Panorama Cultural Johann Peer

domingo, 28 de junho de 2026

O protagonismo das mulheres no rock brasileiro: da pioneira Nora Ney à força da nova geração do underground

A FORÇA E O EMPODERAMENTO FEMININO NO ROCK BRASILEIRO 


Por Johann Peer | Panorama Cultural





Durante décadas, o rock brasileiro foi associado a um universo predominantemente masculino. No entanto, a história mostra que as mulheres sempre estiveram presentes na construção desse movimento, seja nos palcos, nos estúdios, na produção cultural ou na comunicação especializada. Com talento, criatividade e perseverança, elas ajudaram a transformar o cenário musical nacional e seguem renovando a cena independente em diferentes estilos do rock e do metal.


 As pioneiras abriram caminho

Curiosamente, o primeiro rock gravado no Brasil teve uma voz feminina. Em 1955, Nora Ney registrou Ronda das Horas, versão brasileira de Rock Around the Clock, marco simbólico da chegada do gênero ao país.

Poucos anos depois, Celly Campello conquistou o público jovem e tornou-se a primeira grande estrela do rock nacional com sucessos como Banho de Lua e Estúpido Cupido, consolidando o espaço feminino em um mercado ainda em formação.


 Rita Lee: a revolução definitiva

A transformação mais profunda veio na segunda metade da década de 1960 com Rita Lee. Integrante dos Mutantes e, posteriormente, líder da banda Tutti Frutti e de uma consagrada carreira solo, ela redefiniu o papel da mulher no rock brasileiro.

Com irreverência, criatividade e independência artística, Rita Lee rompeu padrões estéticos e comportamentais, tornando-se um dos maiores símbolos da música brasileira. Seu legado permanece como referência para diversas gerações de artistas.

 Os anos 1980 ampliaram o protagonismo

O fortalecimento do rock nacional nos anos 1980 trouxe novas representantes femininas para diferentes vertentes musicais.

Baby do Brasil incorporou elementos do pop e do rock após sua trajetória nos Novos Baianos.

Marina Lima consolidou-se como cantora, compositora e instrumentista, responsável por diversos sucessos radiofônicos.

Fernanda Abreu, inicialmente integrante da Blitz, desenvolveu posteriormente uma carreira que aproximou rock, funk e música pop.

Enquanto isso, o underground paulista ganhava força com bandas como Mercenárias, liderada por Sandra Coutinho, mostrando que o punk e o rock alternativo também eram espaços de criação e protagonismo feminino.


Diversidade do rock feminino dos anos 1990 aos dias atuais

Nos anos 1990, o cenário recebeu uma das maiores intérpretes da música brasileira: Cássia Eller, cuja personalidade artística e interpretações marcantes conquistaram público e crítica.

Na década seguinte, Pitty tornou-se um dos principais nomes do rock nacional contemporâneo, levando o gênero novamente ao topo das paradas e inspirando uma nova geração de compositoras e instrumentistas.

Hoje, o protagonismo feminino vai muito além dos vocais. Mulheres atuam como guitarristas, baixistas, bateristas, produtoras, técnicas de som, empresárias e comunicadoras, fortalecendo toda a cadeia produtiva da música independente.


A força do underground brasileiro

A cena independente brasileira apresenta uma geração de artistas que amplia a diversidade de estilos e narrativas presentes no rock nacional.

Entre os destaques está a banda brasileira de death metal Crypta iniciou uma nova etapa de sua trajetória e já se prepara para entrar em estúdio para gravar seu terceiro álbum de inéditas. O novo trabalho sucede Shades of Sorrow, disco que ampliou a projeção internacional do grupo e consolidou sua presença no cenário do metal extremo.


Em 2026, a Crypta oficializou a entrada da guitarrista norte-americana Victoria Villarreal. A formação atual reúne as fundadoras Fernanda Lira (vocal e baixo) e Luana Dametto (bateria), além da guitarrista Tainá Bergamaschi. A nova composição fez sua estreia no Brasil durante o festival Bangers Open Air, realizado em São Paulo.


