiniu todo um conceito com seu estilo próprio marcante, que através das suas obras nos deixa um valoroso quanto definitivo legado, que será perpétuo enquanto a humanidade existir. Um momento único para quem presenciou. Um ponto final que ecoará como riff eterno na memória do rock.

*Matéria realizada em 09 de Julho de 2025, e publicada pelo Blog Rock Brasileiro Underground

O Duo de sucesso e pura Arte:Dagui Guyzzo e Wagner Rosa

 


                  

A cada ano a afinada e uníssona parceria musical se consolida ano após ano das terras bonfinenses para o mundo. Dagui Guyzzo é Wagner Rosa, ambos artistas baianos com ampla e expressiva experiência musical. Ela, soteropolitana cantora e compositora foi campeã no I Festival de Música como intérprete. Ele, bonfinense e sete discos gravados. Experienciam uma simbiótica interação musical de muito sucesso e prestígio tocando fundo o sentimento do público cada vez mais fiel e crescente por onde passam e se apresentam. Com vasto e variado repertório recheado de ritmos e estilos no universo da MPB, do forró ao samba, do reggae ao axé. Acreditam na simplicidade como a melhor forma de traduzir o luxo que enriquece a sonoridade musical que reproduzem, buscando sempre uma nova leitura e concepção em cada execução. O duo crêem também que a música é um instrumento de cura e libertação, por isso destacam que a qualidade e o bom gosto devem estar sempre presente a cada nova apresentação, e buscam pautar tanto nos arranjos das canções quanto na qualidade e plasticidade dos figurinos. Ambos além de músicos, cantores e compositores também são atores e participam ativamente da articulação e coordenação Executiva Movimento de 11 milhões de Produtores Culturais, como forma de objetivarem maior democratização dos saberes, dos fazeres e criação de espaços através da reivindicação de melhorias de políticas públicas para o contingente dos artistas e produtores culturais de todo o país, respeitando suas identidades e singularidades regionais ao mesmo tempo em que trazem a reflexão para a sociedade, principalmente no período da crise sanitarista e pós pandemia no país, para que a classe artística seja respeitada, reconhecida e valorizada em seus direitos com o um todo, especialmente o produtor cultural solitário seja dos rincões do sertão ou das periferias das grandes metrópoles, e não apenas restrito a uma pequena parcela elitizada e midiática de artistas famosos e pelo nome. Dagui Guyzzo e Wagner Rosa, além de representarem o orgulho e a fiel tradução do sentimento do povo e território bonfinense, acumulam importantes conquistas e honrarias em suas carreiras e além de se apresentarem em diversos meios de comunicação da mídia física e digital também se apresentam em outros Estados do país, caracterizando o duo de muito talento, reconhecimento e sucesso. Atualmente estão lançando o seu mais novo single que já se tornou sucesso e está na boca do povo. A música que é carro chefe do seu mais novo trabalho fonográfico: ”Inocente” de autoria dos Compositores e Artistas: Johann Peer e Guda Monteiro.


Johann Peer é Jornalista responsável pelo número 65.158 MTB/SP e também vocalista e compositor da banda PEER & INUMANOS.




O Papa do Rock

 


O Papa do Rock é marca registrada na devoção de encapar o espírito de liderança na cena independente e underground guarulhense e paulistana.O batismo de fogo nos palcos se deu na banda Cem por cento Trash. Aos 14 anos, sacramentou-se de vez na liturgia do Rock And Roll,frequentando semanalmente a Galeria do Rock, ponto de referência e muitas trocas de informações, além de aquisição de vinis,camisetas e acessórios em geral.

Foi em uma dessas idas a Galeria, que avistara um anúncio de uma banda de Rapcore, a M.T.B. a procura de vocalista. O Papa do Rock,com algumas fichas, ligou do orelhão para a banda, já combinando o próximo ensaio e fazer a audição. O ensaio foi marcado para um sábado no estúdio localizado na Av.Paulista ás 13:00h. Mas, a ansiedade era tamanha que ele chegou no local as 10:00h. Ele alega que nunca gostou de se atrasar aos seus compromissos, principalmente Rock And Roll. As 13:00h, chegaram os componentes da banda, que o cumprimentou, pois que se tinha que plugar os cabos,e passar o som e mostrar a que veio. Feito o teste, passaporte para o sacro palco carimbado.

