Panorama Cultural Johann Peer

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

ARTE PARA EMPODERAR A DIVERSIDADE FUNCIONAL

 



“Vivemos em luta constante contra o capacitismo, que é o preconceito contra pessoas com deficiência, classificado pela ONU como tão nocivo quanto o racismo ou a misoginia.A arte faz as pessoas com deficiência mais proativas, empoderadas, conscientes de seus direitos e protagonistas do próprio destino. Temos muito orgulho de participar desse processo”. Assim o vocalista Dudé, da «Entidade Blues» resume seu papel como artista e ativista no palco da vida. A banda participou do tributo à lendária Made in Brazil. Ele lembra que a banda nasceu depois de arrematar uma garrafa de Red Label. “Parte dos grupos de Rock, ou de Blues, trabalham suas temáticas sempre bebendo da mesma fonte, o porre que maninhos nunca tomaram, gatinhas que os coitados nunca pegaram ou turnês que eles nunca fizeram.” revela o cantor. Ele diz acreditar que «o artistabrasileiro, que trabalha com som autoral, fechou-se num mundo de fantasia ainda estacionado lá no pseudo Sex, Drugs e Rock And Roll que “já não diz respeito a ninguém e com boa parte desse pessoal confundindo crise da meia - idade com rebeldia”. A Entidade Blues procura trabalhar temas como empoderamento e espiritualidade. A banda recebeu como uma honra o convite para participar do Tributo ao Made in Brazil. "Participar de homenagem a uma das bandas que você assistia aos shows, quando era moleque, é gratificante demais! Quanto à visibilidade que estamos ganhando nesse curto espaço de tempo, isso se dá pelo fato que descrevi anteriormente: a Entidade Blues escreve músicas que dizem respeito ao que as pessoas vivem atualmente, como anseios, revoltas e até espiritualidade”. O vocalista ressalta que, por ser adepto da Umbanda, fala um pouco sobre essa religião em músicas, derrubando muitos tabus nesse sentido também. “Não adianta montar uma banda pra viver a fantasia de ser um Rockstar que, simplesmente, não existe. Você precisa tocar as pessoas ao invés de passar uma imagem de tiozão malvado que não convence mais ninguém”. completa. No que tange a questão da problematização da deficiência, ele afirma que é necessário naturalizar a pessoa portadora de necessidades especiais, ao invés de transformá-lo em espetáculo. A conscientização sobre a pessoa com deficiência é tão importante e se faz mais necessária que nunca. A partir dessa conscientização é que o debate sobre as necessidades e deveres como cidadãos podem ser aplicadas, por exemplo, às políticas públicas.

“A luta precisa passar através da naturalização da imagem da pessoa com deficiência através de um debate maduro e da ocupação de espaços para que o restante da população não só se acostume com nossa presença, mas que participe também de discussões como acessibilidade e mercado de trabalho por exemplo», defende o artista ativista. Ele lembra que sem Lei de Cotas, a situação estaria muito pior, como já estava há 30 anos atrás. “Nenhuma lei é perfeita e as cotas necessitam passar por reformulações, inclusive no tocante a sua aplicação. Descartar ou menosprezar a lei de cotas, colocando a culpa 100% nela, é desconhecer historicamente a luta e a situação das pessoas com deficiência no Brasil nas últimas três décadas”, destaca.

“Nenhuma funciona sozinha e é por causa disso que sou tão favorável à conscientização seguida da proteção legal. Para tanto, para extinguir as dicotomias e distorções, no que dse refere ao uso e implementação de novas políticas públicas, voltadas para os cidadãos portadores de deficiência e mobilidade reduzida no país, se faz primeiramente necessário, olhar a pessoa com deficiência como um ser humano igual a qualquer um, simples assim”, explica Dudé.

Para ele, a cultura tem sido uma poderosa arma de inclusão e conscientização. “Temos pessoas com deficiência nas mais diferentes linguagens artísticas, como Billy Saga e Yzalú na música, Daniel Gonçalves no cinema, Marcos Abranges na dança, entre outros. Cada um trabalhando sua arte para gerar uma naturalização dos corpos das pessoas com deficiência através de espetáculos, shows, documentários e conteúdo digital”, ele cita. “Não existe pessoa com mais, ou menos, deficiência. A proteção da lei vale tanto para mim, que tenho má formação congênita, quanto para a pessoa com deficiência auditiva que, a princípio, não parece ser PCD.

Na verdade, não é um paradoxo, mas outro fruto da deturpada visão capacitista", ressalta o vocalista, para finalizar que é importante “uma maior conscientização não apenas com relação ao outro, mas com relação a nós mesmos também, sem tabus ou rótulos pré-concebidos. Só assim, teremos uma sociedade mais igualitária e mais justa.

Johann Peer é Jornalista responsável pelo número 65.158 MTB/SP e também vocalista e compositor da banda PEER & INUMANOS.

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