Nos últimos anos, a banda tem ampliado sua atuação no mercado internacional. Com Shades of Sorrow, a Crypta conquistou espaço em paradas da Billboard e intensificou sua agenda de apresentações em festivais e turnês pela Europa e pelos Estados Unidos.

De Jundiaí (SP) destaca-se o Cáustico, duo experimental, onde Cely Couto assume simultaneamente bateria e vocais, característica pouco comum mesmo no cenário internacional. A banda mistura punk, noise rock e drone, construindo uma identidade sonora própria.

No metal extremo, o Ethel Hunter, de Curitiba, tem Larissa Pires nos vocais e apresenta uma combinação de técnica e intensidade no death metal.

No Distrito Federal, a Kidsgrace, formada por mulheres cis e trans, utiliza o hardcore para abordar questões sociais, saúde mental e identidade, ampliando a representatividade dentro da cena.

Outra representante é a carioca Mityma, grupo formado exclusivamente por mulheres que aposta no blackened sludge metal com sonoridade pesada e letras densas.

O Hatefulmurder, do Rio de Janeiro, consolidou-se no death metal melódico tendo Angélica Burns como uma das vozes mais reconhecidas do gênero.

Em Curitiba, a Humanal, liderada por Tati Klingel, mistura groove metal, jazz, rock progressivo e música brasileira, reforçando a pluralidade criativa do metal nacional.

Já o Manger Cadavre? tornou-se referência no crust punk brasileiro. Além dos vocais, Nata de Lima desenvolve um importante trabalho de articulação cultural por meio da União das Mulheres do Underground e do podcast Blasfêmea.

Também merecem destaque bandas como CRAS, INRAZA, Corja!, Charlotte Matou Um Cara, Malvada, Drenna Rock e a artista Patrícia Shaki, cada uma contribuindo para ampliar a presença feminina em diferentes vertentes do rock brasileiro.

 


Mulheres que movimentam os bastidores da cena Rock




O fortalecimento do rock brasileiro não depende apenas dos artistas que sobem aos palcos. Nos bastidores, diversas profissionais desempenham papel decisivo para o crescimento da cena independente.

Entre elas está a produrocker Gigi Jardim, produtora artística e idealizadora do Dellaz Fest, festival voltado ao protagonismo feminino e ao fortalecimento do rock independente.

Outra referência é Kaká Schwartzmann, jornalista, musicista e apresentadora do projeto Tour Rock Brasil. Percorrendo diferentes estados brasileiros, ela registra, divulga e conecta bandas autorais, contribuindo para ampliar a visibilidade da produção independente nacional rumo ao Guiness Book com a descoberta e entrevista de mais de mil bandas e artistas do Rock autoral independente brasileiro de várias cidades e estados do país percorrendo todo o território nacional.

Também merece reconhecimento Nanda Rev Divulguer, produtora cultural, assessora de imprensa e organizadora de festivais itinerantes que fortalecem artistas autorais em diversas regiões do país, consolidando uma importante rede de divulgação do rock underground.


Muito além da música

A presença feminina no rock brasileiro representa mais do que participação artística. Ao longo de sete décadas, mulheres ocuparam espaços antes restritos, ampliaram possibilidades criativas e contribuíram para a diversidade cultural do país.

Hoje, novas gerações demonstram que o rock continua sendo um ambiente de inovação, pluralidade e expressão artística. Em estilos que vão do punk ao metal extremo, passando pelo rock alternativo e experimental, elas seguem escrevendo capítulos importantes da história da música brasileira.

Valorizar essas artistas, produtoras, jornalistas e comunicadoras significa reconhecer a importância de um movimento cultural construído diariamente por pessoas que mantêm viva a cena independente e ampliam as possibilidades do rock nacional para o futuro.