“Foi um ano de duração e uma experiência fora do comum, pois eles já tinham contato com bandas expressivas da época e já tocavam muito ,eram músicos, enquanto eu com 14 anos começava a engatinhar. Infelizmente por desentendimentos entre membros a banda acabou”

Ao fim da M.T.B ,o Papa Rocker, parecera ficar um pouco fora de sintonia de atuar em bandas, mas nunca deixou de pesquisar, de conhecer sobre as bandas que faziam sucesso dentro e fora do Brasil, nativas e internacionais.

O Papa do Rock nos conta que: ”então junto com um amigo chamado Eraldo (éramos iguais irmão), ele já manjava mais do que eu de bandas e som e um outro grande amigo (que por sinal faleceu semana passada chamado Danilo) que sabia tudo de Rock And Roll, íamos sempre a galeria do Rock comprar Vinil e ver as novidades da cena Rocker, nessa época vi pela primeira vez o Fabião, vocal da banda punk Olho Seco,comprei muito vinil na mão dele. Ainda na galeria comecei a ver muitos cartazes de bandas que vinham fazer tour no Brasil, bandas nacionais, o movimento punk no auge ,o estilo Thrash crescendo, muitas bandas boas em São Paulo, a cena mineira do metal e eu absorvendo tudo desse mundo fascinante do Rock And Roll e suas vertentes”.

Segundo o Papa do Rock, essa fase durou quase uma década ,quando era vocalista da Korpus Secos, e durante as apresentações, a platéia os confundiam com o Olho Seco, ele detestava aquela comparação, pois ali era o Korpus Secos.Gravaram uma demo ao vivo no estúdio do Marcelo baterista da banda Portrait no bairro do Tatuapé.Fizeram alguns shows em Guarulhos e em seguida a banda terminou. Nesse mesmo ano de 1996, época da edição do festival Close Up Planet que tinha como atração principal o Sex Pistols ,o Papa do Rock afirma:”que eu já tinha em mente o projeto da banda H.I.V.,projeto no qual eu dei nome e assumi os vocais e composições e pensei :vou montar minha própria banda porquê sei que não vou acabar com ela ,esta na ativa até hoje.”

Com a H.I.V foram lançados dois álbuns:Sendo que o primeiro chama-se Terceiro Millenium,e o Segundo A Kara do Brazil Desordem e Regresso e o álbum Subversivo que será o terceiro da carreira está parado em estúdio e o Papa do Rock pretende termina-lo ainda esse ano ,com produção ao vivo e fazer as prensagens do disco como era antigamente.

O Papa do Rock conta que também vivera uma fase como apresentador de programas de Rock que fazia entrevistas e apresentava as bandas ao vivo.Ele diz que o nome do projeto foi copiado e mudou para Live In.Produzidos pelo Japão, baixista da Pisykoze .

O lendário líder do Rocker paulista, também comandou por anos o Programa Invasão do Rock Pocket show na Rádio. Atualmente o Papa do Rock, atua na TV Subversiva e TV Black Sampa.

Johann Peer é Jornalista responsável pelo número 65.158 MTB/SP e também vocalista e compositor da banda PEER & INUMANOS.




ARTE PARA EMPODERAR A DIVERSIDADE FUNCIONAL

 



