Panorama Cultural Johann Peer

segunda-feira, 8 de junho de 2026

Crazyland: o rock autoral que transforma amizade, resistência e estrada em identidade própria

 

Banda paulistana CRAZYLAND fala sobre origens, evolução sonora, cena independente e os desafios do rock brasileiro em entrevista exclusiva ao PANORAMA CULTURAL POR JOHANN PEER





Crazyland: o rock autoral que transforma amizade, resistência e estrada em identidade própria:

Entre riffs intensos, letras autorais e uma trajetória construída na estrada do underground paulista, a banda Crazyland segue consolidando seu espaço na cena independente nacional. Em entrevista exclusiva ao blog *PANORAMA CULTURAL POR JOHANN PEER*, o vocalista Sandrão relembrou a formação do grupo, falou sobre o amadurecimento artístico da banda, o impacto do álbum “Brasil”e os planos para 2026, em meio a um momento delicado marcado pela perda do produtor Michel Kuaker.

Com forte atuação no circuito independente, a Crazyland vem se destacando por unir rock and roll, peso, atmosfera e identidade autoral em apresentações que já dividiram palco com nomes importantes do cenário nacional, como Garotos Podres, Black Pantera e Golpe de Estado.


Das reuniões entre amigos ao nascimento da Crazyland

Segundo Sandrão, a Crazyland surgiu de encontros despretensiosos entre amigos na casa do guitarrista Kike Damaceno. O que começou entre churrascos, cervejas e covers acabou evoluindo para uma banda autoral com identidade própria.

“A Crazy começa de uma brincadeira de amigos. Nos reuníamos na casa do Kike Damaceno para assar uma carne, tomar umas geladas e fazer música. Desses encontros surgiu o embrião da banda.”

O vocalista também destacou que a banda passou por diversas formações até chegar ao atual line-up, considerado por ele o mais entrosado da trajetória do grupo.

Hoje, a formação conta com Sandrão nos vocais, Kike Damaceno na guitarra, Professor Góes na bateria e Ale Feliciano no baixo.



Influências clássicas e evolução natural do som


A relação de Sandrão com o rock começou ainda na infância, influenciado principalmente pelo pai, fã de The Beatles e Electric Light Orchestra.

 “A primeira lembrança que tenho de rock foi da banda Electric Light Orchestra. Eles têm uma música chamada ‘Tightrope’. Eu chamava de ‘a música do barulhão’.”

Ao longo dos anos, a Crazyland passou por transformações naturais, incorporando novas referências e tornando o som mais pesado e direto.

 “Hoje estamos muito mais rock n roll. Muito mais pesados. Foi uma evolução natural oriunda das mudanças de formação.”

Mesmo mantendo o rock como essência principal, a banda destaca que o processo criativo coletivo permite diferentes influências musicais dentro das composições.


O impacto do Showlivre e da cena independente

A transição definitiva para o trabalho autoral aconteceu durante a pandemia, período em que os integrantes começaram a produzir músicas remotamente. A primeira apresentação oficial da Crazyland como banda autoral aconteceu em grande estilo no programa Showlivre, com apoio de Clemente Nascimento, vocalista das bandas Inocentes e Plebe Rude.

 “Nossa primeira apresentação como banda autoral acabou sendo em grande estilo no programa Showlivre do nosso grande padrinho Clemente dos Inocentes.”

A experiência ampliou significativamente o alcance da banda e fortaleceu sua presença no circuito underground.

Para Sandrão, tocar ao vivo continua sendo a principal ferramenta de crescimento de uma banda independente.

“Estar na estrada tocando é como plantamos a semente da nossa música. Toda banda precisa sair do estúdio e ir para a rua.”


Brasil”: o álbum que consolidou a Crazyland


Lançado em 2023, o álbum *Brasil* marcou um importante passo na trajetória da banda. O trabalho trouxe músicas como “Gravidade”, “Transformar”, “Rip” e “Amor de Quarentena”, consolidando o nome da Crazyland dentro do rock independente nacional.

 “O primeiro filho sempre é muito importante. Resultado de um intenso trabalho. Foi uma grande satisfação colocá-lo no mercado.”

Segundo a banda, o disco teve boa repercussão em rádios como Kiss FM e Rádio Gazeta, além de fortalecer a turnê que veio na sequência.


 Novos singles, perdas e reconstrução


Atualmente, a Crazyland trabalha na produção do segundo álbum, embora o processo tenha sido impactado pela morte do produtor Michel Kuaker, ocorrida em abril deste ano.

 “Foi um grande baque para a banda. Ele sempre foi muito importante nesse processo.”

Mesmo diante da perda, a banda segue lançando novos singles, entre eles “Amor Bom”, com participação da cantora Claudiah, “Me Esqueceu, Tanto Faz” — releitura inspirada no clássico “In the Still of the Night”, do grupo The Five Satins — e “El Salvador”, faixa marcada por atmosferas psicodélicas e influências pós-punk.

Além dessas músicas, a banda também lançou recentemente o single “Nada Vai Fazer Você Mudar”.

 “Estamos no processo de adequação para esse novo cenário com essa tragédia que atingiu a banda. Mas continuamos.”

 

Rock brasileiro, renovação e diversidade

Durante a entrevista, Sandrão também refletiu sobre os desafios atuais do rock brasileiro. Para ele, o gênero perdeu espaço no mainstream e precisa voltar a dialogar com as novas gerações.

“O rock precisa voltar a se comunicar com a juventude.”

A banda também destacou a importância da ampliação da diversidade dentro da cena, reconhecendo o crescimento da participação feminina e LGBTQIA+ no rock contemporâneo.

“Esse trabalho é essencial para que o rock continue relevante. Tem que ir abrindo espaço. Quebrando esse muro tijolo por tijolo.”


União do underground e planos para 2026


A Crazyland reforçou ainda a importância das colaborações entre bandas independentes, defendendo uma cena mais unida e colaborativa.

“As bandas só ficarão vivas se estiverem juntas e trabalharem remando para o mesmo lado.”

A banda participa ativamente de associações ligadas ao fortalecimento do rock independente, como ACC, ACR e ABMIN, além de planejar novas parcerias para os próximos lançamentos.

Para 2026, o principal objetivo é ampliar a circulação pelo Brasil.

“Daqui a cinco anos queremos  apenas continuar fazendo rock n roll. O resto será consequência.”


Ao encerrar a entrevista, Sandrão deixou um recado direto aos fãs e leitores do PANORAMA CULTURAL POR JOHANN PEER*:

 “Continuem prestigiando a música autoral. E aguardem. Temos muitas novidades para 2026.”








*Por Johann Peer - Jornalista responsável — MTB 65.158/SP, e também Vocalista e compositor da banda PEER & INUMANOS


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