Johann Peer é Jornalista responsável sob o número 65.158/SP e também vocalista e compositor da banda PEER & INUMANOS.


segunda-feira, 22 de junho de 2026

CONEXÃO CAPIVARA FORTALECE O ROCK AUTORAL PARANAENSE E AMPLIA SUA PRESENÇA NO CENÁRIO INDEPENDENTE BRASILEIRO

 Conexão Capivara:Sonoridade com identidade própria cativante no universo Rock And Roll

Por Johann Peer 



A produção musical independente brasileira segue revelando artistas comprometidos com a criação autoral e a valorização da cultura do rock. Entre os nomes que vêm ganhando destaque na região Sul do país está a banda Conexão Capivara, grupo formado em Curitiba, Paraná, que vem consolidando sua trajetória por meio de composições próprias, apresentações ao vivo e participação em importantes festivais culturais.

Criada em 2023, a Conexão Capivara nasceu da união de músicos experientes da cena paranaense com o objetivo de transformar anos de composições e experiências musicais em um projeto autoral consistente. Desde então, a banda tem desenvolvido um trabalho voltado à produção independente, construindo uma identidade própria e ampliando sua atuação dentro do circuito nacional do rock.

A formação atual reúne Alessandro (vocais), Giancarlo Marchiorato (guitarra), Walter Feldthaus (baixo) e Krull (bateria), músicos que compartilham influências ligadas ao rock clássico, blues rock, hard rock e outras vertentes que marcaram a história do gênero.

Sonoridade que dialoga com diferentes gerações do rock

A proposta musical da Conexão Capivara reúne referências que passam por nomes históricos do rock internacional, como Jimi Hendrix, Deep Purple, Black Sabbath, Led Zeppelin, AC/DC, além de importantes referências do rock brasileiro.

O resultado é uma sonoridade marcada por riffs expressivos, letras reflexivas e apresentações que valorizam a energia característica do rock ao vivo, elementos que vêm conquistando novos públicos em diferentes cidades brasileiras.

Produção autoral e lançamentos

Entre 2024 e 2025, a banda lançou uma série de singles que deram origem ao EP Tentaram Nos Derrubar, trabalho que consolidou sua identidade artística dentro da cena independente.

O repertório apresenta composições como:

Por Que Será?

Que o Vento Te Leve

Socorro Espacial

Teu Fruto Proibido

Sofrer Sem Dor

A Vida é Uma Aposta

As músicas abordam temas ligados ao cotidiano, relações humanas, liberdade de pensamento e reflexões sobre a sociedade contemporânea, características que reforçam o compromisso da banda com a expressão autoral.

Reconhecimento na cena independente

Mesmo com poucos anos de atividade, a Conexão Capivara já recebeu importantes reconhecimentos em eventos voltados à valorização da música independente.

Entre os destaques estão participações e premiações em iniciativas culturais como o Prêmio Lúcia Porto de Música, o Prêmio Balbúrdia de Música e o Prêmio Internacional Aliança Independente de Radiodifusão, além de indicações em categorias relacionadas à produção autoral e à performance artística.

Esses resultados demonstram o crescimento do grupo e a capacidade da música independente paranaense de alcançar públicos cada vez mais amplos.

Presença em festivais e eventos culturais

A trajetória recente da banda inclui participações em festivais e eventos de relevância para o rock independente. Um dos momentos de maior destaque ocorreu durante o Pinhão Rock Fest 2026, evento que reuniu artistas de diversas regiões e fortaleceu a circulação da música autoral no Paraná.

Outro marco importante aconteceu durante a tradicional Zombie Walk Curitiba, uma das maiores manifestações culturais da capital paranaense, quando o grupo realizou uma apresentação para milhares de pessoas, ampliando significativamente sua visibilidade junto ao público.