“Vivemos em luta constante contra o capacitismo, que é o preconceito contra pessoas com deficiência, classificado pela ONU como tão nocivo quanto o racismo ou a misoginia.A arte faz as pessoas com deficiência mais proativas, empoderadas, conscientes de seus direitos e protagonistas do próprio destino. Temos muito orgulho de participar desse processo”. Assim o vocalista Dudé, da «Entidade Blues» resume seu papel como artista e ativista no palco da vida. A banda participou do tributo à lendária Made in Brazil. Ele lembra que a banda nasceu depois de arrematar uma garrafa de Red Label. “Parte dos grupos de Rock, ou de Blues, trabalham suas temáticas sempre bebendo da mesma fonte, o porre que maninhos nunca tomaram, gatinhas que os coitados nunca pegaram ou turnês que eles nunca fizeram.” revela o cantor. Ele diz acreditar que «o artistabrasileiro, que trabalha com som autoral, fechou-se num mundo de fantasia ainda estacionado lá no pseudo Sex, Drugs e Rock And Roll que “já não diz respeito a ninguém e com boa parte desse pessoal confundindo crise da meia - idade com rebeldia”. A Entidade Blues procura trabalhar temas como empoderamento e espiritualidade. A banda recebeu como uma honra o convite para participar do Tributo ao Made in Brazil. "Participar de homenagem a uma das bandas que você assistia aos shows, quando era moleque, é gratificante demais! Quanto à visibilidade que estamos ganhando nesse curto espaço de tempo, isso se dá pelo fato que descrevi anteriormente: a Entidade Blues escreve músicas que dizem respeito ao que as pessoas vivem atualmente, como anseios, revoltas e até espiritualidade”. O vocalista ressalta que, por ser adepto da Umbanda, fala um pouco sobre essa religião em músicas, derrubando muitos tabus nesse sentido também. “Não adianta montar uma banda pra viver a fantasia de ser um Rockstar que, simplesmente, não existe. Você precisa tocar as pessoas ao invés de passar uma imagem de tiozão malvado que não convence mais ninguém”. completa. No que tange a questão da problematização da deficiência, ele afirma que é necessário naturalizar a pessoa portadora de necessidades especiais, ao invés de transformá-lo em espetáculo. A conscientização sobre a pessoa com deficiência é tão importante e se faz mais necessária que nunca. A partir dessa conscientização é que o debate sobre as necessidades e deveres como cidadãos podem ser aplicadas, por exemplo, às políticas públicas.

“A luta precisa passar através da naturalização da imagem da pessoa com deficiência através de um debate maduro e da ocupação de espaços para que o restante da população não só se acostume com nossa presença, mas que participe também de discussões como acessibilidade e mercado de trabalho por exemplo», defende o artista ativista. Ele lembra que sem Lei de Cotas, a situação estaria muito pior, como já estava há 30 anos atrás. “Nenhuma lei é perfeita e as cotas necessitam passar por reformulações, inclusive no tocante a sua aplicação. Descartar ou menosprezar a lei de cotas, colocando a culpa 100% nela, é desconhecer historicamente a luta e a situação das pessoas com deficiência no Brasil nas últimas três décadas”, destaca.

“Nenhuma funciona sozinha e é por causa disso que sou tão favorável à conscientização seguida da proteção legal. Para tanto, para extinguir as dicotomias e distorções, no que dse refere ao uso e implementação de novas políticas públicas, voltadas para os cidadãos portadores de deficiência e mobilidade reduzida no país, se faz primeiramente necessário, olhar a pessoa com deficiência como um ser humano igual a qualquer um, simples assim”, explica Dudé.

Para ele, a cultura tem sido uma poderosa arma de inclusão e conscientização. “Temos pessoas com deficiência nas mais diferentes linguagens artísticas, como Billy Saga e Yzalú na música, Daniel Gonçalves no cinema, Marcos Abranges na dança, entre outros. Cada um trabalhando sua arte para gerar uma naturalização dos corpos das pessoas com deficiência através de espetáculos, shows, documentários e conteúdo digital”, ele cita. “Não existe pessoa com mais, ou menos, deficiência. A proteção da lei vale tanto para mim, que tenho má formação congênita, quanto para a pessoa com deficiência auditiva que, a princípio, não parece ser PCD.

Na verdade, não é um paradoxo, mas outro fruto da deturpada visão capacitista", ressalta o vocalista, para finalizar que é importante “uma maior conscientização não apenas com relação ao outro, mas com relação a nós mesmos também, sem tabus ou rótulos pré-concebidos. Só assim, teremos uma sociedade mais igualitária e mais justa.

