Panorama Cultural Johann Peer

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Lis a Flor da Voz em que se pede bis

 

                             


                

Lis Braga iniciará sua trajetória ainda de forma precoce, através do incentivo de seus pais. A veia comunicativa viera por intermédio de seu pai, que segundo ela, muito comunicativo, era do tipo que fazia amizade em qualquer lugar em que chegava. E tua mãe, por outro lado, incentivando-a de forma constante, ao gosto pela leitura, sempre comprara gibis e livros para ela e aos seus irmãos. Tudo isso a despertara um especial gosto pela informação e criatividade, direcionando-a à Comunicação e se formar em Publicidade; (hoje é âncora de jornalismo em rádio). Em relação à música, ela afirma que seus país estão, também, diretamente ligados. O pai viajava muito, sempre ouvindo músicas sertanejas ou religiosas, e sua mãe fora cantora de coral e sempre trabalhava cantando, o que a tornara alguém absolutamente dependente de música em sua vida. Mas fora voltando de outro estado, trazendo uma depressão adquirida por conta de um relacionamento tóxico e violento, que a fez com embarcasse na Música de maneira profissional. Uma amiga a levou para assistir a uma peça e o integrante de um grupo que realizava espetáculos cênico-musicais convidou-a para fazer um teste admissional após ouvi-la cantar na fila do teatro. A então expectadora, sempre pensara que essas histórias fossem montadas, mas, ali, percebera que de fato a vida pode lhes sorrir quando menos se espera. E dali em diante nascia uma grande artista. Primeiro começando sua trajetória fazendo teatro cênico-musical com o grupo Vozes do Engenho em Salvador. Fora assim que aprendera técnica vocal, expressão corporal, disciplina, a importância de sempre estudar e ensaiar para fazer um bom trabalho. Seu então diretor, Marcelo Jardim, era muito exigente com relação a atuação, gestual, afinação... e isso fez com que ela trouxesse tudo isso muito intensamente. Lia, acredita que chegue a ser chata em relação ao espetáculo mesmo hoje, pois imagina alguém sair de casa para assistir ao seu trabalho; pois para ela precisa fazer valer a pena, pois através da atuação seja nos tablados ou nos palcos, o artista gera movimento na vida de alguém, no tempo de vida que o espectador disponibilizou-se para lhe assistir atuar e performar. 

Depois do teatro, enveredou pela carreira solo. Fez shows temáticos como por exemplo, no Podi Dise Festival no Parque Anhembi em São Paulo, em homenagem à Dorival Caymmi (que segundo Lis, é seu grande amor musical) , Geraldo Azevedo, Divas da MPB (Gal Costa, Elis Regina, Zizi Possi, Clara Nunes, Marisa Monte) e o show “Minas com Bahia”, trazendo compositores dos dois estados. Cantou no Carnaval de Salvador por seis anos seguidos como a voz feminina do Bloco Afro Ókánbí, sendo convidada pelo seu parceiro musical Jorjão Bafafé (percussionista que acompanhou Jimmy Cliff), que a acompanhou desde o início da carreira no teatro por aproximadamente dez anos (pararam por conta da pandemia), e também já fez muitos shows de forró tradicional, bem como atuou por dois anos de apresentando na FLISE (Festa Literária de Santo Estêvão-BA.) Lis Braga vê sua missão musical como sendo manter essa música brasileira mais tradicional viva ao longo do tempo. “Pequenininha do jeito que sou, mas é a minha singela contribuição.” Ela diz. Suas referências e influências, vêm do Heavy Metal, que são o saudoso vocalista André Matos e Bruce Dickinson (Iron Maiden). Para Lis, “são duas figuras incríveis tanto tecnicamente, como em seu carisma e presença de palco, e algumas mulheres marcantes para a música brasileira como Zizi possi, Rita Lee, Elba Ramalho e Gal Costa. Mas me inspiro demais nas pessoas que vou conhecendo pelo caminho – e são muitas – de produtores a músicos, contra-regras, técnicos... É muita história bonita, sofrida, suada... Muita gente que trabalha comigo ao longo do tempo ou com outras pessoas e chama atenção pela dedicação, pelo trabalho, pelo jeito de fazer acontecer. Gente de verdade, não a gente idealizada das TVs, esse mundo é muito fantasioso, não me enche os olhos. Eu gosto de quem se supera a cada dia, mesmo quando parece não ser possível. É com essas pessoas que a gente aprende mais”.