Após essa apresentação, a banda foi anunciada como finalista do Prêmio Balbúrdia de Rock Independente em categorias de destaque, incluindo Banda do Ano e Melhor Lançamento de Rock, reforçando seu reconhecimento dentro da cena autoral brasileira.

Expansão para novos públicos

Além da atuação no Paraná, a Conexão Capivara vem ampliando sua circulação por outras regiões do país. Entre as apresentações recentes estão shows realizados em casas dedicadas à música independente na cidade de São Paulo, fortalecendo o intercâmbio cultural entre artistas e públicos de diferentes estados.

A banda também investe na produção audiovisual, contabilizando diversos videoclipes e participações em projetos colaborativos voltados à divulgação do novo rock brasileiro.

Novos projetos

Atualmente, o grupo trabalha na finalização do álbum Dia de São Nunca, previsto para ser lançado nas plataformas digitais, acompanhado por uma edição física e por apresentações de divulgação.

A expectativa é que o novo trabalho represente mais um passo na consolidação da banda dentro do cenário independente, mantendo o compromisso com a produção autoral e a valorização da cultura do rock.

A força do rock independente

A trajetória da Conexão Capivara evidencia a vitalidade da cena independente brasileira e o papel dos artistas que seguem investindo em composições próprias, circulação cultural e produção musical independente.

Com identidade artística definida, presença crescente em festivais e um repertório autoral consistente, a banda representa uma das expressões contemporâneas do rock produzido no Paraná, contribuindo para o fortalecimento da música independente nacional.

Serviço

Banda: Conexão Capivara

Origem: Curitiba

Formação: Alessandro (voz), Giancarlo Marchiorato (guitarra), Walter Feldthaus (baixo) e Krull (bateria)

Redes sociais: @conexaocapivaraoficial

Contato para imprensa:

bandaconexaocapivara@gmail.com

Mais informações:

Link Oficial da Conexão Capivara

https://linktr.ee/bandaconexaocapivara


Johann Peer é jornalista (MTB 65.158/SP), ativista cultural, vocalista e compositor da banda Peer & Inumanos, além de idealizador do projeto Panorama Cultural por Johann Peer.


segunda-feira, 15 de junho de 2026

Raio-X do Rock Autoral Paulista: resistência, diversidade e renovação na Grande São Paulo

 






Cena independente mantém viva a força do rock autoral paulista


Panorama Cultural por Johann Peer 


Enquanto a indústria musical concentra grande parte de sua atenção em tendências digitais e artistas de alcance massivo, uma movimentada cena de rock autoral segue construindo sua trajetória nos palcos, centros culturais, festivais independentes e casas de shows da Grande São Paulo. Formada por bandas e artistas de diferentes gerações e influências, essa rede criativa demonstra que o rock continua sendo uma importante ferramenta de expressão artística, reflexão social e fortalecimento cultural.


Entre os nomes que vêm contribuindo para essa movimentação estão projetos como Emanno RockBrabo, Capitão Albatroz, Crazyland, Sub Rock, Spine Shiver, Decreto Sem Lei, Paraomundo, Sete Chakras, Kalango HC, PEER & INUMANOS, Insones, Etros, Cítrica, Veneno de Alice, Invokaos, D.O.S e Hattarmada,Tremenduz,D'US OCULTO, entre outras.


Diversidade sonora como principal característica


Uma das marcas mais evidentes da atual cena autoral paulista é a pluralidade musical. O público encontra desde influências do rock clássico, hard rock e blues até vertentes ligadas ao punk rock, hardcore, metal alternativo, rock progressivo, rock urbano e fusões experimentais.


Essa diversidade permite que diferentes públicos coexistam dentro do mesmo circuito cultural. Eventos coletivos, festivais independentes e encontros musicais costumam reunir bandas com propostas distintas, ampliando o alcance artístico e fortalecendo o intercâmbio entre músicos e plateias.


 A importância dos festivais independentes


Grande parte da visibilidade conquistada pelos artistas emergentes está ligada à atuação de produtores culturais, coletivos e espaços independentes que apostam na música autoral.