Johann Peer é Jornalista responsável pelo número 65.158 MTB/SP e também vocalista e compositor da banda PEER & INUMANOS.

Capitão Albatroz:Sigam-me os bons!Nós vamos vencer!

 



Capitão Albatroz gravou e lançou o primeiro álbum (Nós vamos vencer!) em 2021, com direito a CDs e camisetas, graças à lei Aldir Blanc. Superaram os 20k de streamings com Deezer e Spotify. Destaque nos principais portais de notícias de Guarulhos e o som deles toca regularmente em rádios. O band leader Gilberto de Sucesso conta que, recém-nascido, seria levado para uma lata de lixo. Foi adotado por uma mulher economicamente miserável. Poucos anos depois ela conheceu um homem pobre, viúvo, com 07 filhos. “Eles adotaram outras 05 crianças. Éramos 12 no total e meus pais, analfabetos. Grande exemplo de humanismo. Faleceram, eu ainda adolescente. Só, me criei na quebrada e não me tornei criminoso. Mantive os bons valores e caráter herdados de meus pais. Onde quero chegar? Não existem vítimas da sociedade. Sou um exemplo vivo, não sou super-homem ou gênio. Mas com esforço, estudo e trabalho duro consegui vitórias importantes na vida.”

Gilberto se uniu a um velho amigo, o baterista Vanucchi, em uma pastelaria de Nova Cumbica, periferia de Guarulhos, com o intuito de montar uma banda para um trabalho autoral com seriedade, mais o tecladista Sandro e o baixista Valdeci, ao final de 2019. Chegaram a passar um som, mas logo em seguida veio a pandemia. Já o nome surgiu da sua ideia de grandeza: “Algo que vai de A a Z com a pronúncia marcante, a maior ave marítima do planeta, mas também tem u m personagem forte para dar mais carisma, o Capitão Albatroz (um meta humano com corpo e roupas inspirados no Guile de Street Fighter e a cabeça de um Albatroz de sobrancelhas negras).

Todos têm opiniões, religiões e pontos de vista diferentes. Com muito respeito! “A sociedade brasileira atual é muito sensível e frágil. Qualquer bocejo que alguém faz já é logo acusado de racista, machista, feminista, socialista, capitalista, direitista, esquerdista, homofóbico, heterofóbico... hoje em dia tá p#od@!!! Então eu procuro trazer para a banda minhas composições que falam sobre amor, superação e otimismo, muita poesia, conteúdo inteligente e minhas experiências sentimentais e, principalmente, de superação”.

“O som da Capitão Albatroz, tem muita influência do rock nacional dos anos 80, que por sua vez tem referências do rock internacional da época (hard rockamericano e europeu). Então nos definimos basicamente pop hard rock anos 80/90. É claro que somando as particularidades de cada músico (do MPB ao Metal etc.) e um pouco de tempero moderno na produção temos a sonoridade exclusiva da Capitão Albatroz, mas cabemos em playlists com Capital Inicial,Legião, Golpe de Estado, Plebe Rude e Ira!”

“Tive bandas nos anos 90 chegando a gravar uma demo com a Cruz Letal e outra com a Meujael, participei de alguns festivais importantes como o CarnaRock. Por questões familiares e trabalho, fiquei longe da música por 10 anos, mas a música nunca nos abandona, eu voltei em 2018 determinado a viver de música e prosseguir realizando esse sonho.”

Eles possuem uma live no seu canal do Youtube e agendam shows. O clipe oficial de "Vou viver" será lançado em 11/02/22 no Youtube e conta com participação de vários artistas e apresentadores do underground como Tay (Perdidos do Rock), Milharal (Invasão do Rock), Jeff (Smash Addans) e vários outros. A banda integra o coletivo Nova Era do Rock (@novaeradorock) que promove união e divulgação de bandas independentes através de uma revista semanal em vídeo, um programa de rádio e uma playlist, a Jukerocks.