Na Comunicação, iniciou na rádio Paraguassu FM (Santo Estêvão-BA), onde começou a trabalhar, e retornou a segunda vez por cinco anos apresentando o Bom Dia com Lis Braga, um programa de variedades com notícias e entrevistas, depois foi âncora do Jornal Página 1 na Bahiana FM e repórter da Diamantina FM (Ambas de Iraberaba – BA), atualmente é âncora de dois jornais na Serra Dourada FM, Jornal Primeira Página (7 às 9h) e Programa Doze em Ponto (12 às 13h). Além de Comunicadora e Artista, Lis Braga empunha as bandeiras em nome das causas e pautas identitárias,principalmente ambientalistas e sociais, sem os quais, ela não sabe viver sem justificar o espaço que ocupa no mundo. Para ela é impossível só existir para cumprir pauta de acordar, comer, trabalhar e namorar de vez em quando. Lis afirma categoricamente que precisa servir a algo de um propósito muito maior, além de viver para ela e por ela . Mas não pensa ser somente um mérito, enfatiza que todo mundo deveria fazer algo para melhorar um pouco daquilo que se vive no cotidiano. Trabalhou por muitos anos defendendo causas ambientais, fora ativista voluntária do Greenpeace, diretora de comunicação do Instituto Fundo Limpo de Limpeza no Fundo do Mar, e mais recentemente admitida no grupo de voluntários da CUFA de Ipirá-BA, realizou muitas palestras tanto na área ambiental quanto social e com sua experiência, tenta ajudar todas as causas que consiga enxergar ser de extrema urgência e necessidade para a preservação do planeta e, consequentemente do meio ambiente dentro daquilo que lhe é possível.

Lis Braga reforça o pensamento de que há uma falta de maior democratização nos âmbitos educacionais e culturais. Pondera “ser lamentável que necessidades tão importantes como educação e cultura pareçam privilégios no Brasil e se mantenham firmemente funcionando muito bem nos discursos em épocas de eleição. Normalmente os atores culturais precisam se virar, se reinventar, se moviventar da maneira que podem para conseguir um mínimo. Melhorou bastante com a internet, mas até isto é elitizado no Brasil, fica apenas para quem pode pagar por ela, e ainda é muito cara. Apesar de ser clichê dizer que as pessoas precisam aprender a votar em quem defenda causas que lhe sejam favoráveis, é verdade. Precisamos também aprender a importância dos abaixo-assinados e petições públicas na mudança e elaboração de leis que nos favoreçam, apoiar iniciativas ter atenção aos editais e multiplicar a quantidade de pessoas que sejam capazes de escrevê-los de forma adequada. Ocupar espaços de toda maneira possível. E apoiar os projetos dos pequenos. Muita gente reclama mas não dá a mão para o amigo artista que precisa, pede cortesia pra ir em show de R$10, mas paga R$100 pra assistir a um artista rico”. Ela também avalia o cenário independente, reforçando “que vê funcionar muito bem os coletivos culturais, aonde há união de forças, fortalecemos a cena, aumentando as possibilidades, visando fomentar cada vez mais e fortemente a união de talentos e vontades, eu gosto disso”

Lis está atualmente preparando seu mais novo trabalho de relançamento do projeto Divas, que na verdade renasceu durante a Festa Literária de Santo Estêvão, a FLISE. Fora um projeto lançado em 2014 trabalhado por longa temporada , e agora a Artista e Comunicadora vê a possibilidade de retomar com nova formatação, outro contexto, outro olhar, outro lugar. E para ela tem funcionado, (em que pese o advento da pandêmia do novo coronavírus).

Pegando gancho do projeto Divas, Lis Braga aproveita o ensejo, para dissertar sobre o eponderamento e emancipação feminina na sociedade:

“As mulheres merecem os espaços que estão ocupando, eu acho mais que justo, o problema é que o machismo foi imperativo e é ainda até hoje, então essa emancipação feminina incomoda e muito. A mulher que ainda não passou por uma situação de abuso ou violência tem amigas próximas, parentes que passaram por isso, é mais comum do que se relata. Embora comum, não podemos aceitar o feminicídio como algo normal e nem aceitar que esse crime absurdo continue acontecendo com tamanha frequência. Precisamos levantar a voz e denunciar por nós, pelas nossas irmãs, mulheres. E unir forças, mesmo, parar com essa ideia de rivalidade entre nós. Não podemos nos dar ao luxo de ser rivais em um contexto como esse, não somos nós os inimigos. Obviamente a mulher negra e/ou da periferia está naturalmente mais exposta, porque as políticas públicas de proteção se concentram nos centros, onde chegam a câmera de TV e as câmeras de videomonitoramento. Essa mulher não conta com a mesma estrutura, com o mesmo cuidado do Estado, a mesma atenção. O grito dela é abafado não apenas no momento em que sofre a violência física, ela também não é ouvida pelo poder público”.

Lis Braga finaliza esta enviando um recado para os seus milhares de fãs e leitores do blog PANORAMA CULTURAL 

“Eu agradeço imensamente pelo espaço que me foi concedido, espero ter de fato colaborado. Parabéns a vocês por esse trabalho incrível. Sucesso e vida longa ao blog PANORAMA CULTURAL!”


Johann Peer é Jornalista responsável pelo número 65.158 MTB/SP e também vocalista e compositor da banda PEER & INUMANOS.


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