Festivais realizados em casas de shows, pubs, centros culturais, CEUs e pontos de cultura têm desempenhado papel fundamental na circulação dessas bandas. Além de oferecer espaço para apresentações ao vivo, esses eventos ajudam na formação de público, na troca de experiências e na construção de redes colaborativas.


Em muitas ocasiões, bandas já consolidadas no circuito dividem palco com grupos iniciantes, criando oportunidades de exposição para novos projetos e contribuindo para a renovação permanente da cena.


Produção independente e presença digital


Outro aspecto relevante é a profissionalização gradual dos artistas independentes. Muitas bandas passaram a investir em identidade visual, videoclipes, distribuição digital, assessoria de imprensa e produção de conteúdo para redes sociais.


Embora os desafios financeiros ainda sejam significativos, plataformas de streaming, redes sociais e canais de vídeo permitiram que músicos autorais alcançassem públicos fora de seus bairros, cidades e até estados de origem.


A presença digital tornou-se uma extensão natural do palco, possibilitando lançamentos, transmissões ao vivo, entrevistas e interação direta com os fãs.


 Desafios enfrentados pela cena


Apesar da vitalidade artística, a cena autoral paulista continua enfrentando obstáculos importantes:


* Escassez de espaços dedicados exclusivamente à música autoral;

* Custos elevados de produção e logística;

* Dificuldade de acesso a patrocinadores;

* Baixa presença do rock em grandes veículos de comunicação;

* Necessidade constante de formação e renovação de público.


Mesmo diante dessas dificuldades, a persistência dos artistas demonstra a capacidade de adaptação e resistência do movimento.


 Cultura, identidade e pertencimento





Mais do que entretenimento, o rock autoral produzido na Grande São Paulo funciona como espaço de manifestação cultural. Letras que abordam questões urbanas, existenciais, sociais, filosóficas e humanas refletem a realidade de seus criadores e de suas comunidades.


Projetos como o desenvolvido por PEER & INUMANOS, por exemplo, evidenciam a
aproximação entre música, literatura e crítica social, demonstrando que o rock independente continua sendo um importante instrumento de reflexão artística.


 Perspectivas para o futuro


O cenário do rock autoral paulista segue em transformação. A combinação entre produção independente, ocupação de espaços culturais, fortalecimento de festivais e ampliação da presença digital aponta para um futuro de crescimento sustentável.


Bandas como Capitão Albatroz, Crazyland, Kalango HC, Veneno de Alice, Invokaos, Hattarmada e Artistas em ascensão como: Emanno Rockbrabo, e diversos outros representantes da nova geração demonstram que há uma produção consistente em andamento.


O rock autoral da Grande São Paulo permanece vivo graças à dedicação de músicos, produtores, coletivos culturais e público. Em um ambiente cada vez mais competitivo, a cena independente continua provando que criatividade, identidade e perseverança ainda são elementos centrais para a construção de uma cultura musical relevante e conectada com seu tempo.




Imagem:Nanda Grecco Fotografia




Johann Peer é Jornalista responsável sob o número 65.158/SP , é também vocalista e compositor da banda PEER & INUMANOS.




segunda-feira, 8 de junho de 2026

Crazyland: o rock autoral que transforma amizade, resistência e estrada em identidade própria

 

Banda paulistana CRAZYLAND fala sobre origens, evolução sonora, cena independente e os desafios do rock brasileiro em entrevista exclusiva ao PANORAMA CULTURAL POR JOHANN PEER





Crazyland: o rock autoral que transforma amizade, resistência e estrada em identidade própria:

Entre riffs intensos, letras autorais e uma trajetória construída na estrada do underground paulista, a banda Crazyland segue consolidando seu espaço na cena independente nacional. Em entrevista exclusiva ao blog *PANORAMA CULTURAL POR JOHANN PEER*, o vocalista Sandrão relembrou a formação do grupo, falou sobre o amadurecimento artístico da banda, o impacto do álbum “Brasil”e os planos para 2026, em meio a um momento delicado marcado pela perda do produtor Michel Kuaker.