Gilberto de Sucesso também faz parte do Núcleo de Música Autoral do Conservatório de Guarulhos, coletivo de compositores que já fizeram shows importantes na cidade através desse núcleo. "Inclusive, eu sugiro que a equipe da Revista possa criar uma playlist para ajudar a divulgar a música Da Quebrada, com os artistas entrevistados. Seria ótimo!”

“Das décadas de 80 a 2000 o rock alcançou as galáxias. Paralamas, Titãs, Capital, Raimundos, Mamonas, Angra, Sepultura, Metallica, Nirvana, Guns, etc.

Eu ouço muitas bandas independentes e tem muito material bom (fotos,músicas, clipes, shows). Coletivos como o Nova Era do Rock e iniciativas como a Revista Da Quebrada ajudam muito. Minha música diz sobre o que eu vivo: superação, amor e otimismo. Como diria um famoso herói: “Sigam-me os bons!Deus nos abençoe.Nós vamos vencer!”


Johann Peer é Jornalista responsável pelo número 65.158 MTB/SP e também vocalista e compositor da banda PEER & INUMANOS.

W.TEDE SILVA:"CASTRO ALVES É O POETA DA LIBERDADE"




W. Tede Silva lança campanha para que o poeta baiano deixe de ser apresentado como"poeta dos escravos" e seja aclamado como "poeta da liberdade".

"Castro Alves é o poeta da liberdade, do povo e do mundo, sempre atual pois seu canto contra a opressão poderia ser ouvido hoje em todo o lugar onde exista um ato, um protesto, uma manifestação". A declaração é do multi-artista franco-brasileiro W. Tede Silva, que lança a partir de Paris (onde fundou há 15 anos o Institut International Culturel Castro Alves) um movimento para que o autor baiano deixe de ser

chamado de forma reducionista como "poeta dos escravos" e seja sempre aclamado como o "poeta da liberdade".Quando se completa 150 anos da morte do poeta, que partiu desta vida aos 24 apenas, W.Tede Silva lembra que no mundo muitos aprendem o português por admirar Fernando Pessoa, inclusive existindo pacotes turísticos para visitas aos caminhos e lugares em que esse poeta viveu em Portugal.

"Precisamos incentivar o mesmo em relação a Castro Alves. O Brasil tem muitos bons poetas,mas aquele que se revelou mais humano, por sentir, sofrer e cantar a vida dos mais humildes, dos oprimidos e escravizados, esse foi o poeta baiano, cuja poesia será sempre atual em um mundo desigual ou como memória de tristes relações que não devemos repetir. Sem contar que existem inúmeras formas de escravidão,como a do consumismo, das drogas, da rotina,do fanatismo". Filho de de família humilde, como a maioria dos brasileiros, (pois temos mania de pensar que o rico é o mais próximo, ele lembra).

Tede Silva tem muito orgulho de suas raízes e origens. "Somos privilegiados, por parecermos brancos, em uma terra que discrimina as pessoas pela cor da pele, quando na verdade todos somos de origens africanas", ressalta ele.

