Panorama Cultural Johann Peer

domingo, 8 de março de 2026

Patrícia Shaki: a multiartista de Maringá que transforma música independente em palco de resistência cultural cantora, compositora, apresentadora e produtora cultural, artista paranaense consolida trajetória no underground nacional ao unir arte, comunicação e ativismo feminino.






A trajetória da multiartista maringaense Patrícia Shaki revela a força criativa e a diversidade de caminhos que caracterizam a cena independente brasileira. Cantora, compositora, comunicadora, produtora cultural e defensora da presença feminina na arte, Shaki construiu ao longo dos anos uma identidade artística marcada pela pluralidade sonora e pelo compromisso com a valorização da cultura underground.


Com formação musical iniciada ainda na infância e atuação que se estende por diferentes linguagens artísticas — da música ao teatro, da dança à comunicação —, a artista se tornou uma das vozes ativas na difusão da produção independente nacional. Em entrevista ao Panorama Cultural, ela reflete sobre sua trajetória, os desafios do cenário musical brasileiro e os caminhos que pretende trilhar nos próximos anos.


Do piano erudito da infância ao palco do rock

O primeiro contato de Patrícia Shaki com a música aconteceu muito cedo. Aos quatro anos de idade, iniciou os estudos em piano erudito, experiência que moldou os fundamentos de sua formação artística.


Segundo a artista, esse aprendizado inicial foi determinante para sua trajetória.


“A formação me deu embasamento teórico e prático sobre o universo da música e despertou em mim a vontade de seguir esse caminho pela vida.”


Com o passar dos anos, a artista passou por diversas bandas e estilos musicais, ampliando sua bagagem artística. Essa diversidade, segundo ela, foi essencial para desenvolver uma identidade própria no palco.


“Todas as experiências musicais que tive só agregaram para que eu evoluísse vocalmente. Mas, principalmente, me ajudaram a construir meu próprio estilo — um estilo que interage com o público, que dança e que se entrega no palco.”


O divisor de águas: o nascimento da compositora

Embora já estivesse ativa na cena musical há anos, foi em 2019 que Patrícia viveu um momento decisivo em sua carreira: a composição de sua primeira música autoral, “Borboleta”.


O single, lançado oficialmente em 2022, marcou sua consolidação dentro da cena independente nacional.


“Foi quando consegui compor minha primeira música. O lançamento acabou me projetando nacionalmente dentro do underground.”


A partir desse momento, a cantora passou a investir com mais intensidade na criação de repertório autoral, incorporando experiências pessoais às letras e explorando diferentes vertentes musicais.


Entre o palco e os microfones da comunicação

Além da carreira musical, Patrícia Shaki também se destaca como apresentadora, entrevistadora e comunicadora, conduzindo programas de rádio, podcasts e entrevistas voltadas à cena independente.


Para ela, fortalecer outros artistas é uma extensão natural de seu trabalho.


“Literalmente é a vontade de crescer junto. Eu adoro ser apresentadora tanto quanto cantora. Se posso unir a valorização da cena musical independente com essa vontade de comunicar, por que não?”


Nesse contexto, as web rádios e plataformas digitais desempenham um papel essencial.


“São veículos de extrema importância. É através deles que muitas portas se abrem para os artistas independentes.”


Para Patrícia Shaki, a música independente brasileira ainda enfrenta obstáculos significativos — especialmente fora dos grandes centros culturais.


Entre os principais desafios, ela aponta a necessidade de profissionalização da relação com a mídia, a dificuldade de financiamento para produções e a grande quantidade de lançamentos no mercado.


“Existe um volume enorme de trabalhos novos chegando ao público, nem sempre com qualidade, o que pode confundir a percepção do público.”


Outro fator recente que preocupa parte dos artistas é o avanço da inteligência artificial no campo da produção musical.


“A IA também virou um concorrente, ao meu ver.”


A atuação de Patrícia Shaki vai além da música. Profissionalmente, ela também trabalha na coordenação de políticas públicas voltadas à saúde da mulher e da criança, experiência que influencia diretamente sua produção artística.


Essa vivência fortalece um dos pilares de sua trajetória: a valorização da presença feminina na cultura.


“Busco fomentar a presença feminina no meio artístico e também a igualdade de direitos sociais através da arte.”


Para a artista, a música possui um papel transformador na sociedade.


“A arte entra nos ouvidos, na mente e no cotidiano das pessoas. Ela é formadora de opinião e pode gerar revoluções, como aconteceu com o rock brasileiro nas décadas de 1980 e 1990.”


Apesar das dificuldades históricas, Shaki reconhece avanços na presença feminina dentro do rock e da música pesada.


“Hoje vemos cada vez mais mulheres em bandas de metal e heavy metal, algo que ainda enfrentava muita resistência.”


A produção autoral de Patrícia Shaki é profundamente conectada à sua própria experiência de vida.


“Praticamente tudo que componho tem relação com o que vivo, direta ou indiretamente. Essa é minha forma de expressão.”


Recentemente, a artista lançou um novo single em parceria com o projeto Bellini Rock, consolidando mais uma etapa de sua discografia. Paralelamente, ela já trabalha na finalização de dois novos singles, que devem integrar um projeto maior.


O objetivo é reunir canções suficientes para formar um álbum completo, capaz de sustentar um repertório autoral sólido para apresentações ao vivo.


Musicalmente, o público pode esperar uma continuidade da diversidade que marca sua trajetória.


“Vou manter minha variedade musical, com melodias que passam por diferentes vertentes do rock e até mesmo pela MPB.”


Produção cultural e curadoria artística

Patrícia Shaki também atua como produtora cultural, curadora de eventos e jurada em concursos de bandas, participando da organização de festivais e premiações voltadas à música independente.


Para ela, um projeto cultural relevante precisa combinar profissionalismo, inclusão artística e impacto social.


“É algo que ofereça espaço a vários artistas, com condições dignas e visão estratégica de mercado, mas que também provoque emoções no público e estimule reflexões mais sensíveis e politizadas.”


Na avaliação de novos talentos, alguns critérios são fundamentais:


qualidade da produção audiovisual,

criatividade,coerência estética,originalidade e identidade artística


Uma artista de múltiplas linguagens além da música e da comunicação, Shaki também atua em áreas como dança, teatro e pintura, linguagens que dialogam diretamente em seu processo criativo.


“Sem dúvida todas essas linguagens conversam entre si. Mas o segredo de como isso acontece eu não conto”, brinca.


Ser uma multiartista, segundo ela, amplia horizontes criativos, mas também exige equilíbrio.


“O segredo é impor limites de um lado e deixar fluir do outro.”


Nos últimos anos, o trabalho de Patrícia Shaki passou a receber premiações nacionais e internacionais, reconhecimento que ela recebe com entusiasmo e espírito crítico.


“É muito prazeroso ouvir elogios sinceros, mas também é importante ouvir críticas. Usando um filtro para saber o que absorver, isso só aumenta meu conhecimento e me ajuda a melhorar.”


Entre os projetos futuros, a artista pretende manter sua atuação múltipla — como cantora, compositora, apresentadora e produtora cultural — além de lançar dois ou três novos singles até 2026.


Ao encerrar a entrevista, Patrícia Shaki deixa um recado direto para quem está começando na música.


“Nunca desistam dos seus sonhos. Mas entendam que a música também é um trabalho e exige profissionalismo e qualificação. Ser músico é, sem dúvida, uma profissão.”

Johann Peer é Jornalista responsável pelo n°65.158 MTB/SP e vocalista e compositor da banda PEER & INUMANOS.







Um comentário:

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