Com forte atuação no circuito independente, a Crazyland vem se destacando por unir rock and roll, peso, atmosfera e identidade autoral em apresentações que já dividiram palco com nomes importantes do cenário nacional, como Garotos Podres, Black Pantera e Golpe de Estado.


Das reuniões entre amigos ao nascimento da Crazyland

Segundo Sandrão, a Crazyland surgiu de encontros despretensiosos entre amigos na casa do guitarrista Kike Damaceno. O que começou entre churrascos, cervejas e covers acabou evoluindo para uma banda autoral com identidade própria.

“A Crazy começa de uma brincadeira de amigos. Nos reuníamos na casa do Kike Damaceno para assar uma carne, tomar umas geladas e fazer música. Desses encontros surgiu o embrião da banda.”

O vocalista também destacou que a banda passou por diversas formações até chegar ao atual line-up, considerado por ele o mais entrosado da trajetória do grupo.

Hoje, a formação conta com Sandrão nos vocais, Kike Damaceno na guitarra, Professor Góes na bateria e Ale Feliciano no baixo.



Influências clássicas e evolução natural do som


A relação de Sandrão com o rock começou ainda na infância, influenciado principalmente pelo pai, fã de The Beatles e Electric Light Orchestra.

 “A primeira lembrança que tenho de rock foi da banda Electric Light Orchestra. Eles têm uma música chamada ‘Tightrope’. Eu chamava de ‘a música do barulhão’.”

Ao longo dos anos, a Crazyland passou por transformações naturais, incorporando novas referências e tornando o som mais pesado e direto.

 “Hoje estamos muito mais rock n roll. Muito mais pesados. Foi uma evolução natural oriunda das mudanças de formação.”

Mesmo mantendo o rock como essência principal, a banda destaca que o processo criativo coletivo permite diferentes influências musicais dentro das composições.


O impacto do Showlivre e da cena independente

A transição definitiva para o trabalho autoral aconteceu durante a pandemia, período em que os integrantes começaram a produzir músicas remotamente. A primeira apresentação oficial da Crazyland como banda autoral aconteceu em grande estilo no programa Showlivre, com apoio de Clemente Nascimento, vocalista das bandas Inocentes e Plebe Rude.

 “Nossa primeira apresentação como banda autoral acabou sendo em grande estilo no programa Showlivre do nosso grande padrinho Clemente dos Inocentes.”

A experiência ampliou significativamente o alcance da banda e fortaleceu sua presença no circuito underground.

Para Sandrão, tocar ao vivo continua sendo a principal ferramenta de crescimento de uma banda independente.

“Estar na estrada tocando é como plantamos a semente da nossa música. Toda banda precisa sair do estúdio e ir para a rua.”


Brasil”: o álbum que consolidou a Crazyland


Lançado em 2023, o álbum *Brasil* marcou um importante passo na trajetória da banda. O trabalho trouxe músicas como “Gravidade”, “Transformar”, “Rip” e “Amor de Quarentena”, consolidando o nome da Crazyland dentro do rock independente nacional.

 “O primeiro filho sempre é muito importante. Resultado de um intenso trabalho. Foi uma grande satisfação colocá-lo no mercado.”

Segundo a banda, o disco teve boa repercussão em rádios como Kiss FM e Rádio Gazeta, além de fortalecer a turnê que veio na sequência.


 Novos singles, perdas e reconstrução


Atualmente, a Crazyland trabalha na produção do segundo álbum, embora o processo tenha sido impactado pela morte do produtor Michel Kuaker, ocorrida em abril deste ano.

 “Foi um grande baque para a banda. Ele sempre foi muito importante nesse processo.”