"De acordo com o multi-artista, todos em menor ou maior grau temos raízes na África, de onde aqueles que seriam seus grandes personagens e personalidades foram sequestrados e trazidos para o Brasil. O franco-brasileiro ressalta que sempre se interessou pelo poeta mas foi em São Paulo, onde viveu e teve grandes encontros, que achou também em um sebo um livro sobre a passagem de Castro Alves pela cidade, onde o poeta se inspirou para escrever seu épico Navio Negreiro e onde ele sofreu o acidente que o obrigou a amputar uma perna e o levou à morte, meses depois, em Salvador. Entre as diversas particularidades que fazem do baiano o poeta síntese da nacionalidade e do universalismo, Tede Silva lembra que ele viveu o Brasil plenamente, de Salvador ao Recife, do Rio de Janeiro a São Paulo, além de beber na fonte de influências como o francês Victor Hugo, autor de "Os miseráveis", grande épico que trouxe ao universo da literatura os mais humildes, perseguidos e marginalizados. Castro Alves foi republicano no último país monarquista das Américas, foi abolicionista em uma terra deescravos, foi laico em um tempo de poder religioso, foi feminista em uma sociedade patriarcal. E seria no século XX, se vivesse, um bandleader, um artista como Raul Seixas, Cazuzaou Renato Russo, pois em seu tempo foi performático, declamava suas poesias, tinha estilo e paixão pelo que fazia e vivia", completa.W. Tede Silva promove diversos eventos na Europa em torno da obra de Castro Alves, dando continuidade a uma "parceria" que começou no Brasil, onde lançou o CD independente mais vendido, em 2001, com o poeta na capa, ao lado de outros grandes humanistas. "Quando voce vive em outra terra diferente, voce participa de um duelo de inteligências, em que voce representa toda uma civilização. E criamos o Institut Castro Alves por considerar muito reducionista resumir o Brasil a um único esporte e seus jogadores bilionários ou à sexualização". A ONG tem diversos projetos para divulgar os aspectos positivos do Brasil e W. Tede Silva parabeniza a revista da Quebrada por "como o poeta baiano e universal, ser uma voz da maioria sacrificada, silenciosa mas esperançosa, fundamental para que tenhamos um sentido na vida e um planeta melhor para as novas gerações.Tede Silva finaliza esta declamando:

“Viva o Poeta da Liberdade e parabéns a Revista da Quebrada!". Também cineasta,Tede Silva realizou "Tudo São Referências,Tudo São Memórias"(2007), em homenagem à Paulicéia, “Matrículas Abertas, Vagas Limitadas"(2011), um filme sobre a defesa da diversidade, com a participação de atores de diversas nacionalidades, e recentemente "Piratage 2.0", sobre a precariedade de trabalho nas plataformas digitais.

*Matéria publicada na edição de n°12 da Revista da Quebrada de Guarulhos-SP em Setembro de 2021.