Mesmo diante da perda, a banda segue lançando novos singles, entre eles “Amor Bom”, com participação da cantora Claudiah, “Me Esqueceu, Tanto Faz” — releitura inspirada no clássico “In the Still of the Night”, do grupo The Five Satins — e “El Salvador”, faixa marcada por atmosferas psicodélicas e influências pós-punk.

Além dessas músicas, a banda também lançou recentemente o single “Nada Vai Fazer Você Mudar”.

 “Estamos no processo de adequação para esse novo cenário com essa tragédia que atingiu a banda. Mas continuamos.”

 

Rock brasileiro, renovação e diversidade

Durante a entrevista, Sandrão também refletiu sobre os desafios atuais do rock brasileiro. Para ele, o gênero perdeu espaço no mainstream e precisa voltar a dialogar com as novas gerações.

“O rock precisa voltar a se comunicar com a juventude.”

A banda também destacou a importância da ampliação da diversidade dentro da cena, reconhecendo o crescimento da participação feminina e LGBTQIA+ no rock contemporâneo.

“Esse trabalho é essencial para que o rock continue relevante. Tem que ir abrindo espaço. Quebrando esse muro tijolo por tijolo.”


União do underground e planos para 2026


A Crazyland reforçou ainda a importância das colaborações entre bandas independentes, defendendo uma cena mais unida e colaborativa.

“As bandas só ficarão vivas se estiverem juntas e trabalharem remando para o mesmo lado.”

A banda participa ativamente de associações ligadas ao fortalecimento do rock independente, como ACC, ACR e ABMIN, além de planejar novas parcerias para os próximos lançamentos.

Para 2026, o principal objetivo é ampliar a circulação pelo Brasil.

“Daqui a cinco anos queremos  apenas continuar fazendo rock n roll. O resto será consequência.”


Ao encerrar a entrevista, Sandrão deixou um recado direto aos fãs e leitores do PANORAMA CULTURAL POR JOHANN PEER*:

 “Continuem prestigiando a música autoral. E aguardem. Temos muitas novidades para 2026.”








*Por Johann Peer - Jornalista responsável — MTB 65.158/SP, e também Vocalista e compositor da banda PEER & INUMANOS


segunda-feira, 1 de junho de 2026

Clemente Nascimento relembra a origem do punk brasileiro, analisa o mercado musical e destaca o papel da música independente



Fundador do Inocentes, integrante da Plebe Rude e presidente da ABMIN, Clemente Nascimento fala sobre a história do punk nacional, os desafios da cena independente e os rumos da música brasileira.

Por Johann Peer | Panorama Cultural

Uma das vozes mais importantes da história do rock brasileiro, o músico e ativista cultural Clemente Nascimento concedeu entrevista exclusiva ao Blog Panorama Cultural por Johann Peer. Fundador da histórica banda Inocentes, integrante da Plebe Rude e atual presidente da ABMIN, o artista revisitou momentos decisivos da trajetória do punk brasileiro e refletiu sobre os desafios enfrentados pelos músicos independentes na atualidade.

Segundo Clemente, sua relação com a música começou em 1976, incentivado pelo amigo Douglas Viscaíno. Pouco tempo depois, a explosão mundial do punk rock encontrou terreno fértil entre jovens paulistanos influenciados por bandas como Stooges e MC5.

“Em 1977 o punk explodiu no mundo todo e foi uma coisa muito natural nos tornarmos uma das primeiras bandas punk brasileiras em 1978 com o Restos de Nada”, relembra.

Ao analisar o impacto do movimento punk em São Paulo durante os anos 1980, Clemente afirma que o fenômeno representou uma mudança histórica na produção cultural brasileira.

“Foi uma das poucas vezes na história em que a vanguarda estava na periferia e não na classe média.”

A entrevista também percorre a formação de grupos fundamentais para a consolidação da cena underground. Antes dos Inocentes, Clemente integrou as bandas Restos de Nada e Condutores de Cadáver, que ajudaram a organizar festivais e ampliar a circulação da música punk pelas periferias paulistanas.