Adson do Brito Velho: A Filosofal Arte de Professar a História de Salvador





 Este é o Professor de História, Filósofo, Psicólogo, Teatrólogo e Tec. Turismo, Adson Brito do Velho, egresso da periferia de Salvador, mais precisamente do bairro da Cidade Nova. Diretor teatral, com montagens nos palcos baianos: “A Falecida”, texto clássico de Nelson Rodrigues, “A Vingança do Padre”, “Almas Acorrentadas”, “Diários de Psicopatas”, dentre outros. Quando criança, com uns 9, 10 anos de idade, todas as noites, ia para casa do seu avô Otacílio, que morava próximo, e ele contava episódios sobre a História do Brasil. Eram histórias fantásticas, que o encantavam e que depois, já adulto, descobrira que não eram verdadeiras. Este, mostrava objetos e artefatos antigos, citando personagens históricos, como Zumbi e Tiradentes, dizia que os conhecerá pessoalmente, dentre outras fantasias, que Adson ainda garoto, ficava fascinado, querendo ser professor e fazer as pessoas “viajarem”, bem como “viajava” nas histórias maravilhosas do avô Otacílio. Mas, destacam-se os seus pais (In Memorian), Rosália e Alberto, que eram semianalfabetos, mas priorizaram os meus estudos. E a escolha e confirmação para ser professor, quando criança, ganhara do seu pai um quadro negro com uma caixa de giz. A partir dali, não tivera mais dúvidas, em relação à profissão a seguir. O ofício de lecionar para o Prof. Adson, é extremamente prazeroso. Lecionar para ele, é quase orgástico. Aos discentes, os convida para uma troca de experiências e saberes, onde também, aprende muito com eles. De início, chegam desmotivados, mas vai trabalhando e despertando a consciência crítica do ato de aprender. Diz que: "estamos ali, não apenas para aprendermos História, mas para fazermos parte da História. Sermos agentes ativos no processo de transformação". Trabalha com a realidade de cada um deles, dentro das possibilidades cabíveis. Como por exemplo, solicitara a uma classe de alunos que pesquisassem sobre as belezas de seus bairros. Muitos se queixavam a dizer que seus locais aonde residiam não tinham nada de positivo a oferecer. Só haviam pontos negativos como: tráfico, violência, discriminação, e exclusão. Recentemente, pedira que eles pesquisassem a história dos bairros que eles moram. Muitos lhes diziam: “meu bairro não tem nada de interessante, só violência”, “onde moro, só tem o tráfico de drogas”, dentre outras respostas. Insistira na pesquisa, encorajando-os, que, em todas as comunidades, apesar das mazelas, problemas sociais graves, haveriam coisas maravilhosas, que muitas das vezes, não são divulgadas por parte da imprensa. Dessa feita, Uma aluna, lhe testemunhou: “professor, moro há 62 anos na Liberdade, e não conhecia quase nada do meu bairro. Estou apaixonada pela história do meu bairro!” O Professor de História crê que: a família é de uma importância fundamental no processo de educação dos jovens. "Infelizmente, muitos pais, acreditam que matriculando e mandando o jovem para o colégio, já fizeram a sua parte. A realidade é outra: é preciso acompanhar, sentar e dialogar com os professores, e filhos, orientar, saber o que pensam, seus medos, angústias, planos dos seus pequenos”. Prof. Adson, quer passar o legado que e a educação, os estudos, a escolha da carreira, o saber direcionar a sua vida, a escolha dos seus valores, são importantes para todo o sempre. “Educação é uma arma poderosa, que transforma vidas, sonhos e realidades. E nunca foi verdadeiramente valorizada pelos nossos governantes, pois eles têm medo que o povo tome consciência da sua força, dos seus direitos, passe a questionar, cobrar e dar o troco nas urnas. Afinal, a quem interessa um povo sem consciência política dos seus direitos, do seu espaço, do apagamento proposital da sua história?” Questiona. Professor Adson, mantém um grupo no Facebook, chamado Salvador Tem Muitas Histórias, onde conta as origens dos bairros da capital baiana, dos monumentos históricos da nossa Bahia, e de lendas urbanas da nossa cidade, como a Mulher de Roxo, o Guarda Pelé, Jayme Figuram dentre outros. Milhares de pessoas, de todo o país e vários lugares do mundo, que curtem o grupo, nascente no momento mais complicado e crítico da pandemia, e em função do isolamento social, resolvera criar algo para enfrentar o momento pandêmico e também ajudar pessoas que estavam em casa, sem muitas opções nas redes. E segundo o mesmo, a aceitação foi imediata, muitas pessoas se identificaram, agradeceram, dizendo que foi o melhor presente durante a pandemia, que redescobriram sua terra. Sem falar que servira para matar as saudades dos que estavam/estão em todos os cantos do país e do mundo. A partir daí, passara ser requisitado para os jornais da cidade, entrevistas quinzenais para o programa Metrópole Turismo 101,3 FM. D Filosoficamente, Adson, não acredita que somos produtos do meio, mas somos influenciados. Assim como, influenciamos também, o meio em que vivemos. Acredita que, o meio é produto do nosso fazer, do nosso construir, e como disse Geraldo Vandré, em “Pra Não Dizer que Não Falei de Flores”, “quem sabe a faz a hora, não espera acontecer”. Sobre seus futuros projetos diz: Em primeira mão para a Revista da Quebrada: Ele está escrevendo um texto de teatro, sobre as lendas urbanas da velha salvador (Mulher de Roxo, o andarilho Jayme Figura, a primeira travesti assumida da Bahia, que foi Floripes, dentre outras personas).E finaliza esta com as seguintes reflexões: O blog PANORAMA CULTURAL está de parabéns, pois é um serviço de utilidade pública, prima pela qualidade, seriedade e principalmente ética, no trato da notícia, bem como a abordagem com os profissionais entrevistados. “Sugiro, e farei também, que professores de todo o país, trabalhem com seus alunos com os conteúdos nela abordados, pois todos nós, professores, alunos e comunidades, sairemos ganhando. Vida longa e sucesso ao blog PANORAMA CULTURAL . Gratidão!"


Johann Peer é Jornalista responsável pelo número 65.158 MTB/SP e também vocalista e compositor da banda PEER & INUMANOS.


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