O músico destaca ainda a importância da coletânea "Grito Suburbano", lançada em 1982, considerada um marco para o gênero ao reunir Cólera, Inocentes e Olho Seco no primeiro registro fonográfico dedicado às bandas punks brasileiras.

Ao longo de mais de quatro décadas de carreira, Clemente acompanhou de perto as transformações da indústria musical. Para ele, as pautas sociais presentes nas composições evoluíram naturalmente com o passar do tempo.

“Na década de 80 era mais cru e direto. Hoje é mais poético, sem perder a contundência.”

Questionado sobre a relação entre o underground e o mainstream, o artista lembra que muitos dos principais nomes do rock nacional surgiram justamente dos circuitos alternativos.

“Todas as bandas da década de 80 que ficaram populares depois vinham do underground. Conheci todas tocando pelos porões da cidade.”

A entrada na Plebe Rude, anos depois, foi consequência de uma amizade construída desde os primeiros anos da cena punk.

“Quando o Philippe me convidou, fiquei honrado. Sempre gostei da banda e me adaptei rapidamente.”

Durante a conversa, Clemente também analisou a perda de protagonismo



do rock no mercado fonográfico. Segundo ele, as mudanças na forma de consumo da música transformaram profundamente a indústria.

“Hoje praticamente existe uma grande plataforma dominante e ela investe apenas no que oferece retorno garantido.”

Mesmo assim, o músico não acredita que o rock tenha desaparecido.

“O rock voltou para o seu público original, para quem realmente vive essa cultura. Para bandas como Inocentes e Plebe Rude isso funciona muito bem.”

Sobre o crescimento de estilos como rap, hip hop e trap, Clemente vê o processo com naturalidade e destaca que o diálogo entre diferentes linguagens musicais sempre existiu.

Entre suas experiências fora dos palcos, ele ressalta o trabalho realizado como comunicador, produtor e apresentador em rádio, televisão e plataformas digitais, ajudando a divulgar artistas independentes e novos talentos.

Na presidência da ABMIN, Clemente defende a aproximação dos músicos independentes com políticas públicas voltadas ao setor cultural.

“A ideia é facilitar o acesso dos artistas às políticas públicas, à gestão cultural e à elaboração de projetos.”

Ao comentar os desafios atuais dos músicos independentes, ele observa que os artistas passaram a acumular diversas funções que antes eram desempenhadas por gravadoras e selos.

“Hoje o artista precisa criar, divulgar, distribuir e administrar a própria carreira.”

Apesar das dificuldades, Clemente segue otimista em relação à produção musical independente e mantém uma intensa agenda de atividades. Entre os projetos mais recentes estão as comemorações dos 40 anos dos álbuns históricos das bandas Inocentes e Plebe Rude, além da gravação de um novo registro ao vivo dos Inocentes.

Ao encerrar a entrevista, o pioneiro do punk brasileiro resumiu sua trajetória com uma frase marcante:

“Fiquei vivo para contar a história.”

E deixou uma mensagem direta para os novos artistas que desejam iniciar sua caminhada na música independente:

“Faça o que está a fim de fazer sem seguir modismos.”

A declaração sintetiza a essência de uma carreira construída com autenticidade, independência e compromisso com a cultura alternativa brasileira, características que transformaram Clemente Nascimento em uma das figuras mais influentes da história do rock nacional.







*Johann Peer é Jornalista responsável sob o número 65.158/SP e também, vocalista e compositor da banda PEER & INUMANOS.


O protagonismo das mulheres no rock brasileiro: da pioneira Nora Ney à força da nova geração do underground

A FORÇA E O EMPODERAMENTO FEMININO NO ROCK BRASILEIRO  Por Johann Peer | Panorama Cultural Durante décadas, o rock brasileiro foi associado ...